segunda-feira, 28 de março de 2016

Lula diz que não divulga suas palestras no YouTube porque estão em segredo de justiça

ATIBAIA – Alvo de constantes piadinhas de mal gosto oriundas de setores golpistas da sociedade, o ex-presidente Lula lacrou no início da tarde de hoje, e calou a boca suja dos reaças de plantão, que duvidavam que ele houvesse proferido inúmeras palestras no Brasil e no mundo, recebendo como pagamento barras de ouro (que valem mais do que dinheiro), justificam, desse modo, a origem de sua fortuna.
“Nunca divulguei minhas palestras no YouTube, porque estão em segredo de justiça. Já pensou se eu divulgo a palestra, alguém faz o download e exibe por aí? Ninguém mais vai me chamar para palestrar”, explicou o ex-presidente.
A justificativa foi aplaudida pelo Advogado Geral da União, que disse que “depois dessa, os inquéritos contra Lula devem ser todos arquivados e ele poderá assumir o ministério imediatamente”.
Nossa equipe tentou ouvir a opinião de vários golpistas, mas não obteve sucesso, certamente por não ter como refutar as declarações do melhor presidente da história deste país e homem mais honesto da nação.
  • Sugerido por Guilherme Almeida

Dilma e Temer disputam apoio de ministros do PMDB


Presidente reuniu seis dos sete ministros do partido no Palácio do Planalto.
Vice busca ministros a fim de atraí-los para a tese de romper com governo.


Nathalia Passarinho e Filipe MatosoDo G1, em Brasília
Na véspera da reunião do diretório nacional em que o PMDB vai decidir se deixará oficialmente o governo, a presidente Dilma Rousseff faz os últimos esforços para assegurar, ao menos em parte, o apoio dos ministros peemedebistas contra a ruptura. Nesta segunda-feira, ela recebeu no Palácio do Planalto seis dos sete ministros do partido.
Em outra trincheira, o vice-presidente da República, Michel Temer, presidente nacional do PMDB, busca apoio unânime para o rompimento com o governo. Afastado da presidente desde o fim do ano passado, Temer tem usado o Palácio do Jaburu – residência oficial da Vice-Presidência – como "quartel-general" das últimas articulações para que o partido abandone de vez o governo federal.
Ofensiva de Dilma
Na manhã desta segunda, a presidente chamou ao seu gabinete no Palácio do Planalto seis dos sete integrantes do partido aliado no primeiro escalão.
Participaram da audiência os ministrosEduardo Braga (Minas e Energia), Mauro Lopes (Aviação Civil), Marcelo Castro (Saúde), Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), Henrique Alves (Turismo) e Hélder Barbalho (Portos). O encontro durou cerca de uma hora.
G1 apurou que somente a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, não estava presente à conversa com Dilma porque teve de viajar às pressas para Goiânia para o enterro de um familiar.
Um dos ministros do PMDB que compareceu à reunião relatou ao G1 que, durante a audiência, eles fizeram um "mapa" dos votos dos diretórios estaduais do partido.
"Assim como nas reuniões anteriores com a presidenta, avaliamos o cenário como um todo no PMDB e fizemos um mapa de como deverão votar os diretórios", disse o ministro sob a condição de anonimato.
"Discutimos a reunião de amanhã [terça]. Avaliamos cenários e definimos estratégias", acrescentou outro ministro do PMDB que também não quis se identificar.

Segundo o
 G1 apurou, Temer ressaltou no encontro com Braga que já existe ampla maioria a favor do desembarque do governo e, em razão disso, defendeu que a legenda adote uma posição unificada na reunião desta terça (29) da executiva nacional para demonstrar uma imagem de união.Articulações de Temer

Na manhã desta segunda-feira (28), o vice-presidente se reuniu, no Jaburu, com o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB-AM), pouco antes de Braga se reunir com Dilma no Palácio do Planalto.
Na eventualidade de Dilma vir a ser afastada da Presidência por um processo de impeachment, o vice assumirá o comando do país por ser o primeiro na linha de sucessão.
Após a conversa com o ministro de Minas e Energia, Temer se reuniu no Jaburu com os ex-ministros da Aviação Civil Eliseu Padilha e Moreira Franco, dois de seus aliados mais próximos.
O vice-presidente deve aproveitar o dia para conversar com outros ministros do partido e com parlamentares peemedebistas.
O objetivo é evitar uma divisão entre ministros do PMDB e demais integrantes do partido na votação da moção que defende o rompimento com Dilma.
Diretório do PMDB
Segundo apuração do G1, até este domingo, 11 diretórios estaduais sinalizavam que seus integrantes votarão a favor do desembarque do PMDB do governo Dilma Rousseff na reunião desta terça-feira.
Somente um diretório, o do Maranhão, defendeu a manutenção da aliança. Outros 11 afirmaram que ainda não tinham posicionamento definido. O G1 não conseguiu contato com representantes do partido em quatro estados (Ceará, Pará, Roraima e Rondônia).

Expectativa sobre decisão do PMDB mobiliza meio político na semana

Diretório nacional decide nesta terça-feira se partido deixará o governo.

Sessão da Câmara nesta segunda contará prazo para defesa de Dilma.

Fernanda Calgaro e Gustavo GarciaDo G1, em Brasília

O diretório nacional do PMDB deve confirmar nesta terça-feira (29), em uma reunião na Câmara dos Deputados, o desembarque já esperado do governo da presidente Dilma Rousseff.
Se confirmado o rompimento do partido com o governo, a sessão do Congresso marcada para o mesmo dia para analisar vetos presidenciais poderá servir como prova de fogo para o Palácio do Planalto.

Segundo apuração do G1, até este domingo, 11 diretórios estaduais sinalizavam que seus integrantes votarão a favor do desembarque do PMDB do governo Dilma Rousseff na reunião de terça-feira. Somente um diretório, o do Maranhão, defendeu a manutenção da aliança, enquanto outros 11 afirmaram que ainda não tinham posicionamento definido.
G1 não conseguiu contato com representantes do partido em quatro estados (Ceará, Pará, Roraima e Rondônia).
A eventual saída do PMDB, maior partido aliado, também preocupa o governo devido à possibilidade de um “efeito dominó” entre outros partidos da base aliada, com reflexos na comissão especial do impeachment, que analisa o pedido de afastamento da petista.
Nesta segunda-feira, em uma situação incomum, está prevista uma sessão deliberativa no plenário, convocada pelo presidente da CâmaraEduardo Cunha (PMDB- RJ).
O objetivo é contar mais um dia no prazo para a presidente entregar a sua defesa. Se houver sessões todos os dias da semana, conforme o plano de Cunha, a data final será dia 4 de abril.

Rosso explica que o encontro não tem como objetivo tirar dúvidas sobre a decisão, mas apenas mostrar à corte que as regras estabelecidas pelo tribunal estão sendo seguidas.
Ainda nesta segunda, o presidente da comissão, deputado Rogério Rosso (PSD-DF), e o relator, Jovair Arantes (PTB-GO), farão uma visita de cortesia ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, relator da ação sobre o rito do impeachment.

Ainda nesta semana, os líderes partidários deverão definir, após dois adiamentos, a distribuição das vagas nas comissões permanentes da Casa, entre elas a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cujo comando é cobiçado por vários partidos.

Na pauta de votações, um dos principais projetos é um que estabelece novas regras para orefinanciamento das dívidas dos estados com a União, o que poderá desafogar um pouco os estados endividados.

Senado
A decisão do PMDB sobre a possível saída do governo também deve repercutir no Senado nesta semana.
O partido conta com 18 senadores, entre eles o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Na semana passada, Renan repetiu que, por ser o presidente do Congresso, adota uma “postura de independência” com relação ao governo federal.

O peemedebista, no entanto, deu uma declaração que desagradou a setores do partido que pedem o desembarque da sigla da base governista.
Após se reunir com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele disse que um impeachment sem provas tem outro nome. Ele não usou a palavra “golpe”, mas causou mal-estar na ala mais rebelde do partido.

Vetos presidenciais
Também na terça-feira, deputados e senadores se reúnem em sessão conjunta do Congresso para analisar 16 vetos presidenciais.
Entre os itens da pauta, há vetos ao polêmico projeto que trata da repatriação de recursos no exterior. A presidente vetou a possibilidade de pessoas que não tenha sido definitivamente condenadas pela Justiça repatriarem recursos no exterior. A proposta aprovada pelo Congresso proibia apenas pessoas com condenação transitada em julgado.  

Os parlamentares precisam avaliar também vetos presidenciais ao texto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A presidente vetou o ponto que proíbe o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de financiar obras no exterior, entre outros dispositivos. 

Se o PMDB decidir deixar o governo, esta vai ser a primeira sessão do Congresso em que a legenda estará fora da base aliada, o que pode influenciar parlamentares do partido a votarem pela rejeição dos vetos presidenciais.

Medidas provisórias
Já a pauta do Senado está trancada por duas medidas provisórias, que precisam ser votadas antes de outros projetos.

Uma delas trata de garantias a bancos para contratos de financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida feitos com desconto do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

A outra medida provisória abre crédito extraordinário, no valor de R$ 1,3 bilhão, para nove ministérios e para transferências de verbas da União para os estados e municípios.
Está na pauta do Senado ainda uma proposta de emenda à Constituição (PEC), de autoria do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que restringe o número de cargos comissionados na administração pública.
Delcídio vídeo delação (Foto: Reprodução)Delcídio está licenciado do Senado
(Foto: Reprodução)
Delcídio
O Conselho de Ética do Senado marcou também para terça-feira uma sessão para ouviros envolvidos na gravação que resultou na prisão do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) na Operação Lava Jato, mas, segundo o relator do caso, Telmário Mota (PDT-RR), eles não são obrigados a prestar depoimento.

A gravação foi feita pelo filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, Bernardo Cerveró. Participaram da conversa registrada, além de Delcídio e Bernardo, o advogado Edson Ribeiro, que à época defendia Nestor Cerveró, e o ex-chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira.

No áudio, Delcídio oferece um plano de fuga ao ex-diretor da Petrobras em troca do seu silêncio.

No Conselho de Ética, Delcídio é alvo de uma representação que pede a cassação do seu mandato.

O conselho também marcou para 7 de abril uma nova sessão para ouvir Delcídio. A oitiva do senador já havia sido marcada para a última quarta-feira (23), mas o ex-líder do governo renovou a sua licença médica até 6 de abril e não compareceu.

Temer 'será o próximo a cair' se Dilma sofrer 'golpe', diz líder do governo


Humberto Costa usou tribuna do Senado para criticar postura do PMDB.

Partido definirá nesta terça-feira se desembarcará do governo Dilma.

Laís AlegrettiDo G1, em Brasília
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Humberto Costa concede entrevista coletiva no Senado (Foto: Laís Alegretti/ G1)Humberto Costa concede entrevista coletiva no Senado (Foto: Laís Alegretti/ G1)
Um dia antes de o PMDB decidir se deixará ou não a base aliada do Planalto, o líder do governo noSenado, Humberto Costa (PT-PE), subiu à tribuna do plenário para dizer que o vice-presidente Michel Temer “será o próximo a cair” caso a presidente Dilma Rousseff sofra o que ele chamou de um “golpe constitucional”.
Nesta segunda-feira (28), Dilma faz os últimos esforços para assegurar, ao menos em parte, oapoio dos ministros peemedebistas contra a ruptura. Ela recebeu no Palácio do Planalto seis dos sete ministros do partido. Ao mesmo tempo, Temer, presidente nacional do PMDB, busca apoio unânime para o rompimento com o governo.
A decisão sobre se o PMDB permanece ou não no governo será tomada em reunião marcada para esta terça-feira (29), em Brasília.
“Não pense que os que hoje saem organizados para pedir ‘Fora, Dilma’ vão às ruas para dizer ‘Fica, Temer’, para defendê-lo. Não. Depois de arrancarem, com um golpe constitucional, a presidenta da cadeira que ela conquistou pelo voto popular, essa gente vai para casa porque estará cumprida a sua vingança e porque não lhe tem apreço algum. E, seguramente, Vossa Excelência [Michel Temer] será o próximo a cair”, afirmou Humberto Costa na sessão desta segunda-feira.

“Não se pode entender uma atitude dessa natureza, senão pelo viés escancarado do oportunismo”, disse.
Reunião do PMDB

Humberto Costa classificou como uma “esquizofrenia” o PMDB, partido presidido pelo vice-presidente, se reunir para decidir se fica ou se sair do governo. Segundo ele, isso é “algo impensável em qualquer sistema presidencialista sério do mundo”.
Em seguida, o senador petista afirmou que espera que as principais lideranças do PMDB tenham “responsabilidade e equilíbrio” durante a reunião da sigla.
“Não quero aqui imaginar que – em desapreço ao papel constitucional que exerce e ao papel institucional que tem como presidente do PMDB – o vice-presidente da República Michel Temerconspurque a própria biografia em uma conspiração para destruir a chapa pela qual se elegeu, ao trabalhar para derrubar a sua titular”, afirmou.
Humberto Costa disse que, se confirmada, essa atuação de Temer pelo rompimento com o governo Dilma seria “um ato de ignorância sem tamanho” e “um suicídio político”.
Base aliada
Em entrevista após discurso no plenário, Humberto Costa disse que a possível saída do PMDB do governo pode levar o governo a buscar apoio de partidos "que sejam leais".
"A saída do PMDB pode abrir espaço para participação mais decisiva de outros partidos que sejam leais ao governo, que tenham quadros políticos qualificados para o exercício da elaboração e da aplicação dessas políticas públicas. Não queremos que o PMDB saia, achamos que seria equívoco se isso acontecesse, mas, se sair, buscaremos sustentação política com outros partidos que nos têm sido fieis", afirmou.
Manifestações
Ao dizer que Temer seria o próximo a cair, Humberto Costa afirmou que o PT e seus apoiadores fariam manifestações contra um "acordão político" que, segundo ele, submete a Constituição a "caprichos" e "ambições" de algumas pessoas.
"Para denunciar a ruptura da ordem democrática e dizer que não aceitamos qualquer tipo de golpe, seja ele por meio de armas e tanques, seja por um acordão político que submeta a Constituição aos caprichos eleitorais e às ambições desmedidas de alguns poucos", explicou.
Humberto Costa disse que o governo lutará "até o último momento" pela manutenção da ordem democrática. "Mas, se mesmo assim, for violentado o Estado de Direito, nós estaremos nas ruas no mesmo dia porque não vamos aceitar soluções à margem da Constituição", disse.
"O vice-presidente da República precisa ter isso em conta. Não caia nesse canto da sereia. Não seja, como no poema de Machado de Assis, o poleá que se encanta pela Mosca Azul. Se Vossa Excelência sucumbir a essa vendeta em curso contra a presidenta Dilma, estará levando o Brasil inteiro a ser tragado por uma maré de forte instabilidade, e o país e a sua biografia não merecem isso", completou Humberto Costa.

Após protesto, Prefeitura decide ouvir servidores e tentar evitar greve

Há mais dois anos sem reajuste, servidores pedem 15% de aumento

Alberto Dias

Após gritos e panelaço, Secretário de Governo, Paulo Pedra, sai da Prefeitura para conversar com um dos três sindicatos que representam os 22 mil servidores municipais. (Foto: Fernando Antunes)
Durante manifesto esta manhã em frente à Prefeitura, protagonizado por servidores administrativos daEducação, a Administração Municipal aceitou se reunir com representantes do Sisem (Sindicato dos Servidores Municipais de Campo Grande) para debater os 48 pedidos entregues em ofício datado de 25 de fevereiro. O encontro acontece na próxima quarta-feira (30), às 16 horas, no Paço Municipal e terá como principal assunto a defasagem salarial da categoria que, sem reajuste em 2015, pede 15% de aumento para este ano.

Caso não haja acordo, as escolas municipais e Ceinfs (Centro de Educação Infantil) de Campo Grande devem amanhecer fechadas a partir desta quinta-feira (31), com a deflagração de greve, segundo informou o presidente do Sisem (Sindicato dos Servidores Municipais de Campo Grande), Marcos Tabosa, durante o protesto que durou cerca de 1h30 e reuniu mais de 200 sindicalizados.

No local, manifestantes gritavam, em coro, “desce Bernal, desce Bernal” reclamando de descaso por parte da gestão municipal. Representando o prefeito Alcides Bernal, o secretário de governo, Paulo Pedra, foi ao estacionamento conversar com as lideranças e agendar a reunião. À imprensa, explicou que recebeu o ofício e que já estudam um reajuste para todos os servidores, que deve ser anunciado ainda esta semana. “Todos os sindicatos mandam ofício, mas quando querem uma reunião eles ligam e a gente marca. Todos têm meu celular e ninguém me ligou”, justificou o secretário.

Integrantes do Sisem rebateram alegando que "uma instituição deve tratar com outra instituição de maneira oficial e não por telefonemas". Conforme a direção do Sindicato, não são a favor da greve apenas os agentes municipais de saúde. “Hoje representamos 10,5 mil servidores, e a apenas dois mil não aceitaram o movimento grevista. A maioria está bastante insatisfeita”, reforçou Marcos Tabosa, que deu voz ao protesto, com microfone e carro de som. Conforme ele, rumores dão conta de um reajuste na ordem de 7%, abaixo da inflação, e que não será aceito. 

Dilma, Delcídio, Lula e até Olarte compõem lista para o 'judas' de MS

No entanto, tradição praticamente sumiu em Campo Grande

Segundo a bíblia, Judas Iscariotes traiu Jesus por 30 moedas de ouro / ReproduçãoSegundo a bíblia, Judas Iscariotes traiu Jesus por 30 moedas de ouro / Reprodução



Uma pesquisa informal realizada pelo Jornal Midiamaxapontou que a presidente Dilma Roussef deveria ser o 'judas' de MS, em alusão à tradição de 'malhar o judas' no sábado de aleluia, durante a semana santa. A lista também traz o senador Delcídio do Amaral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e até o vice-prefeito afastado de Campo Grande, Gilmar Olarte.
A tradição de malhar o judas refere-se à praxe de confeccionar um boneco em tamanho real, que é exposto em via pública durante o Sábado de Aleluia, no caso, hoje (26), e queimado ao pôr-do-sol, conforme narra a bíblia, sobre o apóstolo Judas Iscariotes, que traiu Jesus Cristo por 30 moedas de ouro, denunciando-o ao exército romano. Para dar um tons mais regionais, contemporâneos, cômicos (e políticos, por que não?) ao costume, a tradição brasileira personifica os bonecos como personalidades em meio a escândalos políticos.
Entretanto, a tradição está em pleno declínio em Mato Grosso do Sul. Um dos bairros de Campo Grande onde malhar o Judas era dado como certo neste período do ano simplesmente não apresenta rastros de que a malhação possa acontecer. "Pode até ser que alguém faça, aqui na Moreninhas, como fazia antes. Mas tem um bom tempo que a gente nem ouve falar", comenta a dona de casa Marcia Luiza Seabra Oshiro, 33, moradora das Moreninhas há pelo menos duas décadas.
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Segundo Marcia, que acompanhou o auge da tradição no bairro, a pessoa que confeccionava o boneco passava de casa em casa com o boneco recolhendo doações e após queimá-lo, fazia uma festa com o dinheiro arrecadado. "Era legal, unia o pessoal do bairro. É uma pena que a gente não veja isso mais", lamenta.
O entregador Ricardo Lima Benites, 26, também admite sentir falta da tradição, que movimentava todo o bairro. "Minha família chegou a fazer uma vez, há muitos anos. Passamos uns 3 ou 4 dias confeccionando o boneco, enchendo com espuma de um colchão velho e umas roupas usadas. A gente deixava na rua e o pessoal passava, dava paulada, e depois a gente queimou e deu a festa para todo mundo da rua", relembra.

Individualismo versus Tradição

Para Ricardo, um dos fatores que fizeram a tradição simplesmente sumir é o aumento do individualismo. "Hoje todo mundo só pensa em si, não fala mais com o vizinho. Todo mundo tem medo da violência, de ficar na calçada, agora é só dentro de casa. Não tem mais aquela coisa de comunidade que tinha antes, então pra que que vai mexer com isso, se ninguém vai, depois?", aponta.
 Reprodução/Imgur)Reprodução/Imgur)

De acordo com a mestre em antropologia Andreia Moura Mendes, que estuda os rituais de malhação do Judas, esse costume se reflete no rito de sacrifício que simboliza não só a punição simbólica do apóstolo traidor, mas também a objetificação e consequente sacrifício dos pontos de tensão e conflito estabelecidos na sociedade, seja um bairro ou o país.
"Trabalhamos com a hipótese que a Malhação do Judas é um rito sacrifical feito pela comunidade das Rocas com diversas finalidades, desde a punição simbólica do apóstolo traidor, até a imolação de vítimas focos das tensões e conflitos estabelecidos dentro do bairro".
De fato, isso parece explicar porque políticos aparecem tanto como os 'Judas' da vez, renovados a cada ano, conforme o escândalo político do momento. "Mas, eu colocaria também o mosquito Aedes aegypti. Tive zika há alguns dias e sofri muito, acho que a gente deveria malhar esse mosquito", conclui Ricardo.
(Colaborou Júlia de Miranda)