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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Coffee Break: juiz acusa defesa de agir de má-fé

O juiz David de Oliveira Gomes Filho, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, ampliou o prazo para que as 24 pessoas denunciadas em um dos desdobramentos da operação Coffee Break apresentem defesa. No entanto, ele negou as solicitações do empreiteiro João Amorim e da Proteco Construções Ltda para que o MPE (Ministério Público Estadual) transcreva todos os áudios obtidos durante a investigação.
A decisão foi publicada na semana, em ação que o MPE solicita a devolução de R$ 25 milhões dos denunciados por supostos danos ao erário público em esquema que teria sido usado para cassar o prefeito Alcides Bernal (PP). O órgão também solicitou que os acusados sejam incluídos no Cadastro Nacional de Condenados por Improbidade Administrativa do Conselho Nacional de Justiça.
João Amorim e a Proteco argumentaram que várias mídias digitais citadas no relatório da Operação Coffee Break foram anexadas em vídeos e áudios sem as respectivas transcrições ou digitalizações, atrapalhando o trabalho da defesa. Por consequência, eles solicitam que os documentos sejam transcritos e, em razão disso, a Justiça conceda mais 30 dias ou interrompa o prazo para a defesa apresentar sua resposta já que são 397 páginas na petição inicial e mais 6.918 documentos para serem analisados.
O juiz então informou que “aparentemente, todos os documentos que compõem o processo investigatório estão no processo e os arquivos de áudio e vídeo estão no cartório à disposição das partes” e negou que sejam transcritos todas as mídias resultantes das apreensões de aparelhos celulares e de escutas telefônicas. Apesar disso, atendeu ao pedido em parte, ampliando o prazo de defesa em mais 15 dias, sendo que os denunciados que já se pronunciaram ainda podem complementar as respostas durante o período.
David ainda dá um recado para os advogados de Amorim e da Proteco, ressaltando que o pedido “configura indiscutível ato de abuso de defesa e deflagrante má-fé processual”, pois 90% deste tipo de material “se tratam de conversas domésticas, ou entre amigos ou sobre assuntos que nada interessam ao objeto da investigação”. Sendo assim, novas solicitações do gênero serão vistas como uma tentativa de atrasar o processo e podem ser punidas.
A exceção será para eventuais trechos que compõem as provas do processo, mas tudo com a devida argumentação. “Imaginando-se a hipótese de que no celular de alguém tivesse uma coleção de músicas ou fotos do aniversário do filho do investigado, seria obrigatório que os peritos transcrevessem todas as letras das músicas e digitalizassem todas as fotografias do investigado! Isto seria um absurdo!”, enfatiza o juiz.
Investigados
Juntamente com Amorim e a Proteco, respondem à ação o ex-governador André Puccinelli, o prefeito afastado Gilmar Antunes Olarte (PROS), o ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB), o procurador da Câmara Municipal André Scaff, os empresários João Baird, Fabio Machinski, Carlos Naegele, Luiz Pedro Guimarães e Raimundo Nonato
Ainda estão na lista o ex-presidente da Câmara Municipal, vereador Mario Cesar (PMDB), Flavio Cesar (PSDB), Eduardo Romero (Rede), Gilmar da Cruz (PRB), Otávio Trad (PTB), Paulo Siufi (PMDB), Airton Saraiva (DEM), Jamal Salem (PR), Waldecy Chocolate (PTB), João Rocha (PSDB), Edson Shimabukuro (PTB), Edil Albuquerque (PTB), Carlão Borges (PSB), e o ex-vereador Alceu Bueno.
Por fim, o pedido de ressarcimento de R$ 25 milhões se estende para as empresas Itel informática, pertencente a João Baird, a LD Construções e também a CG Solurb Soluções Ambientais, de Luciano Dolzan.

terça-feira, 22 de março de 2016

Investigação prossegue e fim da Coffee Break deve trazer surpresa

Paulo Yafusso

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Relatório da Coffee Break está sendo analisada pela assessoria do procurador-geral de Justiça, Humberto de Matos Brittes (Foto: Arquivo)Relatório da Coffee Break está sendo analisada pela assessoria do procurador-geral de Justiça, Humberto de Matos Brittes (Foto: Arquivo)


Até a primeira quinzena de abril o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e a PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça) oferecem denúncia contra alguns dos investigados na Operação Coffee Break, iniciado no dia 25 de agosto do ano passado. As ações foram desencadeadas com o objetivo de apurar suposto esquema de compra de vereadores para a cassação do prefeito Alcides Bernal em 2014. Entre os alvos estão políticos e empresários.

No início de dezembro do ano passado, ao anunciar a conclusão do relatório preliminar da Coffee Break, o coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Marcos Alex Vera de Oliveira, assegurou ter elementos suficientes para denunciar 13 pessoas pelo envolvimento na cassação de Bernal em março de 2014.
Campo Grande News apurou que, após a entrega deste relatório, as investigações prosseguiram. Foram requisitados mais documentos e realizadas novas perícias, inclusive de celulares de outros vereadores. Na primeira fase da investigação, 17 celulares de vereadores e empresários foram apreendidos e levados para serem periciados pelo Instituto de Criminalística.
Foram realizadas perícias contábeis e em contratos apreendidos. Ainda de acordo com o que foi apurado, alguns que num primeiro momento apareciam como prováveis denunciados deixaram de figurar como tal, e outros passaram a fazer parte dos potenciais suspeitos após as novas diligências e provas coletadas. A denúncia será assinada pelo Gaeco e pela PGJ.
A Operação foi chamada de Coffee Break, porque nas escutas telefônicas feitas com autorização da justiça, alguns alvos se referiam ao pagamento de propina como “cafezinho”. Esses pagamentos eram feitos a vereadores e outras pessoas envolvidos no esquema. O relatório final entregue no último dia 11 ao procurador-geral de Justiça, Humberto de Mattos Brites, está sendo analisado por promotores que fazem parte da equipe da assessoria especial do PGJ. Após essa análise é que serão definidos quem serão os denunciados, e o inquérito remetido ao Judiciário.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Investigação da Coffee Break será concluída até abril, diz chefe do MPE

Mais provas podem ser acrescentadas na investigação, segundo Humberto Brittes

Humberto Brittes, procurador-geral do MPE-MS. À direita, o coordenador do Gaeco, Marcos Alex. (Foto: Arquivo)
Mayara Bueno e Leonardo Rocha
“Esse relatório é apenas uma formalidade, um norteamento para que possamos adicionar novos fatos à investigação”

No fim de março até, no máximo, a primeira quinzena de abril, as investigações da Coffee Break serão concluídas, afirmou, nesta quarta-feira (24), o procurador-geral do MPE (Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul), Humberto Brittes. Ele foi à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul nesta manhã para apresentar um projeto para eleição de procurador do Ministério Público.

A operação investiga se houve esquema de compra de votos na cassação do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), pela Câmara Municipal, em março de 2014. No fim do ano passado, o coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Marcos Alex Vera, que conduz a apuração, entregou o relatório com as informações.
Segundo Brittes, a fase atual é de análise deste documento final. Neste período, acrescenta, mais pessoas podem ser ouvidas.
“Esse relatório é apenas uma formalidade, um norteamento para que possamos adicionar novos fatos à investigação”, disse. Depois disso, o MPE tem duas opções: entregar denúncia ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) ou arquivar as investigações, caso entenda não ter provas suficientes.
Questionado se a investigação pode decidir tirar algum fato ou elemento da apuração, o procurador afirmou que a tendência é que novos fatos e mais provas sejam acrescentadas, não o contrário.
Sobre a Operação Lama Asfáltica, que apura desvio de dinheiro em obras do Estado, Humberto Brittes afirmou que a investigação está “em pleno andamento” e não tem previsão de conclusão. “Os promotores são independentes para conduzir as investigações”, disse.
Ele prometeu que, assim como a Operação Lava Jato, que ocorre em âmbito nacional e já resultou até em prisões, ambas as investigações no âmbito do Estado e Campo Grande terão resultados, “de acordo com as ações e provas coletadas”.
Operações - Tanto a Coffee Break quanto a força-tarefa do MPE nasceram do compartilhamento de provas da operação Lama Asfáltica, realizada em 9 de julho pela PF (Polícia Federal). O alvo foi desvio de dinheiro em obras com recurso federal, o esquema envolvia empreiteiros, servidores e a cúpula da ex-gestão estadual.
Já a operação Coffee Break foi deflagrada em 25 de agosto e resultou, de imediato, no afastamento do então prefeito de Campo Grande,Gilmar Olarte (PP), e do presidente da Câmara Municipal, vereador Mario Cesar (PMDB). A operação, que ainda deteve empresários e vereadores, surgiu após a imprensa divulgar gravações da ação da Polícia Federal. Lá, a senha para a propina seria a expressão “tomar um cafezinho”.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

MPE cede dois promotores para auxiliar Operação Coffee Break

Thalys Franklyn de Souza e Tiago Di Giulio Freire terão prejuízo das funções, mas continuam em força-tarefa da Lama Asfáltica

O MPE (Ministério público Estadual) publicou nesta terça-feira (12) a cedência dos Promotores de Justiça Thalys Franklyn de Souza e Tiago Di Giulio Freire para auxiliar o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) nas investigações da Operação Coffee Break.

De acordo com a portaria, eles foram agregados ao gabinete da PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça) com prejuízo de suas funções, a partir de 7 de janeiro, quando acabou o recesso do Judiciário e as investigações foram retomadas pelo Gaeco. A transferência é por tempo indeterminado.

Apesar do acúmulo de função, eles continuam participando da força-tarefa da 29ª Promotoria de Justiça de Campo Grande, que analisa os desdobramentos da Operação Lama Asfáltica, deflagrada pela Polícia Federal para investigar possível esquema de corrupção para direcionar licitações e fraudar medições de obras realizadas com recursos da União.

Thalys e Tiago foram convocados para auxiliar a Coffee Break após confusão envolvendo o chefe do Gaeco, promotor Marcos Alex Vera. Depois de suposta briga com o procurador-geral de Justiça, Humberto Brittes, que teria ficado descontente com relatório final das investigações inconclusivo, ele pediu o desligamento da instituição.

No entanto, dias depois, Marcos Alex afirmou em nota divulgada à imprensa que por "falhas de comunicação" ocorreram divergências internas, mas que o problema foi resolvido. Assim a PGJ revogou suas férias e determinou a realização de novas diligências para garantir um relatório mais consistente.

Também participam das investigações os promotores Marcos Roberto Dietz, Emy Louise Souza de Almeida e Claudia Loureiro Ocariz Almirão.

Prévia
Até o momento, são considerados suspeitos de associação criminosa o ex-governador André Puccinelli (PMDB), os ex-prefeitos Nelsinho Trad (PTB) e Gilmar Olarte (PP por liminar), os empresários Carlos Eduardo Naegele (Jornal Midiamax), João Amorim (Proteco Construções) e João Baird (Itel Informática); Fábio Portela (IMTI), Luiz Pedro Guimarães e Raimundo Nonato; além dos vereadores Mario Cesar (PMDB), Airton Saraiva (DEM) e Flávio César (PT do B).

Por formar um grupo criminoso que dialogava pessoalmente com os vereadores para conseguir votos no dia da cassação, o Gaeco solicitou o indiciamento por corrupção ativa de Gilmar Olarte, Mario Cesar, Flávio César, João Amorim, João Baird, Ayrton Saraiva e Fábio Portela.


Já os vereadores Paulo Siufi, Edil Albuquerque, Edson Shimabokuro, Eduardo Romero (Rede), Jamal Salém, Gilmar da Cruz (PRB), Chocolate (PTB), Carlão (PSB), João Rocha (PSDB) e o ex-vereador Alceu Bueno, teriam que responder por corrupção passiva.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Resultado da Comissão de Ética depende de relatório final do Gaeco

Comissão analisa votação de nove vereadores

A análise sobre os motivos que levaram nove vereadores a votarem pela cassação do prefeito Alcides Bernal (PP) que é feita pela Comissão de Ética da Câmara depende da entrega do relatório final do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) ao relator, vereador Ayrton Araújo (PT).

O parlamentar negou nesta quinta-feira (16) ter dito que o relatório vai arquivar as denúncias contra os vereadores e que eles devam ser inocentados. “Devo ter sido mal interpretado, mas ainda não há nada decidido. Como posso avaliar a participação deles ou não se não tenho, por exemplo, a movimentação bancária deles? Esperamos esses e outros dados do Ministério Público para concluir o relatório”, afirmou.
Marcos Alex (PT), presidente da Comissão, negou que os trabalhos estejam concluídos. “Temos 80% do relatório pronto, com depoimento dos vereadores, mas precisamos do relatório para tomar uma decisão. Ele pode nos trazer novas provas, documentos que não temos”.
O relator afirmou que os vereadores podem trabalhar no recesso para concluir o relatório, ou deixá-lo para o ano que vem. “Terça-feira podemos ter um resultado ou outro, ou se os documentos chegarem antes podemos decidir antes ou depois. Depende do Gaeco”, esquivou-se.
 Foram conduzidos ao Gaeco oito vereadores: Mário César (PMDB), Edil Afonso Albuquerque (PMDB), José Airton Saraiva (DEM), Waldecy Batista Nunes, o Chocolate (PP), Gilmar Neri de Souza (PRB), Carlos Augusto Borges (PSB), Edson kiyoshi Shimabukuro (PTB) e Paulo Siufi Neto (PMDB).
Além deles também foram encaminhados para prestarem depoimento, o vereador Jamal Mohamed Salém, o ex-vereador José Alceu Padilha Bueno e os empresários João Alberto Krampe Amorim dos Santos, João Roberto Baird e Fábio Portela.
O desembargador determinou ainda que fossem aprendidos aparelhos celulares dos 13, do prefeito e também dos vereadores Eduardo Pereira Romero (PT do B), Flávio César Mendes de Oliveira (PT do B) e Otávio Augusto Trad Martins (PT do B).

Carlinhos Pereira ocupa tribuna na próxima terça-feira para denunciar “manobra" na Coffee Break

Fabíola Camilo e Taciane Peres


Carlinhos Pereira/ Foto: Reprodução FacebookCarlinhos Pereira/ Foto: Reprodução Facebook

    Ficou decido durante a sessão na manhã desta quinta-feira (17) na Câmara Municipal de Campo Grande que o jornalista Carlinhos Pereira vai fazer uso da tribuna para denunciar a suposta manobra da Coffe Break.
    Em entrevista ao MS Notícias nesta segunda-feira (14) o jornalista e ex-funcionário comissionado do prefeito Alcides Berna (PP) denuncio um suposto esquema envolvendo Bernal e o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), em que eles teriam “arquitetado” a Operação Coffe Break.
    Após entrevista e divulgação dos áudios onde o jornalista explica detalhadamente como aconteceu à fraude da operação, vereadores começaram a cobrar providências do Ministério Público Estadual (MPE).
    O vereador Paulo Siuffi (PMDB) chegou a pedir para a Comissão de ética da Câmara que abrisse um processo para investigar o vereador Cazuza (PP) que em um dos áudios é citado como cúmplice de Bernal.
    Portanto no final da sessão desta manhã (17) Siuffi informou que Carlinhos estará presente na Câmara Municipal na próxima terça-feira (22) para denunciar publicamente as supostas manobras arquitetadas por Bernal na Operação Coffe Break.

    sábado, 12 de dezembro de 2015

    Jamal aponta três fontes para justificar movimentação de R$ 6,8 milhões



    Jamal critica Gaeco por ter se preocupado mais em condenar do que investigar (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)
    O ex-secretário municipal de Saúde e vereador Jamal Salem (PR) informou que tem outras três fontes de renda para justificar a movimentação “extra” de R$ 6,9 milhões, que não foram incluídos na declaração do Imposto de Renda. Conforme o relatório da Operação Coffee Break, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), o parlamentar declarou R$ 1,063 milhão em 2013 e 2014, mas movimentou R$ 7,9 milhões.
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    O relatório aponta indícios de que houve compra de votos para cassar o mandato de Alcides Bernal(PP) em 12 de março de 2014. Além de gravações telefônicas e depoimentos, o MPE (Ministério Público Estadual) quebrou o sigilo bancário de 14 vereadores, que comprovou movimentação financeira acima do declarado.
    A maior diferença foi constatada nas contas de Jamal. Em 2013, segundo o Gaeco, ele declarou R$ 393,2 mil, mas movimentou R$ 4,699 milhões. No ano seguinte, foram informados 670,3 mil, mas passaram R$ 3,235 milhões pelas contas do vereador.
    De acordo com Jamal, a diferença foi declarada como pessoa jurídica, que não teve os dados analisados pelo Gaeco. “Tenho quatro fontes de renda”, explicou. Ele citou que, além de vereador, tem rendimentos como médico, de uma clínica de medicina de trabalho e ultrassom e como pecuarista.
    “A renda é uma coisa, movimento é outro”, ressaltou. Ele destacou que a movimentação ainda inclui financiamentos rurais. “Houve vários empréstimos”, comentou.
    Jamal destacou que confia no trabalho do MPE, mas não poupou, ao mesmo tempo, críticas ao trabalho do Gaeco. “A intenção não é investigar para encontrar a verdade, mas é direcionar para condenar pela compra de votos (para cassar Bernal)”, lamentou.
    Ele avalia que o relatório final do Gaeco se baseou apenas nos depoimentos de Bernal, da vereadora Luiza Ribeiro (PPS) e do secretário municipal de Governo, Paulo Pedra. “Não houve investigação”, frisou.
    “Deve analisar todos os envolvidos, se houve, teve esquema do Bernal, que ele não é bobo”, comentou.
    Jamal também fez defesa enfática do ex-governador André Puccinelli (PMDB) e do ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB). Ele até disse que põe as mãos no fogo pelos dois, que não tiveram qualquer participação no suposto esquema para cassar Bernal. Conforme o Gaeco, eles integrariam a organização criminosa, ao lado de João Amorim (Proteco) e José Roberto Baird (Itel Informática), para afastar o prefeito da Capital.
    Ainda na defesa do Gaeco, Jamal afirmou que está tranqüilo sobre a acusação de que recebeu dinheiro para votar pela cassação. “Foi tudo legal, não tem nada fora (da lei)”, justificou-se.

    sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

    Gaeco quer denunciar 13 vereadores e dois ex-prefeitos por cassar Bernal

    MPE vê crimes cometidos por empresários e políticos, que vão de organização criminosa a corrupção ativa

    Edivaldo Bitencourt e Michel Faustino
    Vereador Mario Cesar (à esquerda) e o prefeito afastado Gilmar Olarte são apontados como uns dos principais articuladores da cassação de Bernal. (Foto: Cleber Géllio/Arquivo).Vereador Mario Cesar (à esquerda) e o prefeito afastado Gilmar Olarte são apontados como uns dos principais articuladores da cassação de Bernal. (Foto: Cleber Géllio/Arquivo).
    O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) concluiu que houve o envolvimento de dois ex-prefeitos, de empresários e de 13 vereadores na suposta compra de votos para cassar o mandato de Alcides Bernal (PP), ocorrida em 12 de março do ano passado. O relatório final da Coffee Break, encaminhado à Procuradoria Geral de Justiça, ainda pede a investigação de quatro vereadores, de uma ex-vereadora e de uma autoridade com foro privilegiado, a vice-governadora Rose Modesto (PSDB).
    Conforme o documento, assinado pelo promotor Marcos Alex Vera de Carvalho, a cassação de Bernal foi articulada por uma suposta organização criminosa, que seria integrada por 12 pessoas, entre as quais estariam os empresários João Alberto Kramp Amorim dos Santos (Proteco), João Roberto Baird (Itel Informática), Fábio Portela Machinsky e Carlos Eduardo Naegele (jornal Midiamax); o ex-governador André Puccinelli (PMDB); o ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB); o então vice-prefeito Gilmar Antunes Olarte (PP), o ex-presidente da Câmara Municipal, Mario Cesar Oliveira da Fonseca (PMDB), os vereadores Flávio Cesar (PTdob) e José Airton Saraiva (DEM) e os autores do pedido de cassação, Raimundo Nonato e Luiz Pedro Guimarães.
    Para comprovar o envolvimento do grupo, o Gaeco cita gravações telefônicas e depoimentos. No entanto, não gravações nem documentos assinados por Puccinelli que confirmem o seu envolvimento no caso.
    Já o crime de corrupção ativa teria sido cometido por sete pessoas: Amorim, Baird, Machinsky, Olarte, Mario Cesar, Flavio Cesar e Saraiva.
    Baird participou de orquestração para cassar prefeito, diz Gaeco (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)Baird participou de orquestração para cassar prefeito, diz Gaeco (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)
    Entre os acusados pelo crime de corrupção passiva estão 10 vereadores, incluindo-se o presidente da Câmara, João Rocha (PSDB), e o ex-vereador Alceu Bueno. Os outros nove vereadores são: Paulo Siufi e Edil Albuquerque, do PMDB; Edson Shimabukuro (PTB), Jamal Salem (PR), Eduardo Romero (Rede), Otávio Trad (PTdoB), Gilmar da Cruz (PRB) e Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB).
    Para comprovar o crime de corrupção passiva, o Gaeco anexou ao processo gravações telefônicas, depoimentos e a movimentação financeira dos vereadores. Segundo a investigação, em todos os casos, os parlamentares movimentaram muito acima da renda obtida como parlamentar.
    Além de pedir a denúncia pelos crimes, o Gaeco pede a investigação complementar de outros quatro vereadores: Carla Stephanini, Vanderlei Cabeludo, Ademar Vieira Júnior, o Coringa, e Delei Pinheiro, do PSD; e de uma autoridade com foro privilegiado, que já ocupou o cargo de parlamentar.
    Marcos Alex também pede para investigar os seis vereadores que votaram contra a cassação do mandato de Bernal, que inclui os vereadores Luiza Ribeiro (PPS), Paulo Pedra (PDT), os três do PT (Marcos Alex, Ayrton Araújo e Zeca do PT) e Derly Reis, o Cazuza (PP).
    Saraiva pode responder por organização criminosa e corrupção ativa (Foto: Marcos Ermínio)Saraiva pode responder por organização criminosa e corrupção ativa (Foto: Marcos Ermínio)
    Outro lado - O relatório encaminhado ao procurador-geral de Justiça, Humberto Brites, tem 245 folhas e tem como base o processo de 4,8 mil páginas distribuídas em 24 volumes. O início da Operação Coffee Break foi a Operação Lama Asfáltica, da Polícia Federal, que flagrou, em gravações telefônicas, empresários e vereadores articulando a cassação de Bernal.
    O advogado Renê Siufi, que representa na ação os vereadores Edil Albuquerque, Carla Stephanini, Paulo Siufi, Mario Cesar e o ex-governador André Puccinellicriticou o fato das informações terem vazado à imprensa, tendo em vista que o Ministério Público tem dificultado o acesso aos advogados.
    Rêne critica ainda os rumos do processo e afirma que, no caso de André Puccinelli, a todo momento ele foi citado como testemunha, inclusive, o Ministério Público teria negado acesso a cópia da investigação ao advogado por este motivo.
    “Eu não entendo este posicionamento. Pelo que tenho acompanhado eles devem continuar a investigação e fazer novas investigações para provar aquilo que eles já concluíram. Isso não tem lógica”, disse.
    O ex-governador rebateu as acusações afirmando que em nenhum momento participou de qualquer articulação para cassar Alcides Bernal e foi incluído no processo de forma não comprovada por fala de terceiros.
    “Não há nenhuma gravação telefônica em que eu apareço falando com qualquer vereador. Não há nenhuma prova em escrito que eu tenha falado com qualquer empresário. Incluíram-me como articular por fala de terceiro. Aos demais, vereadores, empresários incluíram como corruptores ativos ou passivo. Portanto, continuo dizendo que não participei de golpe algum e o relatório mostra isso”, disse Puccinelli.
    O advogado do vereador Mario Cesar, Leonardo Saad, lamentou que o relatório da operação tenha chegado aos estúdios de uma emissora de televisão antes mesmo de ser entregue aos advogados e a Câmara Municipal.
    O advogado Fabio Trad, que representa o vereador Airton Saraiva, também criticou o vazamento das informações por parte do Ministério Público e disse que entrará com uma representação no Conselho Nacional do Ministério Público pedindo explicações sobre o fato.
    “Foi uma leviandade que foi criminosamente cometida por alguém que tem interesse em antecipar pela imprensa condenação das pessoas que se quer tiveram direito a defesa. Isso é típico de um republiqueta que desprestigia a constituição da república e transforma investigados em condenados através do vazamento criminoso das investigações”, comentou.
    O ex-prefeito Nelsinho Trad disse que recebeu com estranheza o fato do nome dele aparecer no relatório da Coffee Break, tendo em vista que em nenhum momento ele foi convocado para prestar depoimento ou se manifestar sobre o caso, sob qualquer aspecto.
    "Não tenho nenhum envolvimento com este suposto esquema. Em nenhum momento apareço em gravação ou em qualquer peça que foi coletada para a produção desse relatório. O que existe é uma produção fantasiosa que tenho a convicção que serão apuradas com maior cuidado pelas instancias superiores e tenho a certeza que nem denunciado seremos. Volto a afirmar que não tenho nenhum envolvimento e isso será comprovado e a verdade prevalecerá", disse.
    Campo Grande News tentou entrar em contato por telefone com a vice governadora Rose Modesto para comentar a denúncia, mas até o fechamento desta matéria ela não atendeu nem retornou às ligações. A assessoria de imprensa de Rose ficou de se manifestar.
    João Amorim é acusado de corrupção ativa e organização criminosa (Foto: Marcos Ermínio/arquivo)João Amorim é acusado de corrupção ativa e organização criminosa (Foto: Marcos Ermínio/arquivo)

    quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

    Quatro dos nove vereadores envolvidos na Coffee Break entregaram defesa à comissão

    Prazo acabou nesta segunda-feira

    Somente cinco dos nove vereadores investigados na Operação Coffee Break entregaram defesa à Comissão de Ética na Câmara
    Municipal. Ontem (8) o integrante da pasta, Chiquinho Telles (PSD), havia informado que todos tinham entregado. No entanto, conforme o novo membro Marcos Alex (PT), Airton Saraiva (DEM), Jamal Salem (PR), Edson Shimabukuro (PTB), Gilmar da Cruz (PRB) e Carlos Borges (PSB) cumpriram o prazo que acabou nesta segunda-feira (7).
    Os peemedebistas Paulo Siufi, Edil Albuquerque e Mario Cesar, além de Waldecy Chocolate (PTB) não quiseram complementar defesa entregue antes do recebimento de informações do MPE (Ministério Público Estadual) sobre o caso. A análise do conteúdo ainda não começou, mas, segundo Chiquinho, a intenção é terminar o mais rápido possível.
    Todos estão envolvidos na Operação Coffee Break do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) que apura suposta compra de votos para cassação do prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), em março do ano passado. O prazo para entrega expirava no mês passado, mas foi estendido em dez dias porque o MPE enviou documentação à Casa de Leis sobre investigação.

    terça-feira, 8 de dezembro de 2015

    Procurador sai para férias e decisão sobre Coffee Break pode ficar para 2016

    MPE decidirá se arquiva ou mantém relatório

    O Procurador-Geral de Justiça de Mato Grosso do Sul, Humberto de Matos Brittes, estará de férias a partir desta quarta-feira (9) e a decisão sobre relatório do Gaeco sobre a Coffee Break pode ficar para 2016.
    As férias ocorrem dois dias depois que o procurador recebeu o relatório do Gaeco sobre possível compra de votos para cassação de Alcides Bernal (PP). Agora, cabe a Procuradoria-Geral dizer ser arquiva o processo, pede mais diligências ou se envia para o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, que decidirá se aceita a denúncia ou arquiva.
    A decisão também pode ficar para o ano que vem por conta do recesso forense, que começa a partir do dia 20 de dezembro. Oficialmente, o Ministério Público Estadual teria 15 dias para analisar o relatório e tomar a decisão, o que terminaria bem no recesso, jogando a decisão para 7 de janeiro, quando os trabalhos serão retomados.
    Caso a decisão saia antes do recesso e prazo final, será tomada pelo procurador-geral substituto, Paulo Passos. O relatório do MPE foi encaminhado para uma comissão de assessores da PGJ, que tem como integrantes os promotores: Ricardo Mello, Cristiane Mourão, Paulo Zeni e Fábio Goldfinger.
    Relatório do Gaeco implicou 11 pessoas, sendo oito vereadores e um vereador, por corrupção passiva, e outros sete, sendo outros três vereadores, empresários e políticos, por corrupção ativa. Um empresário e dois políticos são acusados de associação criminosa, caracterizando formação de quadrilha. 
    Em investigação complementar, mais cinco pessoas devem ser apurados após o aprofundamento de provas e o acesso a dados fiscais. Segundo relatório, cinco mentores, políticos e empresários teriam orquestrado a queda do radialista.
    Conforme relatório, três vereadores, os que responderão por corrupção ativa, tinham a função de convencer os colegas. O voto era trocado por dinheiro ou cargos públicos. O documento tem 245 páginas, com base em uma investigação com mais de 4,9 mil páginas.

    sábado, 5 de dezembro de 2015

    Testemunhas de Coffee Break podem responder por associação criminosa, aponta Gaeco

    Ana Rita Chagas e Fernanda Muller


    Foto: Wanderson LaraFoto: Wanderson Lara
    Relatório final da Operação Operação Coffee Break encaminhado nesta sexta-feira (4) para o Procurador Geral de Justiça, Humberto de Mattos Brittes, aponta indícios “claros” de associação criminosa – formação de quadrilha- e ocorrência de corrupção ativa e passiva, envolvendo políticos e empresários da Capital, segundo informou coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) promotor  Marcos Alex Veras.
    De acordo com promotor tanto corrupção ativa quanto corrupção passiva possui pena de 2 a 12 anos de reclusão. Já associação criminosa tem pena de 1 a 3 anos de reclusão, conforme Veras. "O relatório aponta  indícios de prática de crime de corrupção passiva, que é  solicitar ou receber vantagem em razão da função que exerce de  oito vereadores da Capital e um ex-vereador.  E aponta indícios de corrupção ativa, que é oferecer vantagem a servidor público de  sete pessoas, três  vereadores e outros quatro do ramo político e empresarial da Capital”, disse 
    Segundo promotor, durante o período de quatro meses de investigação foram detectados, na quebra de sigilo fiscal dos investigados, movimentação bancária com valores superiores aos que haviam sido declarados no processo."Um vereador que declarou ter recebido R$ 393 mil no ano de 2013,  movimentou em suas contas R$4,3 milhões, coincidentemente, no período da investigação. Essa desproporção traz indícios fortes e forma juízo seguro de elementos suficientes para justificar oferecimento de denúncia”, ressalta.
    A referida denúncia mencionada por Marcos Alex caberá ao Procurador Geral de Justiça, Humberto de Mattos Brittes, que terá prazo de 15 dias para decidir por quais deliberações tomar, conforme explica o promotor.  “Caberá ao Procurador se irá oferecer denúncia, convocar novos depoimentos ou se resolverá decidir pelo arquivamento do caso, que é o não esperamos”, disse.
    Outro fato constatado no documento aponta a atuação de cinco vereadores como agentes ativos, outros restantes, segundo Veras atuaram passivamente. “Vereadores aceitaram votar em troca de cargos, com isso eles podem ser enquadrados por corrupção passiva. Em um dos aparelhos tinha indícios claros de que três meses antes de ser instalada comissão processante contra Bernal já havia confirmação de que prefeito seria cassado de qualquer maneira”, explica. 
    O relatório de 4.800 páginas será anexado aos autos do processo. Os trabalhos da Operação Coffee Break iniciaram em 31 de julho desse ano, como desdobramento da Operação Lama Asfaltica, desencadeada em 9 de julho de 2015, que investiga fraudes em contratos e licitações, bem como superfaturamentos em obras públicas das administrações municipal e estadual. “Existe necessidade de complementar as investigações com relação as outras cinco pessoas que os dados fiscais e bancários ainda não chegaram. Nomes que não estavam investigados no início dos  procedimentos, que estavam citadas como testemunha, entram na associação criminosa”, adiantou o promotor.