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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Deputado sem apoio dá piti, muda de lado e tenta emplacar até esposa

Parlamentar não conseguiu apoio para o irmão e agora negocia com oposição dos tucanos


A disputa pela atenção do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) nas eleições municipais já fez as primeiras vítimas e têm deputado estadual se sentindo preterido pelo mandachuva tucano. Chefe de Estado, o ‘rei’ como ficou conhecido nas rodas de conversa, é o maior líder da legenda em Mato Grosso do Sul e suas mãos – dizem – tem o ‘toque de Midas’.

#Xatiado
‘Emburrado’ com o chefe maior, Lídio Lopes (PEN) se desvencilhou da atração tucana, que encantou políticos de todas as legendas com a melodia da sereia. Isso tudo porque não recebeu a benção de Reinaldo para a candidatura de seu irmão em Iguatemi. É que o nome do tal pré-candidato peemedebista não teria empolgado muito diante dos adversários. Carlos Lopes, irmão de Lídio, está em baixa na cidade do interior e não anima nem mesmo os próprios aliados.

Tem quem quer
Sem dívida de gratidão ou fidelidade com o governador, que o deputado antes fazia questão de adular, quem perde é o próprio parlamentar. Já que está por conta própria, Lídio trabalha para emplacar a esposa, Adriane Lopes, em chapa adversária encabeçada pelo colega de Assembleia Legislativa, Marquinhos Trad (PSD). Até 5 de agosto tudo se resolve.

Relevância
O tal deputado acreditou ter poder maior do que qualquer um vê, e tenta mostrar relevância política inexistente. Após tomar sonoro não, deu piti e agora faz jogo contra quem até poucos dias atrás apoiava. Lídio 'só' quer apoio para irmão, esposa; pra tio e primo também não deputado?

Sozinho
Com dificuldades em atrair aliados e após derrota vexatória do time da vereadora Luiza Ribeiro durante as convenções do PPS, o prefeito Alcides Bernal aguarda até o último momento para oficializar candidatura na esperança de fisgar algum pretendente. Por enquanto, o mais provável é que trabalhe com chapa pura e selecione alguém do seu esquadrão particular para a batalha.

Bernaldetes
Nos bastidores, os nomes mais cotados são dos ex-secretários Wilton Acosta (Juventude) e Dharleng Campos (Desenvolvimento), que sempre estiveram na linha de frente nos embates com a Câmara Municipal. A responsabilidade é grande, já que o último vice de Bernal, o pastor Gilmar Olarte, se transformou essencialmente um arquirrival do pepista.

Prioridades
Além de mexer no bolso dos investigados, que precisam gastar altas quantias para garantir a defesa nos autos processuais, a Operação Coffee Break complicou a campanha de vários políticos que tentam retornar à Câmara Municipal de Campo Grande. Para o advogado André Borges, que representa Otávio Trad (PTB), o principal desafio para o parlamentar vai ter, é se explicar antes de falar de seus projetos políticos.

O que eu fiz?
César Maksoud que defende o ex-prefeito Nelsinho Trad (PTB) alega que o Ministério Público Estadual nem identificou do que se trata a denúncia contra o seu cliente. De acordo com ele, o petebista foi indiciado por associação criminosa, mas não há descrição sobre sua participação no eventual crime.

Não é comigo
Cansado de ser cobrado pelo esfarelamento do asfalto nas ruas de Campo Grande, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) adotou uma nova estratégia nas redes sociais e agora explica didaticamente que o problema é de responsabilidade da prefeitura. É verdade, mas o município aceita ajuda, seu ‘governadô’!

Foto: Reprodução/Facebook

Prefeitura será investigada por irregularidades na contratação de agentes

O inquérito civil será conduzido pelo Promotor de Justiça Henrique Franco Cândia, da 31ª Promotoria de Justiça


A prefeitura de Campo Grande será investigada por eventual ato de improbidade administrativa decorrente de suposta irregularidade no processo seletivo para contratação de Agente Castrador. A denúncia foi realizada por uma pessoa identificada S.G.E.

O inquérito civil será conduzido pelo promotor Henrique Franco Cândia, da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, que colocou as apurações em segredo. Apenas as informações gerais estão disponíveis no diário oficial do Ministério Público Estadual desta sexta-feira (29).

O prefeito Alcides Bernal (PP) já é réu em ação judicial movida pelo MPE por supostas irregularidades encontradas no processo seletivo para distribuição de bolsas de estágios do município. Segundo a denúncia, a lista de espera foi desrespeitada para beneficiar filhos de servidores municipais.  

A Ação Civil Pública foi apresentada pelo promotor Fernando Martins Zaupa em 4 de março e tramita na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, sob os cuidados do juiz David de Oliveira Gomes Filho.

Além de não seguir critérios técnicos de aprovação, a denúncia do MPE aponta um possível agravante, já que filhos dos servidores teriam sido contratados pela prefeitura sem mesmo ter efetuado o cadastro junto ao órgão para receber o benefício. O promotor reuniu diversos casos, que descreveu na inicial da ação.

Em uma das situações narradas pelo promotor, uma jovem que cursava relações internacionais passou a receber como estagiária em 14 de março de 2013, mas só fez a inscrição no cadastro no dia 5 de agosto de 2013. Ou seja, quatro meses após ingressar na prefeitura e furando a lista de espera. 

A lista da Odebrecht: executivos vão delatar mais de cem políticos

BRASÍLIA — Nas negociações do acordo de delação premiada, executivos da construtora Odebrecht, entre eles o ex-presidente da empresa Marcelo Odebrecht, apontaram mais de cem deputados, senadores e ministros, entre outros políticos, como beneficiários diretos de desvios de dinheiro público, ou como recebedores de outras vantagens, como repasses de verba para suas campanhas, por exemplo. Entre os citados há pelo menos dez governadores e ex-governadores, segundo informou ao GLOBO uma fonte ligada às investigações.

Entre os citados nas negociações preliminares estão o governadores do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB); de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB); e de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). Não estão claras ainda as circunstâncias em que cada um dos governadores aparece no roteiro das delações. Na lista também constam vários ex-governadores, entre eles Sérgio Cabral (PMDB-RJ). As informações sobre Cabral, que já foi citado por outros delatores, entre eles Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, são consideradas consistentes pelos investigadores.
Os depoimentos dos executivos da Odebrechet estão previstos para começar hoje, segundo o blog do jornalista Lauro Jardim, do GLOBO. Serão 15 os depoentes.
Os acordos de delação de Marcelo e de outros diretores da empresa são os mais temidos desde o início da Operação Lava-Jato, há dois anos. Maior empreiteira do país, a Odebrecht tem obras e contratos com a administração pública dos três Poderes, e em praticamente todos os estados do país. Só no ano passado, a empresa faturou mais de R$ 130 bilhões com negócios no Brasil e no exterior.
Depois de uma primeira etapa complicada, com avanços e recuos, os acordos de delação da Odebrecht estão avançando de forma significativa. Após acertos prévios com advogados, os procuradores estavam até agora conversando com os investigados. Nessas conversas prévias, os réus apresentam as linhas gerais das denúncias a serem feitas, conforme as bases estabelecidas nos entendimentos iniciais entre advogados e o Ministério Público Federal.
— Foi superada a fase da conversa entre procuradores e advogados. Agora, a conversa é entre procuradores e réus. Nessas conversas eles indicam o que realmente vão dizer — disse uma fonte que acompanha o caso.
ARQUIVOS DA PROPINA
As negociações avançaram tanto que ontem era dado como certa a assinatura do acordo de Marcelo e outros executivos. As tratativas evoluíram, sobretudo, depois que advogados da empresa informaram ao Ministério Público Federal que estavam conseguindo recuperar os arquivos eletrônicos do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, destinado a pagar propina a pedido de outras áreas da empresa.
As provas constantes nesses arquivos são consideradas essenciais para o desfecho das negociações. Procuradores exigiram que os investigados apresentem um quadro claro sobre os repasses de dinheiro de origem ilegal a autoridades. Para eles, não bastava aos executivos simplesmente fazerem menções a pagamentos. Era necessário que as acusações estivessem amparadas em indícios. Procuradores não queriam correr o risco de ouvir relatos importantes, concordar com benefícios penais para os réus e, depois, não terem como denunciar e punir os parlamentares, ministros e governadores acusados.
Com a disposição de contar mais e apressar a busca de provas, a Odebrecht saiu na frente da construtora OAS, uma de suas principais rivais. É possível que a Odebrecht feche acordo antes da OAS, mas isso não significa que esta empreiteira vá ficar sem um entendimento com o Ministério Público Federal. Está marcada para hoje uma nova rodada de negociação entre advogados da OAS e procuradores, e é possível que o caso ganhe novos desdobramentos.
NOVA CHANCE PARA LÉO PINHEIRO
Até ontem, as conversas não vinham sendo nada fáceis para Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS. Os procuradores perguntaram a Pinheiro se ele tem conhecimento de alguma irregularidade em setores do Judiciário, especialmente em decisões judiciais que implodiram a Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal, que investiga políticos financiados por caixa dois da Camargo Corrêa. Pinheiro respondeu que não teria fatos novos a revelar sobre o assunto. O problema seria de executivos da Camargo, alvo central da Castelo de Areia, e não da OAS.
Procuradores também fizeram perguntas a Pinheiro sobre viagens internacionais e palestras do ex-presidente Lula. Queriam saber se haveria vínculos entre as viagens, as palestras e negócios fechados entre a OAS e governos dos países visitados pelo petista. Pinheiro atribuiu ao ex-presidente um papel de relações públicas, mas negou que houvesse correlação direta entre os negócios da empresa e a atuação.
O executivo teria sido questionado sobre reformas no sítio em Atibaia e num apartamento no Guarujá destinado ao ex-presidente. As respostas do executivo não seriam diferentes do que já foi divulgado até o momento pela empresa em resposta ao noticiário sobre o assunto. Pinheiro reconheceu que fez benfeitorias no sítio e no apartamento, mas não associou os serviços a vantagem obtida pela empresa no governo federal antes ou depois do governo Lula.
O ex-governador Sérgio Cabral, por intermédio de sua assessoria, “manifestou sua indignação e seu repúdio ao envolvimento de seu nome com qualquer ilicitude”. Ele afirmou que manteve com a Odebrecht apenas relações institucionais. O governador licenciado Luiz Fernando Pezão não quis comentar, por não detalhes do que está sendo citado nos acordos de delação.
O governador Geraldo Alckmin informou que todas as suas prestações de contas das campanhas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. “À frente do governo de São Paulo, Geraldo Alckmin sempre pautou suas ações de forma estritamente profissional na defesa do interesse público com empresários. Geraldo Alckmin não mantém e jamais manteve relações pessoais com executivos da empresa Odebrecht”.
O governador Pimentel disse, por meio de sua assessoria: “Não vamos comentar uma suposta delação que, se de fato ocorreu, está resguardada pelo sigilo judicial”


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/a-lista-da-odebrecht-executivos-vao-delatar-mais-de-cem-politicos-1-19807443#ixzz4FnObWS6V 
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quinta-feira, 28 de julho de 2016

FALTA VERGONHA NA CARA : Cinco vereadores não apresentaram um projeto sequer em 6 meses

Dos atuantes, Roberto Durães é o que mais entregou projetos de leis para avaliação da Câmara Municipal


Em legislatura marcada por escândalos e alvo de investigações judiciais, os vereadores de Campo Grande apresentaram 144 projetos de Lei durante o primeiro semestre de 2016, conforme registro no sistema da Casa de Leis. O balanço mostra que, dos 29 vereadores, cinco não apresentaram nenhuma proposta sequer durante o período.

Na relação final, ainda é possível observar que alguns parlamentares apresentaram projetos sem relevância social, como mudança no nome de Centro de Educação Infantil, Unidade de Pronto Atendimento, além de concessão de título de visitante ilustre a 'personalidades'. Outros projetos importantes ficaram para análise no segundo semestre.

TODOS OS LISTADOS ESTÃO DE ALGUMA FORMA ENVOLVIDOS NO ESCÂNDALO DO COFFEE BREAK

Sem registro
Durante o levantamento, a reportagem constatou que dos atuais 29 vereadores, cinco não apresentaram propostas durantes o primeiro semestre deste ano. Na lista estão os parlamentares: Airton Saraiva (DEM), Jamal Salem (PR), Chocolate (PTB), Edson Shimabukuro (PTB) e Gilmar da Cruz (PRTB) - este último assina um único projeto com demais colegas de parlamento.

A reportagem levou em consideração o período de 12 de janeiro, data do primeiro projeto protocolado feito pelo vereador Eduardo Romero, da Rede, ao dia 15 de julho de 2016, último projeto registrado feito pelo vereador Eduardo Cury, do SD. Em 2015, durante o mesmo período, os parlamentares apresentaram 120 Projetos de Lei. Os parlamentares voltam do recesso no próximo dia 2 de agosto. 

Por outro lado, há outros vereadores que apresentaram mais projetos que a média da Câmara. Um deles é o novato na Casa de Leis e considerado polêmico, o vereador Roberto Durães, do PSC. Foram 32 projetos sobre diversos temas, entre eles: o que prevê gratuidade no transporte público para familiares de presos, com o nome de Passe de Visitação Penitenciário (PVP); gratuidade para pacientes com doença renal crônica em tratamento de hemodiálise; além de outros como dispõe sobre a gratuidade de cirurgias de esterilização voluntária no Município de Campo Grande.

Durães ficou conhecido após se envolver em polêmica ao declarar que conhecia a mãe do atual prefeito Alcides Bernal, do PP, “no silêncio dos edredons”. Ele é investigado na Casa por quebra de decoro, pela Comissão de Ética.

Vice-campeão
No ranking, outro a apresentar projetos acima de média dos veteranos foi o médico Eduardo Cury, do SD. Em levantamento, o parlamentar apresentou 19 projetos. Entre eles, há o que prevê a aplicação de multas pela prática do acionamento indevido dos serviços telefônicos de atendimento a emergências do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU); o que assegura pessoas com mobilidade reduzida ou deficiência visual embarque e desembarque dos ônibus coletivos fora dos pontos de parada determinados e outros.

Em terceiro lugar, aparece o vereador Marcos Alex, do PT. O parlamentar, atualmente é pré-candidato a prefeito de Campo Grande. Alex apresentou cerca de 17 projetos de lei. Na relação, há o que prevê a obrigatoriedade do uso de lâmpadas de led (diodo emissor de luz) na rede de iluminação pública em novos loteamentos e empreendimentos imobiliários. Há outros como institui o “Dia do Skatista” e a “Semana Municipal do Skatista” e o que concede o título de “visitante ilustre” da cidade de Campo Grande a Eduardo Werneck Vieira Marques.

Outras propostas
Há outros projetos que denomina nome de espaços públicos. Como é o caso da vereadora Carla Stephanini, do PMDB, que denomina de Lina Lemes de Oliveira – Vó Lina, o Centro de Educação Infantil localizado no Aero Rancho V. E outro do atual presidente da Câmara Municipal, João Rocha, que denomina de Jurandir Domingues de Oliveira, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no Bairro Moreninha III.

Carla apresentou aproximadamente, dois projetos e assina mais um com o vereador Lívio Viana, do PSDB. Referente ao presidente da Casa de Leis, há seis registrados em seu nome e mais três por meio da Mesa Diretora.

De acordo com a assessoria de imprensa da Câmara Municipal, em Plenário foram aprovados um total de 148 projetos, sendo 33 projetos de lei, três projetos de lei complementar, 93 projetos de decreto, 11 projetos de resolução, todos de autoria dos vereadores, sendo que outros 95 propostas continuam em tramitação para o próximo semestre.

Também foram aprovados oito projetos de autoria do Poder Executivo. Foram rejeitados 17 vetos do Executivo e outros quatro foram mantidos. Em Plenário, foram apresentadas pelos vereadores um total de 8.815 indicações solicitando melhorias para diversos bairros da cidade, sendo que apenas 292 foram respondidas pela Prefeitura.

Peça-chave vai ser notificado no Paraguai e MPE faz alerta sobre Olarte

Aline dos Santos
A Justiça deve usar carta rogatória para notificar Fábio Portela Machinski, denunciado na operação Coffee Break que se mudou para o Paraguai. Na ação, o MPE (Ministério Público Estadual) aponta que ele informou a mudança de Campo Grande para Luque, cidade do país vizinho. “De modo que a sua notificação deve se dar por carta rogatória”.

A carta rogatória é um instrumento jurídico de cooperação entre dois países. Na atual etapa, os denunciado são notificados para apresentação de defesa prévia. O Ministério Público denunciou políticos e empresários por associação criminosa e corrupção para cassar o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP).
Gilmar Olarte foi o primeiro prefeito a ser preso, em exercício da função, na história de Campo Grande
Apontado como negociador de vantagens indevidas para vereadores e peça-chave na Coffee Break, Fábio deixou Campo Grande e virou presidente de empresa no Paraguai.
A mudança de endereço foi anexada no dia 7 de julho ao procedimento cautelar que tramita desde agosto de 2015 na Justiça, quando a operação foi deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).
No fim de 2015, Fábio Machinsky ainda obteve identidade civil paraguaia, mas sem alteração de cidadania. A mudança para o país vizinho foi em primeiro de abril deste ano e comunicada à Receita Federal.
O MPE também se manifestou para que o oficial de Justiça se certifique se o prefeito afastado Gilmar Olarte (Pros) está apenas ausente ou “se ocultando para não ser localizado”. Ontem, a defesa de Olarte informou que ele estava em viagem e, quando retornar, vai pessoalmente à secretaria do TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) para receber a notificação.

Da crise de ciúme ao acerto de contas: número de homicídios cresce em 2016

Enquanto em 2015 foram registrados 66 assassinatos, este ano já são 74 homicídios

Luana Rodrigues

Uma crise de ciúmes, uma briga de bar, uma discussão entre vizinhos ou acertos de conta por dívidas de drogas. Variadas as motivações, o número de assassinatos subiu em Campo Grande de janeiro a julho deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Em 2015 foram registrados 66 homicídios, enquanto esse ano já são 74, de acordo com a Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública). Em uma análise rápida aos casos, é possível perceber que os motivos desses crimes são cada vez mais banais e a frieza dos assassinos, na maioria das vezes confessos, chama a atenção.
Logo no início do ano, uma tragédia em dois atos mobilizou a polícia e chocou amigos e parentes de Vilma Lima, 57 anos, funcionária do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. A mulher foi morta pelo ex-marido, Wilson de Lima, 69, a golpes de faca, dentro da unidade hospitalar.
Na fuga, Lima teria tentado suicídio ao jogar o Celta que dirigia contra um caminhão, que seguia em sentido contrário na BR-262, saída para Sidrolândia. Após a colisão, Wilson recusou abrir o carro para receber socorro, sacou uma faca e apunhalou o próprio peito. Socorrido, ele passa bem, e continua preso pelo crime.

Manicure Jeniffer Nayara Guilhermete de Morais, 22, foi morta a tiros, por ciúmes. (Foto: Reprodução/ Facebook)Manicure Jeniffer Nayara Guilhermete de Morais, 22, foi morta a tiros, por ciúmes. (Foto: Reprodução/ Facebook)
Thais Giedry Borges dos Santos foi degolada na Praça do Rádio. (Foto: Reprodução/ Facebook)Thais Giedry Borges dos Santos foi degolada na Praça do Rádio. (Foto: Reprodução/ Facebook)
Ainda em janeiro, a manicure Jeniffer Nayara Guilhermete de Morais, 22 anos, foi morta a tiros no Inferninho, na saída para Rochedo. Gabriela Santos Antunes e a amiga Emily Karoliny Leite, confessaram o crime, mas disseram que queriam apenas dar um susto na vítima, raspando o cabelo de Jeniffer, por ter se envolvido com um homem que casado.
Alguns dias depois, Thais Giedry Borges dos Santos, também de 22 anos, foi morta com várias facadas no pescoço, rosto e tórax, em plena Praça do Rádio Clube, na Avenida Afonso Pena.
Iris Adriana Barbosa da Silva, 22 anos, ex-namorada da vítima, e Kielvnn de Morais, 24 anos, são acusados pelo homicídio. De acordo com a polícia, os dois confessaram que planejaram o crime, mas Iris disse que só aceitou participar, porque era ameaçada de morte. Já Kielvnn contou que tinha planos de matar mais dois homens, que também tinham contato com a esposa dele, ou seja, na versão dele o crime foi por ciúmes.
Em fevereiro, um adolescente de 17 anos confessou que matou Kleber Silvério de Souza, 39 anos, na esquina das ruas da Tuba e Orquestra, em frente a uma igreja evangélica, no Bairro Tiradentes, em Campo Grande. Segundo a polícia, a vítima tinha envolvimento com o tráfico de drogas e a morte pode ter sido acerto de contas.
Em janeiro, tragédia chocou família e colegas de trabalho de Vilma Lima, 57 anos, morta pelo ex-marido, no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. (Foto: Fernando Antunes)
Em janeiro, tragédia chocou família e colegas de trabalho de Vilma Lima, 57 anos, morta pelo ex-marido, no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. (Foto: Fernando Antunes)
Pouco mais de um mês depois, Carlos Dutra Araújo, 37 anos, foi morto a facadas, no Jardim Imperial, região Norte de Campo Grande. Tudo indica que a confusão começou em um bar no mesmo bairro. A auxiliar de limpeza Ana Paula Gomes da Silva, 22 anos, confessou ter matado a vítima por ciúmes, pois dias antes ele teria passado a mão em sua namorada.
Em junho, o comerciante Anderson Peixoto Novaes de 26 anos, foi morto com pelo menos 20 tiros de pistola 9mm, em um comércio na Rua Clelia Rosa dos Santos, com a Rua Osmar de Andrade, no Jardim Nashiville. A polícia acredita em acerto de contas, como motivo para a execução.
Este mês, dez homicídios dolosos - quando há intenção de matar, já foram registrados em Campo Grande. Entre eles o de Pedro Henrique de Souza Prado, 21 anos, assassinado a tarde, em um campo de futebol, no Jardim Columbia. Ele assistia uma partida de futebol, quando foi atacado por duas pessoas. Um dos suspeitos teria segurado a vítima, enquanto o outro pegou uma faca e desferiu vários golpes.
Intolerância, acerto de contas e ciúmes, também estão entre os principais motivos dos outros nove crimes.
Conte até 10 – Há quatro anos o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) propõe uma iniciativa aos brasileiros que estiverem prestes a cometer um assassinato contra alguém: "Conte até 10. A raiva passa. A vida fica".
Isso porque, segundo um levantamento feito pelo Ministério da Justiça, 80% dos assassinatos cometidos no Brasil são por impulso ou motivos fúteis. Para evitar essas mortes, a campanha propõe contar até dez e manter o controle.
No início deste mês, assassinato foi filmado por moradores, que nada fizeram para salvar a vida de Pedro Henrique de Souza Prado, 21 anos (Foto: Reprodução/ Facebook)No início deste mês, assassinato foi filmado por moradores, que nada fizeram para salvar a vida de Pedro Henrique de Souza Prado, 21 anos (Foto: Reprodução/ Facebook)

Genro de Siufi é denunciado por suposta venda de leitos do SUS no HC

Inquérito apura se médico e funcionária cobravam irregularmente para realizar cirurgias e internações de pacientes com câncer no hospital


O Ministério Público Estadual (MPE) instaurou inquérito civil para apurar eventuais irregularidades praticadas, em tese, por funcionários e médicos do Hospital do Câncer Alfredo Abrão, em Campo Grande.

A intenção é esclarecer se houve pagamento irregular ao médico Fabrício Colacino Silva pela prestação de serviços a seis pacientes, por parte do hospital ou pelo SUS (Serviço Único de Saúde). O oncologista é casado com Rafaela Moraes Siufi Silva, filha do médico Adalberto Siufi, que é o principal alvo da Operação Sangue Frio, da Polícia Federal.

Denúncias apontam que notas fiscais teriam sido subfaturadas, apontando possível prejuízo ao hospital. Conforme apurado, não houve pagamento do médico ao hospital após procedimentos, nem gerada nota fiscal dos serviços hospitalares. A funcionária responsável pelo setor de faturamento teria deixado de cobrar os pacientes através de notas legais, sendo que o próprio médico teria recebido parte dos valores diretamente dos familiares.

Em um dos casos, ocorrido em 2014, a filha de um paciente narra que o seu pai teria sido internado no hospital e, dois dias depois, transferido para um quarto isolado, mediante o pagamento de R$ 8 mil, informado pela chefe do setor de faturamento do hospital, Lana Machado. Alguns dias após a internação, o paciente faleceu e sua filha procurou a chefe de enfermagem para realizar os acertos financeiros, quando foi informada que não havia nenhum valor a ser pago, já que ele teria sido internado pelo SUS.

Posteriormente, a chefe de faturamento teria telefonado para a filha do paciente solicitando seu comparecimento no hospital para realizar o pagamento. Confusa, a mulher citou que havia sido comunicada que não precisaria realizar o acerto, quando a funcionária teria respondido que a informação estava equivocada e foi dita por ‘pessoas não entendiam da administração do hospital e saiam falando bobagens’.

O MPE apurou duas situações distintas, uma delas o fato relacionado à cobrança realizada por Lana, antes da internação e depois do falecimento; e outro fato relacionado ao procedimento cirúrgico realizado pelo médico oncologista, ocorrido cerca de dois meses antes. Para a cirurgia, foi realizado o pagamento dos R$ 8 mil à Blue Med Serviços, com cheque nominal a Fabrício, que é sócio administrador da empresa.

O desfecho do primeiro caso se deu após a confissão da funcionária, que disse ter se apossado de R$ 3.828,04 pagos pela filha do paciente, em cheque nominal ao Hospital de Câncer Alfredo Abrão. A funcionária foi demitida e foi aberto um Inquérito Policial sobre o caso, mas o Ministério Público passou a apurar o funcionamento do sistema de cobranças do hospital, já que havia indícios de não ter sido um caso isolado.

Notas irregulares
A investigação logo apontou que havia uma série de notas fiscais canceladas e não reemitidas no período de abril de 2013 a julho de 2015 pelo hospital. Foram então solicitadas ao diretor da unidade, Carlos Coimbra, informações acerca da realização de auditoria interna para apuração das irregularidades e, à 1ª Delegacia de Polícia Civil, informações sobre o andamento do inquérito que apontava o hospital como vítima de furto qualificado.

Conforme a diretoria do hospital, levantamentos feitos no setor de faturamento e financeiro constataram que não foi emitida nota fiscal da cirurgia realizada pelo médico. Além disso, os honorários pagos ao Servan, serviço de anestesiologia, teriam sido pagos através de cheques pessoais no nome de Fabrício.

Baseado no valor que foi pago ao Servan, R$ 684, o valor dos honorários médicos seria de aproximadamente R$ 1,7 mil e o restante seria pertencente ao hospital para custear as despesas da cirurgia. Pelo fato do médico ter recebido diretamente do paciente o valor de R$ 8 mil, caberia a ele pagar o hospital de suas despesas hospitalares com a internação e cirurgia no particular, o que não ocorreu.

Outros casos
Foi identificado um caso similar em 2013, em que a filha de outro paciente solicitava explicações ao hospital. Na época, como denuncia a mulher, Fabrício disse que o homem precisava realizar uma cirurgia com urgência, mas que no hospital demoraria muito e que, no particular, seria mais rápida e custaria R$ 9 mil. No valor, pago diretamente ao médico, estariam inclusos os honorários dos profissionais e as despesas hospitalares.

O hospital também alega que não recebeu pelo procedimento, não foi gerada nota fiscal dos serviços hospitalares e a responsável pelo setor de faturamento novamente deixou de cobrar o paciente, já que o próprio médico que recebeu dos familiares. O pagamento ao Servan também foi, irregularmente, pago sob o nome de Fabrício.

Além deste, mais quatro familiares de pacientes registraram situação parecida, ocorridas entre 2013 e 2014. Curiosamente, algumas notas fiscais chegaram a ser emitidas ao final de 2014, mas com valores bem abaixo do cobrado pelo médico.

O MPE busca esclarecer se houve pagamento por parte do Hospital de Câncer ao médico pela prestação de serviços e se houve comunicação de internação e realização dos procedimentos para controle por parte da instituição. Para tanto, pede que sejam fornecidas informações completas com a data de internação, alta, valor da emissão da nota fiscal e o valor que deveria ter sido cobrado. A empresa Blue Med e a Polícia Federal também devem dar maiores detalhes sobre os casos.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Perícia em celular deve provar se chefe pediu foto de servidora nua, diz delegada

Em diálogo pelo WhatsApp, diretor teria pedido foto íntima de servidora

Delegada Ariene Murad recorre à perícia para apurar denúncia (Luiz Alberto/Midiamax)Delegada Ariene Murad recorre à perícia para apurar denúncia (Luiz Alberto/Midiamax)


Perícia no aparelho celular da repórter Nilmara Caramalac, que denunciou o diretor-presidente da Fundtur (Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul), Nelson Cintra Ribeiro, por assédio sexual, vai determinar os rumos da investigação, disse a delegada do caso, Ariene Nazareth Murad de Souza Cury.

“Ela [repórter] disponibilizou o celular para que fosse realizada a perícia. Havia uma dúvida se a perícia conseguiria, ou não, recuperar mensagens apagadas, fizemos uma consulta e agora sabemos que isso é viável, portanto, o resultado desta investigação é fundamental na definição da denúncia do suposto assédio sexual”, afirmou a delegada Ariene, titular da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).
Nos diálogos travados com a repórter, por Waths App, Cintra teria pedido fotografias íntimas dela.
Nesta segunda-feira (25), a pedido da delegada, um investigador da Deam tentava localizar a repórter para pegar o celular e levá-lo para os peritos.
De acordo com a denúncia, Nilmara disse ter sofrido assédio sexual durante uma série de reportagem que produzia para a TVE, em cidades por onde passou a tocha olímpica.
Numa das investidas do chefe da Fundtur, assegura a repórter, ele a convida para ir até um quarto, onde Nilmara e a equipe havia se hospedado, em Dourados. Noutra, por Waths App, Nelson Cintra pede à repórter uma fotografia íntima dela.

VERSÃO

Nelson Cintra não quis comentar a denúncia publicamente. Por meio do advogado, ele divulgou nota dizendo que não ia se pronunciar. O governo estadual também ficou no silêncio. Semana passada, logo depois de a repórter registrar o caso na polícia e dar entrevista ao Midiamax, o governo publicou portaria no Diário Oficial informando que Nilmara seria transferida da TVE para a Secretaria de Estado da Casa Civil. A repórter afirma que ainda não foi informada sobre essa decisão.

TESTEMUNHAS

Nilmara diz que diálogos foram gravados em seu celular (Cleber Gellio/Midiamax)Nilmara diz que diálogos foram gravados em seu celular (Cleber Gellio/Midiamax)


A delegada disse ainda que deve ouvir nos próximos dias, sem precisar a data exata, cinco testemunhas do suposto crime de assédio sexual, entre os quais o ex-prefeito de Porto Murtinho. Ela informou que a agenda [de depoimentos] está lotada, mas que o caso em questão será tratado com prioridade.
O diretor-presidente da TVE, o jornalista Bosco Martins, chefe direto de Nilmara, também será convocado, sustenta a delegada. A repórter era nomeada e atuava na TV desde o início do ano.
A ideia de Ariene é, também, apurar se no dia que a repórter fora supostamente assediada havia entre ela e Cintra um vínculo hierárquico, fato relevante que pode, ou não, fortificar a questão do assédio sexual.
Do contrário, se não houver esse vínculo, o caso pode ser tratado como contravenção penal de importunação ofensiva ao pudor. Nos dois casos, os crimes são classificados como infração de menor potencial ofensivo, conceito jurídico que designa os crimes de baixa relevância. Condenação aplicada a estes crimes não supera a casa dos dois anos.

VÍNCULO

De acordo com a repórter, ela e sua equipe – um motorista, um cinegrafista e um fotógrafo da Fundtur -, viajaram juntos para ao interior do Estado a mando de Nelson Cintra. Nos deslocamentos de uma cidade para outra, de carro ou avião, o ex-prefeito seguia com a equipe.
Isto é, a equipe, sustentou Nilmara, foi comandada por Cintra “o tempo todo”. O propósito do diretor-presidente da Fundtur era o de produzir matérias nos pontos turísticos das cidades visitadas pela equipe.
Depois de recusar os convites que caracterizariam assédio sexual, segundo a repórter, ela passou a ser “destradada” pelo chefe da Fundtur, na viagem.
No caminho, depois de rejeitar o convite para seguir até o quarto de hotel, disse ela, o diretor da Fundtur disparou um ligação telefônica para o diretor da TVE pedindo a demissão da repórter.

Filha de Puccinelli é inocentada em investigação ‘caça-fantasmas’

Jovem comprovou que trabalha regularmente na Assembleia Legislativa


Foto: Reprodução/André de Abreu
Foto: Reprodução/André de Abreu
O Ministério Público Estadual arquivou procedimento administrativo para apurar se a filha do ex-governador André Puccinelli (PMDB), Denise Puccinelli, seria “servidora fantasma” na Assembleia legislativa de Mato Grosso do Sul. Ela foi nomeada para o gabinete do também peemedebista, deputado estadual Eduardo Rocha.

A 30ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da comarca de Campo Grande informou que realizou as medidas necessárias para averiguar eventual ato de improbidade administrativa no fato de Denise supostamente estar recebendo salários sem a devida prestação de serviços ao órgão em que está cedida, mas nada encontrou.

“Comprovadamente a servidora compareceu ao serviço na Assembleia Legislativa, tendo a referida Casa de Leis encaminhado esclarecimentos relativos ao fato, juntamente com as folhas de frequência da funcionária dos meses de fevereiro de 2015 a fevereiro de 2016. Assim, não há que se falar em ato de improbidade administrativa, tampouco em dano ao erário”, diz o MPE.

Denise Puccinelli é servidora concursada do Ministério Público Estadual e foi cedida para o gabinete do deputado Eduardo Rocha em 25 de fevereiro de 2015. A cedência é sem ônus para origem, logo Denise recebe o salário da Assembleia Legislativa no cargo de Assessora de Gabinete Parlamentar XIX’’, símbolo PLAP.07.19, com ganhos de R$ 7 mil.

Queixas contra padre colocam fiéis em pé de guerra com Arquidiocese

Há quem queira a substituição do pároco e integrantes da comunidade que suspeitam de gastos; Dom Dimas fala em ‘chantagem’

Anahi Zurutuza e Fernanda Mathias
Padre Odair durante uma missa (Foto: Reprodução/Facebook)Padre Odair durante uma missa (Foto: Reprodução/Facebook)
A suposta frieza do pároco da Catedral Santo Antônio na relação com seus fiéis, além da suspeita sobre como o dinheiro da paróquia está sendo gasto, colocaram membros da comunidade 'em pé de guerra' com a Arquidiocese de Campo Grande. Há quem queira a “demissão” do padre, enquanto o arcebispo metropolitano, dom Dimas Lara Barbosa, fala até em chantagem. 
Para piorar a confusão, o grupo de 15 pessoas que fez as denúncias não tem apoio de outros integrantes da comunidade.
A reforma para deixar o quarto luxuoso, um carro de R$ 90 mil para uso da paróquia, roupas de grife e aulas de ginástica em uma academia de alto padrão estão entre as condutas incompatíveis ao propósito da batina denunciadas por fiéis ao arcebispo. As suspeitas levantadas sobre o comportamento do padre Odair de Souza Costa, sacerdote há 21 anos, desde 29 de junho de 1995, foram levadas a dom Dimas em maio deste ano.
A ata da reunião, que durou duas horas e meia e foi realizada entre 15 integrantes da comunidade e o chefe local da Igreja Católica, foi registrada no 4º Ofício de Campo Grande no dia 5 deste mês. Conforme consta no documento, que é público, o encontro foi gravado e posteriormente transcrito.
Este é um dos pontos de conflito. Em nota divulgada na tarde de segunda-feira (25), o arcebispo afirma que não autorizou a gravação da reunião entre o grupo e ele.
Queixas - Na conversa, paroquiano identificado na ata como Willian Vogado Riquelme afirmou que o padre “tem um discurso bonito”, mas, que não condiz com o comportamento dele.
Ele contou que o pároco, assim que assumiu, arrumou confusão com o departamento financeiro, pois pedia que fossem entregues a ele cheques em branco. “Ele fez exigências de estrela”, disse.
Para Willian, Odair não entende que “além de ser honesto, um padre tem de parecer honesto”.
Os autores das queixas disseram ao arcebispo que a reforma do quarto na casa da paróquia não tem serventia para a Igreja, nem o tal carro de R$ 90 mil, que eles não detalham a marca e modelo.
Um fiel, que pede para não ser identificado, diz que o comportamento ríspido do padre começou a gerar desconfiança da comunidade.
O arcebispo de Campo Grande ouviu reclamações de fiéis em maio (Foto: Fernando Antunes)O arcebispo de Campo Grande ouviu reclamações de fiéis em maio (Foto: Fernando Antunes)
Dom Dimas – Por várias vezes, o arcebispo esclarece situações questionadas durante a reunião. Em resumo, afirma que o padre está em dia com as prestações de contas. “Não me pareceu que havia algo suspeitável”, afirmou aos fiéis, conforme a transcrição na ata.
O bispo diz ainda que esteve na casa paroquial e que a residência não lhe pareceu luxuosa, mas que ele não entrou no quarto do pároco. “Confesso que fiquei um pouco confuso com todas estas declarações”.
Neste momento, a fiel identificada como Raquel Rosato afira que tem a impressão “que passam uma situação maquiada para o senhor”, referindo-se às contas prestadas. 
Na nota divulgada ontem, o arcebispo disse que no fim da reunião, o advogado Luiz Fernando Lopes Ortiz pede a substituição do pároco. “Me advertiu dizendo conhecer o Direito Canônico, e que se eu não tomasse nenhuma providência, ele saberia recorrer a instâncias superiores”, explicou dom Dimas.
O bispo afirma que chamou o padre Odair para conversar. Para o arcebispo, a postura de Luiz Fernando soou como ameaça e chantagem.
“Diante de tudo isso, venho publicamente repudiar esse tipo de comportamento, e expressar meu vivo desejo e orações para que a concórdia reine em nossa Igreja. Divergências se resolvem na base do perdão e do diálogo, e não com esse tipo de pressão”, concluiu o arcebispo.
No domingo (24), outro grupo de fiéis também publicou no site da arquidiocese nota de repúdio aos que foram até ao bispo para fazer denúncias contra o pároco.
Viagem – O padre estava na Europa até a semana passada. A última postagem em sua página no Facebook foi na quarta-feira (21). Ele publicou fotos do dia que passou em Assis, na Itália. Na terça-feira (19), ele postou fotos em Roma, no Vaticano, onde participou de celebrações religiosas.
A reportagem tentou contato com o padre Odair, por meio de telefone celular que consta no site da Arquidiocese, mas a ligação chamou até cair.