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terça-feira, 2 de agosto de 2016

PIADA DO DIA: RETRATO DA HONESTIDADE , Paulo Siufi pede urgência para novo processo de cassação de Bernal

Em nova investigação, vereadores avaliam pedido de afastamento de Bernal

Paulo Siufi pediu ao presidente da Câmara para acelerar a votação do pedido



Foto: Dany Nascimento

Foto: Dany Nascimento
Revoltado com a administração do prefeito Alcides Bernal (PP), o vereador Paulo Siufi (PMDB) pediu ao presidente da Câmara Municipal, vereador João (PSDB), que colocasse em votação, em regime de urgência, um pedido de afastamento do Chefe do Executivo, que foi  protocolado por um cidadão, cujo nome não foi divulgado.

O peemedebista afirmou que Bernal deve voltar para os microfones das rádios, já que possui uma voz aveludada e destacou que encaminhou um veto do prefeito para o livro dos Guinness Book of Records.

"Esse Alcides Peralta tem que voltar para as rádios com a voz aveludada que possui. Peço presidente que o pedido de afastamento dele seja votado hoje, se possível em caráter de urgência, porque nem Corpo de Bombeiros consegue apagar o incêndio Alcides Bernal. Eu mandei o veto dele ao projeto de reajuste dos servidores para o Guinness Book porque ele mesmo vetou o projeto que encaminhou para a Câmara", disse o parlamentar.

Siufi ressalta que o pepista conseguiu afastar pessoas que eram ligadas ao seu grupo político por ter mania de perseguição e afirma ainda que ouviu reclamações do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) em relação a Bernal. "Ele tem medo até da própria sombra, ele conseguiu afastar dele o vereador Chocolate, Jaqueline Hildebrand, pessoas que eram ligadas a ele. A cidade está afundada, os buracos estão abrindo. Nem o governador consegue ajudar Campo Grande. Eu ouvi isso do governador, que ele não consegue ajudar Campo Grande".

Concordando com as afirmações de Siufi, o vereador Carlão (PSB) disse que o prefeito conseguiu 'assassinar' a Capital. "Ele conseguiu algo que parecia impossível, conseguiu assassinar Campo Grande. Você caminha pelos bairros e se depara com milhares de obras paradas, mas ele nem sabe do que eu estou falando porque ele conhece a Capital dos estúdios de rádio".

Diante do pedido de votação, João Rocha alegou que o pedido não poderia entrar em votação, já que foi encaminhado para a Procuradoria Jurídica da Casa. "Entrou no protocolo, já encaminhei para a Procuradoria Jurídica que vai dar parecer técnico, seguindo religiosamente o que estabelece a lei orgânica e o regimento da Casa. Temos que aguardar um parecer da Procuradoria, ver o embasamento para tomar atitude que legislação estabelece".

Questionado sobre o prazo para a Procuradoria responder a solicitação de afastamento de Bernal, o tucano destaca que não existe prazo. "Essa semana não teremos em votação, tem que analisar. É possível acontecer, desde que esteja dentro do cumprimento dos prazos que legislação estabelece, com amparo e sustentação. É direito do cidadão entrar com processo na Casa, que é analisado. Despachei para a Procuradoria. Não existe um prazo estabelecido, mas pedimos celeridade desde que não cause precipitação no principio de fazer coisa no afogadilho, para depois não ter que voltar atrás. Da mesma forma como fizemos com a cassação, que foi legítima".

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Genro de Siufi é denunciado por suposta venda de leitos do SUS no HC

Inquérito apura se médico e funcionária cobravam irregularmente para realizar cirurgias e internações de pacientes com câncer no hospital


O Ministério Público Estadual (MPE) instaurou inquérito civil para apurar eventuais irregularidades praticadas, em tese, por funcionários e médicos do Hospital do Câncer Alfredo Abrão, em Campo Grande.

A intenção é esclarecer se houve pagamento irregular ao médico Fabrício Colacino Silva pela prestação de serviços a seis pacientes, por parte do hospital ou pelo SUS (Serviço Único de Saúde). O oncologista é casado com Rafaela Moraes Siufi Silva, filha do médico Adalberto Siufi, que é o principal alvo da Operação Sangue Frio, da Polícia Federal.

Denúncias apontam que notas fiscais teriam sido subfaturadas, apontando possível prejuízo ao hospital. Conforme apurado, não houve pagamento do médico ao hospital após procedimentos, nem gerada nota fiscal dos serviços hospitalares. A funcionária responsável pelo setor de faturamento teria deixado de cobrar os pacientes através de notas legais, sendo que o próprio médico teria recebido parte dos valores diretamente dos familiares.

Em um dos casos, ocorrido em 2014, a filha de um paciente narra que o seu pai teria sido internado no hospital e, dois dias depois, transferido para um quarto isolado, mediante o pagamento de R$ 8 mil, informado pela chefe do setor de faturamento do hospital, Lana Machado. Alguns dias após a internação, o paciente faleceu e sua filha procurou a chefe de enfermagem para realizar os acertos financeiros, quando foi informada que não havia nenhum valor a ser pago, já que ele teria sido internado pelo SUS.

Posteriormente, a chefe de faturamento teria telefonado para a filha do paciente solicitando seu comparecimento no hospital para realizar o pagamento. Confusa, a mulher citou que havia sido comunicada que não precisaria realizar o acerto, quando a funcionária teria respondido que a informação estava equivocada e foi dita por ‘pessoas não entendiam da administração do hospital e saiam falando bobagens’.

O MPE apurou duas situações distintas, uma delas o fato relacionado à cobrança realizada por Lana, antes da internação e depois do falecimento; e outro fato relacionado ao procedimento cirúrgico realizado pelo médico oncologista, ocorrido cerca de dois meses antes. Para a cirurgia, foi realizado o pagamento dos R$ 8 mil à Blue Med Serviços, com cheque nominal a Fabrício, que é sócio administrador da empresa.

O desfecho do primeiro caso se deu após a confissão da funcionária, que disse ter se apossado de R$ 3.828,04 pagos pela filha do paciente, em cheque nominal ao Hospital de Câncer Alfredo Abrão. A funcionária foi demitida e foi aberto um Inquérito Policial sobre o caso, mas o Ministério Público passou a apurar o funcionamento do sistema de cobranças do hospital, já que havia indícios de não ter sido um caso isolado.

Notas irregulares
A investigação logo apontou que havia uma série de notas fiscais canceladas e não reemitidas no período de abril de 2013 a julho de 2015 pelo hospital. Foram então solicitadas ao diretor da unidade, Carlos Coimbra, informações acerca da realização de auditoria interna para apuração das irregularidades e, à 1ª Delegacia de Polícia Civil, informações sobre o andamento do inquérito que apontava o hospital como vítima de furto qualificado.

Conforme a diretoria do hospital, levantamentos feitos no setor de faturamento e financeiro constataram que não foi emitida nota fiscal da cirurgia realizada pelo médico. Além disso, os honorários pagos ao Servan, serviço de anestesiologia, teriam sido pagos através de cheques pessoais no nome de Fabrício.

Baseado no valor que foi pago ao Servan, R$ 684, o valor dos honorários médicos seria de aproximadamente R$ 1,7 mil e o restante seria pertencente ao hospital para custear as despesas da cirurgia. Pelo fato do médico ter recebido diretamente do paciente o valor de R$ 8 mil, caberia a ele pagar o hospital de suas despesas hospitalares com a internação e cirurgia no particular, o que não ocorreu.

Outros casos
Foi identificado um caso similar em 2013, em que a filha de outro paciente solicitava explicações ao hospital. Na época, como denuncia a mulher, Fabrício disse que o homem precisava realizar uma cirurgia com urgência, mas que no hospital demoraria muito e que, no particular, seria mais rápida e custaria R$ 9 mil. No valor, pago diretamente ao médico, estariam inclusos os honorários dos profissionais e as despesas hospitalares.

O hospital também alega que não recebeu pelo procedimento, não foi gerada nota fiscal dos serviços hospitalares e a responsável pelo setor de faturamento novamente deixou de cobrar o paciente, já que o próprio médico que recebeu dos familiares. O pagamento ao Servan também foi, irregularmente, pago sob o nome de Fabrício.

Além deste, mais quatro familiares de pacientes registraram situação parecida, ocorridas entre 2013 e 2014. Curiosamente, algumas notas fiscais chegaram a ser emitidas ao final de 2014, mas com valores bem abaixo do cobrado pelo médico.

O MPE busca esclarecer se houve pagamento por parte do Hospital de Câncer ao médico pela prestação de serviços e se houve comunicação de internação e realização dos procedimentos para controle por parte da instituição. Para tanto, pede que sejam fornecidas informações completas com a data de internação, alta, valor da emissão da nota fiscal e o valor que deveria ter sido cobrado. A empresa Blue Med e a Polícia Federal também devem dar maiores detalhes sobre os casos.