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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Briga de Bernal em Campo Grande favoreceu indústria pornográfica

Sites conseguiram controlar acesso a conteúdo particular

Sem querer, o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), contribuiu para o lucro de sites de conteúdo pornográfico. Isso porque uma ação judicial do ex-prefeito, que levou à detenção  um dos diretores do Google, durante a campanha eleitoral de 2012, acabou facilitando a briga contra a pirataria de conteúdo pornográfico na internet brasileira.
A informação é de um dos diretores de uma produtora de conteúdos pornográficos, Fábio Dias. Em entrevista ao site UOL, ele falou do lucro gerado para sites de conteúdo pornográfico após ação judicial impetrada por Bernal durante a campanha em 2012.
A ação de Bernal, solicitando retirada de críticas do Google, fez a Polícia Federal deter o diretor-geral do Google Brasil, Fábio Coelho, e acabou mudando a política de privacidade deste tipo de conteúdo na internet brasileira. Segundo Fábio Dias, antes os empresários enviavam link solicitando a retirada, mas nada acontecia. Após o episódio, eles conseguiram ter controle do conteúdo privado.
Fábio Dias refere-se ao DMCA, conjunto de regras e leis sancionada nos Estados Unidos em 1998 para ampliar a proteção de direitos autorais na internet. Lá nos Estados Unidos o recurso começou a ser levado mais a sério após uma briga envolvendo a Megaupload, que representou perdas milionárias aos donos da copyright.
A briga fez sites conhecidos na indústria pornográfica, como Pornhub e o XVideos, entraram em um acordo para incluir um formulário de DMCA autorizando  a notificação e retirada dos mecanismos de busca do Google de conteúdos publicados sem autorização.
No Brasil os sites começaram a conseguir o bloqueio das contas após a ação de Bernal. Na época o ex-prefeito de Campo Grande entrou com recurso pedindo a retirada de conteúdo que o apontavam como incentivador de aborto, além de relação com crimes de embriaguez, lesão corporal contra menor, enriquecimento ilícito e preconceito contra os mais pobres. A prisão foi decretada pelo juiz Amaury da Silva Kuklinski, do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul.

quinta-feira, 19 de março de 2015

A televisão que assistimos e os políticos que elegemos


Por Érica Daiane Costa  
Duas coisas me inspiraram a escrever este texto: a revolta de um deputado baiano expressada no plenário da Assembleia Legislativa e as cenas do último capítulo da novelaImpério.
Cresce a cada dia o número de pessoas que reconhece o poder da mídia, sua influência na vida das pessoas, muitas vezes moldando comportamentos, formando opiniões, direcionando o voto. A internet é um elemento bastante favorável a esta tomada de consciência. Porém, há ainda muito que avançar, pois ainda há também uma enorme parcela da população que sequer questiona este papel poderoso dos meios de comunicação de massa, com forte destaque para a televisão.
Os telejornais, novelas, programas de humor e outros “entretenimentos” são campeões em disseminar gostos, modas, preconceitos, posições políticas, seja de forma explícita ou embutida em seus conteúdos, sempre tão atrativos para o público que mantém fiel a audiência. Mesmo acessando internet, realizando tarefas domésticas, comendo em casa ou em um restaurante, conversando na sala em família ou com visitas, paralelamente a isso sempre mantemos o aparelho de TV ligado. Não é novidade que no Brasil a maior parte desta audiência vai para a Rede Globo de Televisão, grande aliada da ditadura militar. Sim, pois havia um objetivo em comum entre o regime militar e as empresas de comunicação: instigar o crescimento do sistema capitalista no Brasil. Para isso, era estratégico o aumento do consumo, de produtos e de ideias.
Para o governo militar, a TV, principalmente, seria um meio para se criar uma desejada integração nacional, inclusive em combate a quem quisesse “desagregar” a sociedade com ideologias diferentes das do regime militar e do capitalismo. Isso vem junto com a expansão da energia elétrica nas zonas urbanas e rurais e com o aumento da produção dos aparelhos de televisão.
Sem interesse na mídia educativa
Isso explica o porquê de até hoje ser tão comum a falta de pluralidade da televisão brasileira. Apesar do capítulo V da Constituição Federal de 1988 (Art. 220 a 224) tratar da obrigatoriedade dos meios de comunicação darem preferência aos conteúdos educativos, artísticos, culturais, regionalizar a produção jornalística, divulgar a produção independente etc., o que se vê é a imposição da ideologia de poucas famílias ou grupos empresariais que violam mais um item da Carta Magna e formam os monopólios e oligopólios da comunicação no Brasil.
E o que nosso voto tem a ver com isso? Tudo. Dois fatos me chamaram atenção. Li uma matéria acerca da postura do deputado baiano Adolfo Menezes (PSD), que fez um pronunciamento na Assembleia Legislativa indignado com uma cena da novela globalImpério. Segundo ele, saiu da sala constrangido com a cena de um beijo entre dois homens em um dos capítulos da última semana da novela e ainda disse que já viajou ao lado de um casal homossexual em um avião e precisou tomar calmante para dormir. Mas vendo partes do último capítulo de Império, me veio uma inquietação: será que o deputado fará pronunciamento sobre as cenas de violência da novela? No último dia houve sequestro, assassinato e, ao longo de toda a trama, houve inúmeras situações de violência.
Falso moralismo. Infelizmente é essa a postura de muitos políticos com mandato e de muitos/as telespectadores/as. Não apenas com relação à homossexualidade, mas a outros tipos de desrespeito aos direitos humanos, à diversidade, às liberdades. E a reforma da mídia, será que o nobre deputado Adolfo Menezes sabe o que é? Qual será a posição dele? São poucos as/os parlamentares que levantam esta bandeira. Hoje se fala em reforma na comunicação no Brasil, mas não é motivo pra gente se animar – não sem antes mudar nossas decisões nas urnas.
Hoje, a maior parte da Câmara dos Deputados e do Senado é cria da Rede Globo, da ditadura militar e de outras estruturas de poder que não têm interesse algum numa mídia educativa, progressista, comprometida com a diversidade brasileira e pluralidade de ideias de todas e todos que fazem esta nação.
Sigamos persistindo e ajudando a descortinar olhares e estimular atitudes de mudança.
***
Érica Daiane Costa é jornalista

COMO UMA NOVELA PODE INFLUENCIAR SUA VIDA

Virou um hábito, um costume sentar-se para assistir aquela novela favorita, onde existe um mundo perfeito. Creio que este costume também seja uma forma de sair da realidade que não é tão perfeita como nas novelas, mas de toda forma acaba influenciando nossas vidas para o bem ou para o mal. Nos últimos tempos comecei a analisar sobre o assunto com mais intensidade, não que não goste de novelas, mas passei a assistir com um olhar mais critico.
As novelas, sobretudo as novelas da Rede Globo são assistidas por milhões de brasileiros, que inconscientemente apreendem muitos valores e ideologias cultuadas, que ditam moda, linguagem, hábitos e contribui para uma forma de pensar distante da realidade.
Segundo pesquisas do BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento – as novelas brasileiras ajudaram a moldar as ideias das mulheres sobre divórcio e filhos de maneira crítica, este é um dado muito positivo para a sociedade. Houve uma diminuição na taxa de fertilidade e um aumento no numero de divórcios nas décadas de 70 e 80. A televisão desempenha um papel crucial na circulação de ideias, em particular em nações em desenvolvimento com uma forte tradição oral, como o Brasil.
Os artigos sugerem que alguns programas de televisão podem ser uma ferramenta para transmitir mensagens sociais muito importantes que ajudem, por exemplo, a lutar contra a disseminação da epidemia de AIDS e promover a proteção dos direitos de minorias.
Pela primeira vez, a Globo abordou este tema numa novela, “Páginas da Vida” exibida em 2006, no horário das 21h com o personagem Gabriel (Miguel Lunardi), paciente portador do vírus HIV. Na trama o personagem foi rejeitado pela irmã Má (Marly Bueno), que não queria saber de pacientes com AIDS em seu hospital. Assunto polêmico sobre o preconceito, além de trazer a discussão sobre AIDS para os lares brasileiros. Outro exemplo atual é da novela “Guerra dos Sexos” que aborda a eterna briga entre homens e mulheres – não que eu seja a favor desta guerra se é que ainda existe da mesma maneira que 30 anos atrás. Esta novela trata não somente da evidente inserção das mulheres no mercado de trabalho, mas também do poder que ela ganhou como observamos na economia, na política, nos costumes.
Por outro lado, a novela pode também influenciar negativamente as pessoas. Neste caso não há estudo ou pesquisas, como disse inicialmente são observações feitas a partir de uma análise critica. A novela em questão é o sucesso de “Avenida Brasil”, onde ocorre a inversão de valores, tendo a maldade como verdadeira protagonista.
A vingança, o ódio e traição faziam parte do elenco principal. Com um texto e cena onde o um dos personagens chama a mãe de “vadia” e também espanca o pai explicitamente. Cenas assim devem ser realmente repensadas antes de serem colocadas ao ar, porque mesmo que haja uma faixa indicativa pela idade, bem sabemos que crianças e adolescentes estão vendo, e isso pode sim – pela pesquisa feita e colocada acima – mudar seus hábitos, seus costumes, para um lado negativo.
O papel da TV é trazer informações, entreter, interagir. E a novela faz isto muito bem. É necessário trazer mais temas atuais, dialogar com o público de maneira mais inteligente, é necessário também que os autores e a rede de televisão tenham cuidados com determinados temas relacionados com a violência, e, portanto pensar bem no como colocar essas cenas ao ar.
Realmente ficam perguntas no ar. Como por exemplo, caso não se tome o cuidado necessário na veiculação dessas cenas, nossos jovens podem mesmo agir desta forma? E também até que ponto a vida imita a arte. Enfim, minha intenção é fazer uma reflexão sobre influência das novelas a vida das pessoas. E você o que acha? Será que elas realmente influenciam nossa vida, nosso cotidiano, nossa maneira de pensar?
* Marilúcia Santos