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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Parte da Dom Aquino anda às moscas, é como se o Centro acabasse na Calógeras

Adriano Fernandes

Na loja de móveis usados, o cliente pode alugar os artigos para festa e até pimenta.Na loja de móveis usados, o cliente pode alugar os artigos para festa e até pimenta.
É um contraponto curioso para não dizer preocupante o paradeiro em alguns comércios do centro de Campo Grande. Para quem passa por trechos de ruas como a Dom Aquino, a baixo dos trilhos da esplanada ferroviária, por exemplo, fica claro que o movimento por lá miou e a justificativa passa longe de ser a crise econômica. 

O sapateiro Gonçalo, já morou até na Europa e até no próximo mês se muda da Dom Aquino. O sapateiro Gonçalo, já morou até na Europa e até no próximo mês se muda da Dom Aquino.
Quem confirma são os próprios lojistas que mesmo mantendo os preços muito baixos, tentam se virar como podem para não fechar as portas. Há 16 anos a empresária Ana Luiza dos Prazeres, de 37 anos, abria no número 1031 da rua a loja de móveis usados, "Bom Jesus".
No estabelecimento de compra, venda e até troca de móveis, um dia o movimento de clientes foi intenso, quando a antiga rodoviária funcionava na região. “Aqui era corredor de passageiros que viam do interior ou de fazendas e era mais fácil vender. Eles viam atrás de bom preço e se o móvel era bom, nem sequer pechinchavam”, lembra.
Mas os tempos passaram, veio a mudança de endereço do terminal e o movimento cai a cada ano. Onde antes se achava só móveis usados, Ana passou a também alugar artigos infantis para festas e tem até pimenta. Tudo para complementar a renda já que o carro-chefe da loja, por si só, não se sustenta mais.
O estoque de móveis foi reduzido aos poucos. Ainda há televisores, geladeira e até máquinas de costura. Até algumas das peças da decoração que Ana aluga é ela mesma quem produz. “Os poucos clientes que eu tenho são clientes fixos e mesmo assim, atendo no máximo uma festa por semana. Um ou dois por dia”, comenta.
Quase em frente ao negócio de Ana, o comerciante Aguinaldo Vieira de Souza, de 39 anos, diz que houve dias em que o faturamento não passou de R$ 15,00. “Tem dias que entra um cliente na loja. Tenho roupas estocadas há meses. Só não saio daqui ainda porque minha esposa tem outra loja em outro endereço, o que ajuda a complementar a renda”, se queixa.
“Esse trecho da Dom Aquino necessita de uma revitalização. É como se o centro de Campo Grande só existisse até a Rua Calógeras”, desabafa.
No salão de beleza, nem o corte masculino custando R$ 10,00 chamou a atenção dos clientes.No salão de beleza, nem o corte masculino custando R$ 10,00 chamou a atenção dos clientes.
O preço das roupas no brechó Samá Modas custa de R$ 5,00 até R$ 30,00. O preço das roupas no brechó "Samá Modas" custa de R$ 5,00 até R$ 30,00.
De sapatos Vizzano a vestidos de festa, o senhor Ocimar Guilherme garante que tudo que vende na “Samá Modas”, sua lojinha na Dom Aquino, custa no máximo R$ 30,00. Mesmo com o preço camarada ele se queixa da falta de clientes.
“Quando vendo muito, são dez peças em um dia. Me ´viro` de alguns bicos que eu faço, porque só com o lucro da loja não é o suficiente”, diz. Mas enquanto o comerciante ainda faz questão de se manter por ali, o sapateiro Gonçalo Martins da Silva pretende se mudar do endereço já no próximo mês.
O motivo ele resume: “Está mais parado que água de poço”. Na Dom Aquino, ele está há pouco mais de um ano, mas até na Europa ele já viveu, por 10. “Esta região ainda é muito mal vista pela população. Foi ponto durante muito tempo de drogados e depois que fecharam a rodoviária o movimento diminuiu muito”, reclama.
Com direito a estrutura grandiosa, o salão de beleza "NetyElite" tenta chamar a atenção pelos preço baixos, mas o fluxo ainda não anima. No local, o corte feminino, seguido da hidratação e a escova no cabelo, custa R$ 50,00.
A manicure cobra R$ 25,00 pé e mão e a proprietária Maria Ivonete Ferreira, de 57 anos, passou a oferecer até mega-hair para as clientes, na tentativa de emplacar o movimento.
“Achamos que com a construção da Esplanada Ferroviária ia aumentar o movimento, mas nada. Minha estrutura comporta o atendimento de até 30 clientes, mas já tiveram dias em que não atendi nenhum”, se queixa.
Dona Maria brinca que até o cabeleiro Orlando do Muquifo da Dom Aquino, que já foi pauta aqui doLado B, ela já quis contratar para aumentar o movimento do salão

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Solurb é investigada pelo MPE por suspoto crime ambiental e contaminação de solo na região do lixão

O Ministério Público Estadual (MPE) vai investigar o consórcio CG Solurb por, suposto, crime ambiental.  Conforme Diário Oficial do MPE desta sexta-feira (22), o inquérito civil instaurado na 26ª Promotoria de Justiça do Meio Ambiente tem como objetivo apurar motivos causadores do extravasamento de chorume da lagoa de detenção localizada no aterro sanitário Dom Antonio Barbosa II. O chorume localizado na lagoa é encaminhado para Estação de Tratamento de Esgoto Los Angeles.
No dia 10 de abril de 2015, o MS Notícias publicou matéria, com exclusividade, relatando contaminação da lagoa. Segundo apurou equipe de reportagem, na época, a quantidade de chorume estava acima do limite suportado pela manta PEAD, que impermeabiliza local, e chorume, material residual do lixo, estava extravasando par afora da lagoa, com risco de contaminação do solo. Fotos e vídeos (veja aqui),registradas na época, mostram condição da lagoa. Naquele mesmo dia, a Solurb foi notificada de decisão judicial que determinou a interdição da lagoa.
Conforme relatório técnico do MPE, “[...] as constatações realizadas in loco revelam indícios do transbordamento da lagoa”. Ainda segundo documento: “Nas imediações da manta PEAD, nos pontos de provável transbordamento da lagoa, há solo exposto. A ausência de vegetação nestes locais pode indicar que as gramíneas anteriormente existentes morreram devido a uma provável contaminação do solo por chorume”.
Este não é primeiro processo de investigação por suposto crime ambiental contra empresa. Em 2015, no dia 31 de março, a Justiça determinou que o Ibama execute perícia no local onde estão localizados os dois aterros sanitários e a área de transição para obter provas físicas e confirmar as denúncias feitas pelo empresário Thiago Verrone de Souza, que apontam para suposta contaminação do solo e do rio Anhanduí por conta do não tratamento correto do lixo. 
Conforme denúncias, a Solurb não teria isolado o solo de forma adequada, suspeita-se que as mantas de isolamento aplicadas pela empresa são de 1,5 mm ao invés de 2 mm como previsto no contrato milionário que concedeu à Solurb serviço de tratamento e coleta de lixo por 25 anos ao custo de R$ 9 milhões por mês. O contrato foi assinado em dezembro de 2012, no último da gestão do prefeito Nelsinho Trad (PTB).

Conforme inquérito, o MPE vai investigar também possível omissão da Prefeitura quanto à fiscalização, por isso, requisitou no dia 20 deste mês que Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur) informe, em 30 dias, “quais medidas mitigatórias foram adotadas pela Empresa CG Solurb, tendo em vista a constatação de lançamento ou liberação de poluentes diretamente nos recursos naturais”. A Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação (Seintrha) também foi notificada e tem 15 dias para “se manifestar sobre os problemas envolvendo a questão da destinação e tratamento do chorume produzido pelo Aterro Sanitário Dom Antonio Barbosa II, principalmente sobre a necessidade de se aumentar a vazão para a ETE Los Angeles”A Solurb também é alvo da Operação Lama Asfáltica da Polícia Federal, que investiga supostas irregularidades na licitação 066/2012 e também nos pagamentos feitos à empresa pela Prefeitura de Campo Grande. Em relatório preliminar da operação, a PF concluiu que verdadeiro dono da empresa é João Amorim, dono da Proteco Construções Ltda. Amorim também é investigado pelo Gaeco na Operação Coffee Break, que apura se houve compra de votos de vereadores, em 2014, para cassar prefeito Alcides Bernal (PP).

sábado, 9 de janeiro de 2016

CIDADE CAÓTICA: MORADORES SOFREM COM ALAGAMENTOS, BURACOS E IPTU EXAGERADO

Chuva não para e famílias abandonam casas invadidas pela água

Moradores perderam tudo
  • O pedreiro Jorge Menezes (Cleber Gellio/Midiamax)
  • Depois de perderem praticamente tudo com a chuva desta sexta-feira (8), famílias vitimas de enchente no bairro Cerejeiras, na região norte de Campo Grande, abandonaram suas casas e procuraram abrigo com parentes e amigos. Isso porque a água continua a invadir os cômodos com as pancadas que caem em curto intervalo de tempo. Dona Inês Del Padre, 62 anos, foi parar no hospital depois de ver comida, móveis, remédios, enxoval para para o neto que vai nascer, tudo imerso.
    Depois de ser medicada e liberada o destino percorrido foi para a casa da filha, longe da sujeira e tristeza deixados pela enchente. E mesmo diante do que poderia ser considerado tragédia, ela agradece estar viva. “Meus vizinhos estão me ajudando também, ainda bem que tenho amigos. Mas tudo bem, imagina a situação lá de Minas Gerais?”, disse referindo-se ao que ocorreu em Mariana no final do ano passado. 

    Por conta da diabetes, ela recebe R$ 700 de auxílio-saúde e com esse valor por mês vai tentar recuperar o que a chuva levou. Entre os vizinhos de dona Inês a sua filha, Juciara Del Padre Rodrigues, 34 anos, que também viu a casa inundada na tarde de ontem. Casada com o padeiro Victor Hugo Pina, 20 anos, ela está grávida de seis meses e tem filha de cinco anos. O casal está desempregado. Na semana passada o enxoval do bebê estava pronto. Tudo foi perdido. Até mesmo os três filhotinhos de gato não sobreviveram.
    O rapaz relata que não há como tentar limpar ou secar nada porque não para de chover e tudo começa outra vez. “Nem roupa temos para usar”. Por isso, eles também deixaram o imóvel e estão na casa da mãe do padeiro. “Teve uma hora que tinha tanta água que parou de escoar e só subia”, lembrou.
    Morador da mesma rua o pedreiro Jorge Menezes decidiu permanecer em casa. Sem comida e eletrodomésticos, a solidariedade dos vizinhos é o que o mantém. “Na hora da chuva eu estava trabalhando, quando cheguei a água já tinha tomado conta. De madrugada não dormi porque a água continuava a encher a casa, fiquei preocupado”, contou. O cachorro de estimação foi colocado em cima da mesa para não correr risco de afogamento.
    Como ele vai ficar no local, o amigo, Hector Vinícius, 20 anos, está o ajudando a limpar tudo porque há barro até na geladeira. Segundo previsão do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) a chuva só deve dar trégua na terça-feira (12).
    Mesmo com todos os casos apresentados, a Defesa Civil alega que ontem as equipes não encontraram pontos de alagamento. O único caso registrado foi a queda de árvore na Avenida Afonso pena na manhã desta sábado (9).na região do Prosa choveu 29,25 milímetros, nas Moreninhas 25 milímetros, Rita Vieira 1,25 ml, Alphavile 11 ml, Cabreúva 33,25 ml e região do Santo Antônio 2,25 ml.

    Moradora reclama de IPTU alto e poças de água na frente de casa

    “Retorno do IPTU é zero”, diz moradora
    • Rua fica tomada por lama (Via WhatsApp)
    • Os moradores da Rua Diogo Alvares, no Jardim Tijuca 1, precisam ter paciência quando chove. É que o local fica cheio de buracos enlameados. A reclamação é que o IPTU (Imposto Territorial Predial Urbano) é pago, mas nenhum retorno é visto. 


      A moradora Santa Catalina Roque de Oliveira reside no bairro há 15 anos e conta que toda vez que chove, a entrada da casa fica com buracos cheios de água. “Estou em dia com meu IPTU, mas o retorno é zero”, diz. 

      Buraco formado pela chuva 'engole' empilhadeira no Santa Mônica

      Demorou 5h parar máquina ser retirada
      • Maquina ficou atolada em buraco (Via WhatsApp)
      • Um buraco formado por conta das fortes chuvas 'engoliu' uma empilhadeira na manhã deste sábado (9). De acordo com Alberto Alvarenga, que é morador da rua, levou aproximadamente 5 horas para que a máquina fosse desatolada. 
        Segundo o morador, que reside no local há seis anos, os problemas na Rua Alpine começaram há pouco tempo. Antes, o local estava cascalhado. Porém, com as fortes chuvas, o cascalho foi levado e os buracos apareceram. “De carro não consegue mais passar. É um transtorno”, diz.