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sexta-feira, 22 de julho de 2016

Superlotação na Máxima pode causar colapso do sistema penitenciário

Penitenciária tem quadro de detentos 4 vezes maior que capacidade; em MS, há mais de 11 mil mandados em aberto


Estratégias ineficazes e falta de investimento público no Sistema Prisional de Mato Grosso do Sul têm agravado um problema antigo que, mesmo com pontuais tentativas de se resolver questões mais urgentes, ainda não foi solucionado: a superlotação nas penitenciárias.

A situação pode ser observada no Presídio de Segurança Máxima da Capital. Cobrando o Governo do Estado, a Defensoria Publica entrou com uma Ação Civil Pública para que sejam criadas novas vagas para colocar os presos que excedem a capacidade máxima da unidade.

O presídio, que leva o nome de Jair Ferreira de Carvalho, ultrapassa quase quatro vezes a sua capacidade. A unidade penal, que tem condições de comportar 642 internos, atende atualmente mais de 2,3 mil presos, com um número de 11 plantonistas, quando, segundo o que determina Organização Internacional e Nacional do Trabalho e o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária, o ideal deveria ser 400 servidores por plantão.

A Defensoria ainda solicitou um pedido de tutela de urgência para que seja permitida a entrada de um preso para cada dois que saírem até que seja ajustada a capacidade do local.

Interdição da unidade

O juiz titular da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, David de Oliveira Gomes, indeferiu a liminar que solicitava a interdição parcial da Máxima, com uma justificativa que gerou grande polêmica. O juiz alegou que “não se pode resolver um problema criando outro”. De acordo com o magistrado, em Mato Grosso do Sul existem quase 11,7 mil pessoas que tem mandado de prisão em aberto.

“É lamentável este tipo de argumento já que o papel do judiciário é fazer cumprir a lei, independente das circunstâncias. A Lei de Execuções Penais prevê que o detento seja mantido em celas com pelo menos seis metros quadrados para cada preso, e que o Estado é responsável por oferecer condições adequadas para a ressocialização do interno, o que inclui estrutura física adequada”, diz o presidente do Sindicato dos Servidores da Administração Penitenciária do Estado (Sinsap), André Luiz Santiago.

Foto: Deivid Correia/Arquivo TopMídiaNews

Caos em MS
Com intuito de minimizar o quadro de superlotação nos presídios do Estado, estão sendo investidos mais de R$ 52 milhões em recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Justiça, com contrapartida do Governo do Estado, para a construção de três novos presídios do Complexo da Gameleira, para gerar 1.613 novas vagas no sistema. Contudo, esse investimento não contemplaria o ‘gargalo’ no sistema, devido à quantidade de mandados em aberto.

Deste montante já foram investidos mais de R$ 37 milhões no projeto que iniciou em 2014 e que está paralisado devido entraves técnicos. As obras, que estavam previstas para serem inauguradas em dezembro deste ano, estão adiadas sem data de inauguração.

Em abril, foi iniciado o processo de contratação de 438 servidores. Segundo o Secretário Estadual de Justiça e Segurança Pública, José Carlos Barbosa, os novos agentes já estariam em efetivo exercício da função em dezembro deste ano. No entanto a segunda etapa do total de cinco fases está prevista para acontecer apenas no fim do mês de julho.

“Considerando que são cinco etapas de avaliação mais o curso de formação e levando em conta o intervalo entre uma etapa e outra, com um espaço de aproximadamente um mês, tudo indica que o prazo estipulado pelo governo não será cumprido. Entretanto, se o processo for acelerado e o intervalo entre as etapas forem diminuídos, é possível que em dezembro tenhamos novos agentes nos presídios do Estado, para isso é necessário o empenho do governo”, destaca o vice-presidente do Sinsap, Lourival Mota.

Ainda seguindo esta vertente, o Sinsap indaga a postura da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) que, com o auxílio da Agência Estadual de Administração Penitenciaria de Mato Grosso do Sul (Agepen), criou um plano estratégico para resolver o problema da custódia de presos nas delegacias do Estado, transferindo-os para os presídios de Mato Grosso do Sul. O Sistema já recebeu 900 presos e outros 900 permanecem nas delegacias aguardando a transferência.

“Apesar de considerarmos legitimo o pleito dos Policiais Civis, já que não possuem o dever legal de realizarem a custódia permanente de presos, esta medida tomada causa grande preocupação aos servidores penitenciários, considerando que o sistema já vem operando com um quantitativo que ultrapassa sua capacidade real, em que além da superlotação os servidores trabalham superando sua capacidade humana e colocando sua vida em risco sem nenhuma segurança”, ressalta André Luiz.

O presidente destacou ainda que em nenhum momento a categoria foi chamada para discutir esta problemática que envolve diretamente os servidores que lidam com o reflexo destas transferências. “Essa realidade só reforça que a solução para este gravíssimo problema que afeta a segurança pública, seguramente não será obtida ouvindo apenas um dos segmentos envolvidos na questão, já que os agentes penitenciários que sofreram com o impacto que esta decisão irá ocasionar, como por exemplo, aumento de fugas, grandes apreensões de drogas, celulares e outros objetivos ilícitos. Considerando a gravidade do problema e os impactos que ele ocasiona, acreditamos que é extremamente importante a participação efetiva do Sindicato que representa os servidores neste processo”, conclui.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Em 80% das delegacias do Estado, policiais estão sobrecarregados por acúmulo de funções


Paulo Queiroz vice presidente da Sinpol-MS e Giancarlo Miranda presidente do Sinpol-MS/Foto: wanderson LaraPaulo Queiroz vice presidente da Sinpol-MS e Giancarlo Miranda presidente do Sinpol-MS/Foto: wanderson Lara
Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira (23), o presidente do Sinpol-MS (Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul) Giancarlo Miranda e o vice presidente Paulo Queiroz disseram considerar irresponsável por parte do governo do Estado, o acúmulo e desvio de funções dos policiais civis do Estado.
A reivindicação do sindicato sobre a custódia de presos já acontecem á muitos anos, segundo Giancarlo eles só estão pedindo para fazer o que lhes foi confiado, ou seja, trabalhar como Policiais Civis, “não é serviço do Policial Civil a custódia de presos, nunca foi, nós prestamos concurso para policias civis e não para agentes penitenciários, o local para custódia de presos é cadeia pública é presídio, e quem custodia são os agentes”, explica o presidente do sindicato.
Giancarlo disse ainda que essa situação se dá ao desvio de função e ao fato de não existir cadeias públicas e penitenciárias suficiente para demanda de presos, e que isso gera uma reação em cadeia, “policiais que deveria estar nas ruas trabalhando para resolução de crimes, estão em delegacias custodiando presos, função que nós não fizemos concurso e nem fomos treinado, nós não recebemos treinamento para custódia de presos”.
O número de presos em delegacias no estado chega em 900 quando o número deveria ser no máximo 200 no total, as celas são provisórias, porém existem presos condenados nas delegacias, Giancarlo disse que precisam de parceiros para que a mudança aconteça antes que policiais morram trabalhando em uma função que não é a dele “dia 12 de dezembro nós faremos uma assembleia na sede do sindicato onde os assuntos principais será o acúmulo de presos nas delegacias, porque se o executivo e judiciário não tomarem uma atitude e caminharem juntos com os policiais civis no sentido de retirarem esses presos, nos vamos ter que tomar uma atitude mais radical, existe a possibilidade inclusive da entrega da chave das delegacias”. Conclui Giancarlo.
Denúncia
Mato Grosso do Sul tem 49 delegacias com celas, algumas cidades tem duas unidades com capacidade para custódia, 79 municípios e, portanto, não há celas em todas as cidades e por isso muitos estão em cidades próximas. O que também gera outro desvio de função: a escolta de presos.
Das 49 delegacias, 29 estão com ocupação entre 12,50% a 450% excedente em sua capacidade de lotação. Destacam-se as DP de: Iguatemi, Nova Alvorada do Sul, Ivinhema, Chapadão do Sul e 1ª DP de Ponta Porã.
Iguatemi – está com 44 presos com capacidade para 8.
Nova Alvorada do Sul – está com 36 presos,com capacidade para  8.
Ivinhema – está com 31, com capacidade para 8.
Chapadão do Sul – está com 25, com capacidade para 8.
 1º DP de Ponta Porã – está com 23, com capacidade para 8.
1º DP de Ponta Porã – está com 23, com capacidade para 8.
Vídeo mostra estado de algumas delegacias no estado. Clique aqui: 
Confira a coletiva: