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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Fora da cidade, Indubrasil é esquecido e não tem nem sistema de esgoto

O bairro que abriga muitos trabalhadores do setor industrial parece um distrito parado no tempo, em Campo Grande


Obra de Ceinf abandonada no bairro (foto: Geovanni Gomes)Fora da cidade, Indubrasil é esquecido e não tem nem sistema de esgoto
Obra de Ceinf abandonada no bairro (foto: Geovanni Gomes)
O Indubrasil, o bairro que se originou em volta do distrito industrial de Campo Grande, parece um distrito que ficou parado no tempo. Diferente do resto da cidade, da qual está física e administrativamente distante, o bairro tem ares de interior. O problema ali, no entanto, é que foi esquecido pela administração municipal.

“Aqui é o fim do mundo, você pode ter certeza”, falava o mecânico Aparecido Alexandre, de 40 anos, enquanto trabalha na estrutura de uma motocicleta. “Não tem nada aqui. Não tem segurança, as ruas são bagunçadas. Os vereadores mesmo nunca vêm aqui. Com certeza é esquecido pela administração.

          Trabalhadores da indústria caminham no bairro (foto: Geovanni Gomes)

Em outra parte do bairro, ruas de terra, pastos e uma obra de Ceinf (Centro de educação infantil) abandonada mostram que ainda dá pra piorar. O parquinho das crianças está abandonado e tomado pelo mato há 12 anos. O batalhão da polícia militar não tem nem viaturas e só tem um soldado. Iluminação pública, rede de esgoto e limpeza pública também são lendas esquecidas há anos no InduBrasil.

“Não mudou muita coisa por aqui não”, conta Lenira Alves, de 68 anos, que mora há 15 no local. Lenira não quis reclamar das condições, mas pra ela, a saúde pede socorro. “Aqui falta posto de saúde, tem gente que vai até pra Terenos”, contando ela, de pessoas que vão ao município vizinho ao invés de poderem contar com a saúde da capital.

Nicácio José de Abreu, 68, marido de Lenira carrega uma revolta com o esquecimento pelo qual passa o bairro. “Aqui só existe vereador e prefeito em eleições, são todos safados. A saúde aqui, desde que entrou o Olarte, nunca mais teve médico. Fico revoltado com esses nossos políticos”.

           Nicácio mostra a rua onde não há iluminação (foto: Geovanni Gomes)


O aposentado mostrou a conta de luz, e afirmou que mais de dez famílias pagam por uma iluminação pública inexistente. “Estou denunciando. Aqui não tem nem esgoto, cada morador tem sua fossa, não tem viatura da polícia e há 30 anos pedimos iluminação”, reclamou.

O presidente da Associação de moradores do local é Ademir Bueno, 65. Instrutor da escolinha de futebol, - um dos únicos projetos que atendem crianças sem lazer no Indubrasil -, contou que os moradores usam dos próprios recursos para realizarem a limpeza das ruas. Ele mesmo é quem compra bola de futebol e mantém o campinho no qual treinam as crianças. Só no time dos meninos, são 60 crianças.

“Esgoto nunca teve e nunca vai ter. Muitos anos que tenho feito reivindicação da luz. Na época do Nelsinho vieram, mediram e nada foi feito. Esse batalhão tem um projeto pra reforma, porque fica só um policial aqui, que não pode nem deixar o posto”, contou.

Ademir mostrou a sede da Associação. Um dos poucos lugares para encontros coletivos, ele ria, dizendo que ali são realizados aniversários, casamentos e velórios. “As vezes um fica meio assim de fazer alguma coisa aqui né, porque pessoas são veladas”, riu ele.

    Na associação, acontece desde casamentos até velórios (foto: Geovanni Gomes)

Ademir já encaminhou diversos ofícios aos prefeitos durante esses anos, além de encaminhar aos vereadores. De acordo com ele, o último foi entregue a vereadora Luiza Ribeiro (PPS), que segundo ele, prometeu ir ao bairro no início da semana.

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