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segunda-feira, 7 de março de 2016

Dilma afirma que não há sentido conduzir Lula 'sob vara' para depor

Em evento no RS, presidente criticou ação da força-tarefa da Lava Jato.

Segundo a petista, não cabe alegar que estavam 'protegendo' o ex-presidente.

Filipe Matoso e Felipe TrudaDo G1, em Brasília e no RS

A presidente Dilma Rousseff criticou mais uma vez nesta segunda-feira (7), em um evento em Caxias do Sul (RS), a ação da Operação Lava Jato que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a depor coercitivamente na última sexta (4). Segundo a chefe do Executivo – afilhada política de Lula – não tem o menor sentido conduzi-lo "sob vara" para prestar depoimento.
Na última sexta (4), Lula foi o alvo principal da 24ª fase da Operação Lava Jato, que investiga se ele foi beneficiado pelo esquema de corrupção que atuava na Petrobras.
Na ocasião, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do petista, na sede do Instituto Lula e em um sítio que o ex-presidente frequenta com a família em Atibaia (SP). Além disso, ele foi obrigado, por ordem do juiz federal Sérgio Moro, a ir depor sobre as suspeitas de ocultação de patrimônio.
No mesmo dia da operação, Dilma fez um pronunciamento à imprensa no Palácio do Planalto no qual ela se disse inconformadacom o que chamou de "desnecessária condução coercitiva" do ex-presidente. No sábado (5), a presidente viajou a São Bernardo do Campo (SP) para prestar apoio pessoalmente ao padrinho político.
“O presidente Lula, justiça seja feita, nunca se julgou melhor do que ninguém, sempre aceitou, convidado para prestar depoimento sempre foi. Então, não tem o menor sentido conduzi-lo sob vara para prestar depoimento se ele jamais se recusou a ir”, reclamou Dilma nesta segunda-feira durante a cerimônia de entrega de 320 unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida.
Em seu discurso nesta segunda, Dilma também criticou o fato de investigadores que integram a força-tarefa da Lava Jato terem justificado o pedido de condução coercitiva de Lula como uma maneira de evitar que, com depoimento marcado, houvesse confronto entre manifestantes favoráveis e contrários ao ex-presidente.
"Nem cabe alegar que estavam protegendo ele [Lula]. Como disse um juiz, era necessário saber se ele queria ser protegido, porque tem certo tipo de proteção que é muito estranha”, ironizou Dilma.
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“No Brasil, temos assistido a vazamentos sistemáticos e esses vazamentos provam, a partir de um determinado momento, que não são verdadeiros, mas o estrago de jogar lama nos outros já ocorreu”, enfatizou.
Vazamentos

Logo após reclamar da ação da Lava Jato envolvendo Lula, a presidente da República voltou a criticar o que ela chamou de “vazamentos sistemáticos” de informações.
Na semana passada, Dilma já havia criticado o vazamento do conteúdo da delação premiada do ex-líder do governo no Senado Delcídio do Amaral (PT-MS), publicado na quinta-feira (3) pela revista "IstoÉ". De acordo com a reportagem, Delcídio disse aos procuradores da República que Dilma teria atuado para tentar obstruir as investigações da Lava Jato.
'Sistemática crise política'
A presidente também destacou no evento do Rio Grande do Sul que, "sem sombra de dúvida", o país enfrenta um momento de dificuldades na economia.
Dirigindo-se genericamente à oposição, ela disse que parte dessas dificuldades se deve àqueles que, “inconformados” com a derrota nas urnas, querem antecipar as eleições de 2018, provocando uma “sistemática crise política”.
“A oposição tem absoluto direito de divergir, mas não pode, sistematicamente, ficar dividindo o país. Não pode. Sabem por quê? Porque tem certo tipo de luta política que cria um problema sistemático não só para a política, mas também para a economia e afeta a criação de emprego, o crescimento das empresas e ninguém fica satisfeito quando começa aquela briga.”
Em diversos momentos do discurso, Dilma foi interrompida por aplausos de apoiadores que lotaram a estrutura montada ao lado dos condomínios do Minha Casa, Minha Vida. Em alguns trechos do pronunciamento, parte dos convidados do evento gritou “não vai ter golpe” e “Dilma guerreira”.
Vírus da zika
A presidente aproveitou o contato com o público no evento de entrega das moradias do Minha Casa, Minha Vida para pedir engajamento da população no combate aos focos de reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor dos vírus da zika (associado aos casos de microcefalia em bebês), da dengue e da febre chikungunya.
Dilma também voltou a dizer que, enquanto não há vacina contra o vírus da zika, as famílias precisam se dedicar semanalmente a erradicar os criadouros do inseto, como pneus velhos, vasos de planta e bueiros
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