terça-feira, 11 de abril de 2017

Quem atua com moda precisa ser criativo e gestor ao mesmo tempo, defende Alexandre Herchcovitch


O estilista Alexandre Herchcovitch (Divulgação)
Por Guilherme Cavalcante
Foi em meio à cena gay que despontava na São Paulo do início dos anos 90 que um sobrenome começava a ganhar destaque: mesmo com pronúncia e escrita pouco familiar, ‘Herchcovicht’ acabou parando na boca de todo mundo que apreciava um bom corte e moda com atitude, logo depois que drag queens famosas da cidade passavam a desfilar com vestidos estonteantes, que chamavam atenção da República aos Jardins nas noites da Paulicéia. Por trás do sobrenome, estava um jovem Alexandre, que aos poucos revelou ter domínio sobre a própria criação e, com pé no chão, estabeleceu-se como um dos estandartes do mercado de costura brasileiro. Com os anos, Alexandre amadureceu o próprio trabalho.Foi do gueto que seu trabalho alcançou o mainstream. Virou marca de sucesso, referência brasileira no mercado mundial, do prêt-à-porter à haute couture. A influência punk, os tecidos rasgados e as cores sóbrias que marcaram o início de seu trabalho hoje dão espaço mais à sustentabilidade. Atualmente à frente da direção criativa da marca ‘À La Garçonne’, Alexandre Herchcovitch fez história em marcas como ‘Zoop’, ‘Rosa Chá’ e a que leva seu nome, que vendeu após quase duas décadas de atuação. Ele esteve em Campo Grande na última semana para um talk show promovido pelo Sebrae-MS, no qual falou sobre empreendedorismo e o mercado fashion no país. Em entrevista ao Jornal Midiamax, o estilista revisitou a carreira, falou sobre economia e opinou sobre as influências da internet no mercado. Confira!
JORNAL MIDIAMAX – Que realidade o empresário de moda enfrenta no mercado brasileiro?
ALEXANDRE HERCHCOVITCH - Em geral, o Brasil tem muitas pessoas que encontraram na moda um meio de fazer dinheiro e de empreender. Dentre todas essas pessoas tem aquelas que têm vocação, que de fato são criadores e que tem uma ideia para passar e tem aqueles que simplesmente gostam de moda, que são simplesmente confeccionistas, empresários. Eu não estou qualificando ninguém, tá? Estou descrevendo os perfis que existem. Enfim, com todos esses perfis de pessoas querendo fazer roupa, fazer moda, hoje a gente tem uma infinidade de empresas de moda no Brasil, e todas elas com esse objetivo de venderem, de serem conhecidas, etc. Muitas delas fazendo a mesma coisa. Isso é o que acho que, atualmente, é o mais complicado na moda, que é muita gente fazendo a mesma coisa. A informação, hoje, está para todo mundo. Você vê um desfile de moda em tempo real pela internet, então é muito mais fácil e tentador você olhar um desfile e fazer igual... Então, é uma coisa meio desleal. Por isso, quem se diferencia e faz uma moda mais autoral costuma se diferenciar e ter mais espaço, porque as pessoas estão cansadas de consumir a mesma coisa. Elas se cansam, elas não curtem mais essa massificação. Um dos caminhos hoje é seguir uma moda autoral, que é uma matemática complexa. Acho que quanto mais você seguir a sua intuição e a sua história particular, o que é diferente em cada um, você consegue fazer algo diferente.
A moda dialoga muito com cultura e identidade. Existe algum aspecto da moda brasileira que é subaproveitada? Algum aspecto cultural que não é refletido nesse mercado?
Não, acho que todo mundo aproveita bem. Não só na moda, mas em todas as áreas, como a gastronomia, TV. O Brasil é muito rico, então a gente acaba tendo uma outra discussão. São muitas fontes de inspiração, nossa cultura permite isso, a gente se alimentar das próprias características. E na moda, temos profissionais que são brasileiros, que conseguem extrair do Brasil o que ele tem e produzir algo que seja efetivamente brasileiro. Mas disso eu faço uma pergunta: o que é, realmente, fazer algo brasileiro? Para mim, isso acontece pelo simples fato de quando o produto é feito por alguém que é brasileiro. Todo mundo, a vida inteira, me perguntou qual era a minha preocupação de incluir o Brasil nas minhas criações. E eu sempre respondi que não tinha nenhuma preocupação, porque eu sou brasileiro, minha roupa é brasileira. Não vou forçar regionalismos ou folclore na minha roupa. Eu nasci em São Paulo, sou paulistano e brasileiro. Minha produção artística é fruto do meu meio. E meu meio é o Brasil. Então eu nunca tive essa preocupação, entende? De ter que me reafirmar como um criador brasileiro. Minha roupa é daqui, porque eu nasci aqui e faço roupa aqui.
Crise não é novidade para quem atua no mercado da moda. Houve vários momentos na história recente do Brasil em que os empresários enfrentaram os reflexos da recessão. Uma história que me marca muito é a da própria Glória Kalil, que de industrial se reinventou como jornalista e consultora. Como essa crise mais recente te afetou?
Minha resposta é a criatividade. Há um ano e meio eu não mais trabalho na marca Alexandre Herchcovitch [Alexandre fundou a marca e a vendeu após quase duas décadas, porém, até fevereiro de 2016, atuou à frente da grife como diretor de criação. Atualmente, ele dirige a ‘À La Garçonne’, de seu marido Fabio Souza] e trabalho hoje numa empresa menor, infinitamente menor, mas que está crescendo muito. Nela, eu trabalho com reuso, sustentabilidade, ressignificação das roupas e tudo mais o que eu conseguir aproveitar. É um assunto que eu nunca tive muita oportunidade de trabalhar na marca anterior. Na ‘À La Garçonne’, que sempre falou disso a vida inteira, eu estou tendo oportunidade de mergulhar nesse mundo. Isso me deu muita liberdade de ser criativo, de refazer roupas que já existem, trabalhar com tecidos antigos... Eu acho que toda essa liberdade criativa resultou numa produção que está sendo produzida e consumida. Minha resposta pra crise, portanto, foi ter agarrado essa oportunidade e me reinventado, de uma certa maneira.
A sua experiência nesse mercado é marcada por duas atuações, a de criativo e a de empresário. Quando você vendeu a ‘Alexandre Herchcovitch’, por exemplo, você passa a se dedicar mais à criação. Porém, antes você também era o administrador da empresa. Existia algum conflito nisso? É necessário fazer alguma distinção em algum momento?
Olha, eu forçadamente tive que por muitos anos ser os dois, tanto a pessoa criativa como aquela que fechava negócios. Isso foi um aprendizado que só desenvolveu habilidades. Quando a marca foi comprada, a minha função tornou-se apenas a parte criativa, e eu deixei a empresaria para a nova dona da marca. Porém, eu nunca deixei de ter a cabeça de empresário, mesmo sendo só o diretor criativo: na hora de decidir por um gasto, por uma ação de marketing, meu lado empresário sempre apareceu, porque já tinha sido 15 anos como estilista e empresário ao mesmo tempo. Hoje eu não consigo pensar com a cabeça de só um dos dois, qualquer coisa que eu faça está lá o criador e o empresário.
O profissional que for enveredar por esse ramo tem que saber equalizar esses dois perfis?
Sim, precisa, principalmente no começo. Mas ele também tem que saber que isso pode ser feito numa parceria, futuramente. O estilista ser um empresário é bom, mas acho que tem que funcionar como uma dupla, assim que ele tiver condições de custear isso. Tem que ter duas cabeças, o criativo e o administrador...
Yves (Saint Laurent) e Pierre (Cardin), alguma coisa semelhante?
[Pensativo] Ah... Não é à grandes duplas na moda. Eu acho que no começo é muito difícil você contratar um administrador, alguém que dê esse apoio no começo. Mas, com o passar do tempo, essas duas mentes têm que ser duas.
Você tem alguma opinião sobre a qualidade de formação dos estilistas que saem das universidades brasileiras? Esses profissionais estão antenados com o mercado?
Tem um vão entre o que acontece dentro de uma faculdade de moda e o mercado. Várias instituições tentam minimizar essa lacuna. Trabalhei anos no Senac e meu papel era aproximar o acadêmico à realidade. Mas é que a mão na massa, o dia a dia, ele ensina muito, complementa aquilo que a gente aprende na faculdade. Diria que os estudos são o começo, que dão um indicativo, os caminhos. É muito importante. Mas, há diferenças da prática para a faculdade. O que me preocupa nesse assunto é que hoje tem muito profissional saindo para um mercado que não tem como absorver. Eu não sei se há tantas vagas.
Hoje a moda tem uma forma mais dinâmica de ser divulgada. Como você falou, um desfile é transmitido pela internet em tempo real. Mas, além disso, há outras linguagens, dentre elas, as blogueiras fashion, que são trend setters, digital influencer, uma nova forma de marketing que nem sempre é muito leal, é muito... remunerada. Na sua opinião isso atrapalha ou ajuda?
Não atrapalha... Na minha opinião, o internauta vai escolher as pessoas que segue. Ninguém está fazendo eles engolirem o produto, até porque existe a opção do unfollow. Realmente, isso é uma profissão. Eu também recebo para divulgar produtos. Eu tenho basicamente só o Instagram, mas quando me pedem para promover algo, eu digo que tem que ser do meu jeito, discretamente e só se eu acredito no produto. Como não é a minha principal fonte, eu consigo fazer isso. Mas conheço muita gente que a principal fonte de renda é divulgar produto nas redes. Às vezes, é claro, elas se perdem. Mas, sempre existe a opção unfollow.
Você começou a carreira pelo undergroud, vestindo travestis e drag queens da cena gay de São Paulo. Hoje a gente tem um boom cultural dessa cultura queer, é como se aquele universo escondido do qual você emergiu tivesse virado mainstream. Você sente uma sensação de Déjà Vu?
Não, pelo contrário. Hoje todo mundo está falando sobre isso, principalmente sobre gênero. Quer dizer, hoje já não existem só dois gêneros, mas ‘n’ gêneros e é claro que isso se reflete na roupa. Eu penso que o que eu vivo hoje é um pouco do resultado de vários momentos da minha vivência anterior, quando grupos se impuseram, deram as caras e foram corajosos. Eu acho que a cultura drag é uma expressão artística genuína, com características do masculino e feminino, uma coisa muito legal e muito livre. Hoje se discutem muitas coisas nesse sentido, mais que há 20 anos, e acho que isso é ótimo.

Quem atua com moda precisa ser criativo e gestor ao mesmo tempo, defende Alexandre Herchcovitch


O estilista Alexandre Herchcovitch (Divulgação)
Por Guilherme Cavalcante
Foi em meio à cena gay que despontava na São Paulo do início dos anos 90 que um sobrenome começava a ganhar destaque: mesmo com pronúncia e escrita pouco familiar, ‘Herchcovicht’ acabou parando na boca de todo mundo que apreciava um bom corte e moda com atitude, logo depois que drag queens famosas da cidade passavam a desfilar com vestidos estonteantes, que chamavam atenção da República aos Jardins nas noites da Paulicéia. Por trás do sobrenome, estava um jovem Alexandre, que aos poucos revelou ter domínio sobre a própria criação e, com pé no chão, estabeleceu-se como um dos estandartes do mercado de costura brasileiro. Com os anos, Alexandre amadureceu o próprio trabalho.Foi do gueto que seu trabalho alcançou o mainstream. Virou marca de sucesso, referência brasileira no mercado mundial, do prêt-à-porter à haute couture. A influência punk, os tecidos rasgados e as cores sóbrias que marcaram o início de seu trabalho hoje dão espaço mais à sustentabilidade. Atualmente à frente da direção criativa da marca ‘À La Garçonne’, Alexandre Herchcovitch fez história em marcas como ‘Zoop’, ‘Rosa Chá’ e a que leva seu nome, que vendeu após quase duas décadas de atuação. Ele esteve em Campo Grande na última semana para um talk show promovido pelo Sebrae-MS, no qual falou sobre empreendedorismo e o mercado fashion no país. Em entrevista ao Jornal Midiamax, o estilista revisitou a carreira, falou sobre economia e opinou sobre as influências da internet no mercado. Confira!
JORNAL MIDIAMAX – Que realidade o empresário de moda enfrenta no mercado brasileiro?
ALEXANDRE HERCHCOVITCH - Em geral, o Brasil tem muitas pessoas que encontraram na moda um meio de fazer dinheiro e de empreender. Dentre todas essas pessoas tem aquelas que têm vocação, que de fato são criadores e que tem uma ideia para passar e tem aqueles que simplesmente gostam de moda, que são simplesmente confeccionistas, empresários. Eu não estou qualificando ninguém, tá? Estou descrevendo os perfis que existem. Enfim, com todos esses perfis de pessoas querendo fazer roupa, fazer moda, hoje a gente tem uma infinidade de empresas de moda no Brasil, e todas elas com esse objetivo de venderem, de serem conhecidas, etc. Muitas delas fazendo a mesma coisa. Isso é o que acho que, atualmente, é o mais complicado na moda, que é muita gente fazendo a mesma coisa. A informação, hoje, está para todo mundo. Você vê um desfile de moda em tempo real pela internet, então é muito mais fácil e tentador você olhar um desfile e fazer igual... Então, é uma coisa meio desleal. Por isso, quem se diferencia e faz uma moda mais autoral costuma se diferenciar e ter mais espaço, porque as pessoas estão cansadas de consumir a mesma coisa. Elas se cansam, elas não curtem mais essa massificação. Um dos caminhos hoje é seguir uma moda autoral, que é uma matemática complexa. Acho que quanto mais você seguir a sua intuição e a sua história particular, o que é diferente em cada um, você consegue fazer algo diferente.
A moda dialoga muito com cultura e identidade. Existe algum aspecto da moda brasileira que é subaproveitada? Algum aspecto cultural que não é refletido nesse mercado?
Não, acho que todo mundo aproveita bem. Não só na moda, mas em todas as áreas, como a gastronomia, TV. O Brasil é muito rico, então a gente acaba tendo uma outra discussão. São muitas fontes de inspiração, nossa cultura permite isso, a gente se alimentar das próprias características. E na moda, temos profissionais que são brasileiros, que conseguem extrair do Brasil o que ele tem e produzir algo que seja efetivamente brasileiro. Mas disso eu faço uma pergunta: o que é, realmente, fazer algo brasileiro? Para mim, isso acontece pelo simples fato de quando o produto é feito por alguém que é brasileiro. Todo mundo, a vida inteira, me perguntou qual era a minha preocupação de incluir o Brasil nas minhas criações. E eu sempre respondi que não tinha nenhuma preocupação, porque eu sou brasileiro, minha roupa é brasileira. Não vou forçar regionalismos ou folclore na minha roupa. Eu nasci em São Paulo, sou paulistano e brasileiro. Minha produção artística é fruto do meu meio. E meu meio é o Brasil. Então eu nunca tive essa preocupação, entende? De ter que me reafirmar como um criador brasileiro. Minha roupa é daqui, porque eu nasci aqui e faço roupa aqui.
Crise não é novidade para quem atua no mercado da moda. Houve vários momentos na história recente do Brasil em que os empresários enfrentaram os reflexos da recessão. Uma história que me marca muito é a da própria Glória Kalil, que de industrial se reinventou como jornalista e consultora. Como essa crise mais recente te afetou?
Minha resposta é a criatividade. Há um ano e meio eu não mais trabalho na marca Alexandre Herchcovitch [Alexandre fundou a marca e a vendeu após quase duas décadas, porém, até fevereiro de 2016, atuou à frente da grife como diretor de criação. Atualmente, ele dirige a ‘À La Garçonne’, de seu marido Fabio Souza] e trabalho hoje numa empresa menor, infinitamente menor, mas que está crescendo muito. Nela, eu trabalho com reuso, sustentabilidade, ressignificação das roupas e tudo mais o que eu conseguir aproveitar. É um assunto que eu nunca tive muita oportunidade de trabalhar na marca anterior. Na ‘À La Garçonne’, que sempre falou disso a vida inteira, eu estou tendo oportunidade de mergulhar nesse mundo. Isso me deu muita liberdade de ser criativo, de refazer roupas que já existem, trabalhar com tecidos antigos... Eu acho que toda essa liberdade criativa resultou numa produção que está sendo produzida e consumida. Minha resposta pra crise, portanto, foi ter agarrado essa oportunidade e me reinventado, de uma certa maneira.
A sua experiência nesse mercado é marcada por duas atuações, a de criativo e a de empresário. Quando você vendeu a ‘Alexandre Herchcovitch’, por exemplo, você passa a se dedicar mais à criação. Porém, antes você também era o administrador da empresa. Existia algum conflito nisso? É necessário fazer alguma distinção em algum momento?
Olha, eu forçadamente tive que por muitos anos ser os dois, tanto a pessoa criativa como aquela que fechava negócios. Isso foi um aprendizado que só desenvolveu habilidades. Quando a marca foi comprada, a minha função tornou-se apenas a parte criativa, e eu deixei a empresaria para a nova dona da marca. Porém, eu nunca deixei de ter a cabeça de empresário, mesmo sendo só o diretor criativo: na hora de decidir por um gasto, por uma ação de marketing, meu lado empresário sempre apareceu, porque já tinha sido 15 anos como estilista e empresário ao mesmo tempo. Hoje eu não consigo pensar com a cabeça de só um dos dois, qualquer coisa que eu faça está lá o criador e o empresário.
O profissional que for enveredar por esse ramo tem que saber equalizar esses dois perfis?
Sim, precisa, principalmente no começo. Mas ele também tem que saber que isso pode ser feito numa parceria, futuramente. O estilista ser um empresário é bom, mas acho que tem que funcionar como uma dupla, assim que ele tiver condições de custear isso. Tem que ter duas cabeças, o criativo e o administrador...
Yves (Saint Laurent) e Pierre (Cardin), alguma coisa semelhante?
[Pensativo] Ah... Não é à grandes duplas na moda. Eu acho que no começo é muito difícil você contratar um administrador, alguém que dê esse apoio no começo. Mas, com o passar do tempo, essas duas mentes têm que ser duas.
Você tem alguma opinião sobre a qualidade de formação dos estilistas que saem das universidades brasileiras? Esses profissionais estão antenados com o mercado?
Tem um vão entre o que acontece dentro de uma faculdade de moda e o mercado. Várias instituições tentam minimizar essa lacuna. Trabalhei anos no Senac e meu papel era aproximar o acadêmico à realidade. Mas é que a mão na massa, o dia a dia, ele ensina muito, complementa aquilo que a gente aprende na faculdade. Diria que os estudos são o começo, que dão um indicativo, os caminhos. É muito importante. Mas, há diferenças da prática para a faculdade. O que me preocupa nesse assunto é que hoje tem muito profissional saindo para um mercado que não tem como absorver. Eu não sei se há tantas vagas.
Hoje a moda tem uma forma mais dinâmica de ser divulgada. Como você falou, um desfile é transmitido pela internet em tempo real. Mas, além disso, há outras linguagens, dentre elas, as blogueiras fashion, que são trend setters, digital influencer, uma nova forma de marketing que nem sempre é muito leal, é muito... remunerada. Na sua opinião isso atrapalha ou ajuda?
Não atrapalha... Na minha opinião, o internauta vai escolher as pessoas que segue. Ninguém está fazendo eles engolirem o produto, até porque existe a opção do unfollow. Realmente, isso é uma profissão. Eu também recebo para divulgar produtos. Eu tenho basicamente só o Instagram, mas quando me pedem para promover algo, eu digo que tem que ser do meu jeito, discretamente e só se eu acredito no produto. Como não é a minha principal fonte, eu consigo fazer isso. Mas conheço muita gente que a principal fonte de renda é divulgar produto nas redes. Às vezes, é claro, elas se perdem. Mas, sempre existe a opção unfollow.
Você começou a carreira pelo undergroud, vestindo travestis e drag queens da cena gay de São Paulo. Hoje a gente tem um boom cultural dessa cultura queer, é como se aquele universo escondido do qual você emergiu tivesse virado mainstream. Você sente uma sensação de Déjà Vu?
Não, pelo contrário. Hoje todo mundo está falando sobre isso, principalmente sobre gênero. Quer dizer, hoje já não existem só dois gêneros, mas ‘n’ gêneros e é claro que isso se reflete na roupa. Eu penso que o que eu vivo hoje é um pouco do resultado de vários momentos da minha vivência anterior, quando grupos se impuseram, deram as caras e foram corajosos. Eu acho que a cultura drag é uma expressão artística genuína, com características do masculino e feminino, uma coisa muito legal e muito livre. Hoje se discutem muitas coisas nesse sentido, mais que há 20 anos, e acho que isso é ótimo.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Empresa de informática é contratada pela Prefeitura por R$ 1,4 milhão


Recursos cobrem garantia por doze meses
A Prefeitura Municipal de Campo Grande divulgou nesta segunda-feira (10) um contrato com uma empresa de informática avaliado em R$ 1,4 milhões, destinado a atender a Agetec (Agência Municipal de Tecnologia da Informação e Inovação).
A empresa contratada, Imagetech Tecnologia em Informática, deverá fornecer e instalar "soluções em segurança da informação", por meio da Sefin (Secretaria Municipal de Finanças e Planejamento), para atender a Agência.
Os recursos são oriundos do PNAFM 2 (Programa Nacional de Apoio à Gestão Administrativa e Fiscal dos Municípios Brasileiros), repassados pela União para fortalecimento da gestão fiscal dos municípios.
Na segunda fase do Programa, em 2012, a Prefeitura havia adquirido R$ 25 milhões com o PNAFM, segundo dados do Ministério da Fazenda.

A Imagetech deverá receber da Prefeitura os recursos federais para promover a instalação dos softwares e fornecer garantia e assistência técnica por doze meses.
O contrato foi assinado pelo secretário Municipal de Finanças, Pedro Pedrossian Neto, e pelo empresário Arthur Afonso de Barros Marinho.
(com supervisão de Marta Ferreira)

Prefeito estende por 2 meses prazo para Município pagar fornecedores


Já foram 90 dias
  • (Cleber Gellio/Midiamax)
  • Inicialmente estipulado em 90 dias, o prazo para a Prefeitura renegociar e quitar dívidas com os fornecedores se estendeu por mais dois meses, segundo o prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD) informou durante agenda pública na manhã desta segunda-feira (10) para divulgação de balanço dos 100 dias de gestão.
    Contudo, ele vai antecipar a conversação com fornecedores que tenham até R$ 50 mil para receber do Município. “Hoje temos R$ 76 milhões em caixa”, disse. No mês passado, Marquinhos chegou a dizer que os fornecedores que não concederem descontos, parcelamento ou algum tipo de negociação, terão que judicializar a questão para conseguir receber.
    À época em que suspendeu os pagamentos, dias após tomar posse, ele explicou que a medida era para conter o endividamento do Município e explicou que somente de água e energia elétrica a máquina pública de Campo Grande estava devendo R$ 12 milhões.

    Caixa estende atendimento em duas horas até quarta-feira para contas inativas do FGTS


    Agências vão abrir às 9 horas
    A Caixa Econômica Federal vai funcionar a partir das 9 horas de hoje (10) até quarta-feira, para atender os trabalhadores nascidos entre os meses de março e abril, que buscam informações e o saque das contas inativas do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).
    Nesta fase 138 mil sul-mato-grossenses podem sacar o dinheiro. Serão disponibilizados R$ 146.154.251.65 para uma parcela de 138.455 trabalhadores. Os saques vão beneficiar trabalhadores que pediram demissão ou foram demitidos até 31 de dezembro de 2015.
    Para valores até R$ 1,5 mil, os trabalhadores podem sacar os recursos no autoatendimento, mas somente com a senha do Cartão Cidadão. Para valores entre R$ 1,5 mil até R$ 3 mil, o saque pode ser realizado com o Cartão do Cidadão e senha no autoatendimento, lotéricas e correspondentes Caixa.
    Acima de R$ 3 mil, os saques devem ser feitos nas agências. Quem não tem o Cartão do Cidadão nem a senha precisa ir ao atendimento presencial das agências, ou seja, na boca do caixa.

    Postos e hospitais da Capital superlotam em primeiro teste de regulação

    O primeiro fim de semana de testes do novo sistema de regulação proposto pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) não funcionou como deveria em Campo Grande.
    Colocado em prática sem estudo e com viabilidade questionada, o resultado foi de superlotação nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e nos quatro maiores hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde na cidade - Santa Casa, Hospital Regional (HRMS), Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap) e Maternidade Cândido Mariano.
    Agora o Conselho Municipal de Saúde quer resolutividade e preparo para que o atendimento de saúde ocorra sem os problemas enfrentados desde sexta-feira, com falta de insumos, medicamentos e vagas.
    “Foi a prefeitura que propôs o sistema, tinham que estar preparados para isso. Nossa preocupação é em relação ao próximo fim de semana, com feriado prolongado de Páscoa”, afirma o presidente do conselho, Sebastião Arinos Júnior.
    Enquanto os hospitais informavam não ter leitos disponíveis para novos pacientes, as seis UPAs mantinham 21 pacientes internados ontem, sem previsão de conseguirem transferência. 
    *Leia reportagem, de Natalia Yahn, na edição de hoje do jornal Correio do Estado.

    Reportagem comentada: Pacientes esperam horas e não entendem 'caixa-preta' no ponto dos médicos

    fonte: Midiamax

    Os comentários foram feitos pelo blogueiro e estão destacados

    Segue reportagem:

    Reportagem acompanhou por dois dias o atendimento infantil
    É quase meio-dia de uma quarta-feira, no último dia 29. Na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Coronel Antonino, uma das únicas que oferece a pediatria na cidade, a recepção está cheia. Há pelo menos 20 crianças, enquanto consultórios vazios e poucos médicos cumprem a escala prevista e divulgada pela Prefeitura de Campo Grande. A situação é comum e revela a falta de controle dos plantões e horários dos profissionais ( qual a fonte que o jornalista utilizou?????).
    Em tese, cinco plantonistas deviam estar disponíveis para atender os doentes, conforme dizia relação com o nome dos médicos a atender naquele dia, fixado no balcão do posto, e com a indicação de que aqueles profissionais cumpririam ali, um plantão de 12 horas. Na prática, somente 2 profissionais foram encontrados na ala de atendimentos ( o jornalista procurou os profissionais que ficam no consultório? E na emergência? Os profissionais se revesam para atender consultório, emergência e posto  médico) .
    Na recepção, e do lado de fora, pacientes diziam aguardar na fila havia horas. A maioria sem entender tanta demora. Uma funcionária explica as salas vazias ao ser questionada: “Eles têm que almoçar, concorda? Isso que vocês não estão entendendo”. E continuou: “médico também fica doente, tem que almoçar. Ainda mais ela, que toca um plantão de 12 horas”, defende ( o jornalista não concorda? Pois se não concorda vamos ter que rever a situação do trabalhador que trabalha 12 horas e tem 1 hora de almoço por lei).

    'Hora de descanso'

    Os médicos da Capital não precisam bater ponto e a única forma de controlar horário de chegada e saída e pontualidade ainda é manual, administrada pela gerência do posto de saúde, geralmente um profissional de enfermagem. Normalmente, o plantão começa às 7 horas. Às 13h, há troca de turno, e aqueles que optam pelos regimes de 12 horas só podem encerrar o expediente às 19 horas. Neste caso, e somente neste, os médicos poderiam ter até uma hora de descanso, combinada na própria unidade ( pergunta que não foi respondida: Quantos profissionais médicos faziam plantão de 6 horas no dia da reportagem? Não adianta levantar polêmica se eles tinham direito a descanso por estarem em regime de 12 horas).
    Isso quer dizer que o controle não é oficial, e é passível de falhas. Não se sabe, por exemplo, o tempo real que o médico levou entre o almoço e a retomada dos atendimentos, nem mesmo se ele entrou pontualmente em seu turno de trabalho, como ocorre com demais servidores que prestam serviço público ( a gerencia de enfermagem é bem atuante em horários na rede pública, existe uma escala de descanso e todos devem obedecer. O profissional médico não é criança para ter enfermeiro ou gerente de babá, ele sabe que deve revesar e atender nos horários fixados, dessa forma, se a jornalista desconfia de algo deve apresentar fatos concretos em regime de flagrante) . Sem uma forma eficaz de coibir as falhas dos plantões e os horários dos médicos, que trabalham praticamente de forma autônoma, os horários de pico acabam se tornando ainda mais tumultuados ( existe estatística? Baseado em que a Jornalista afirma isso? Experiencia pessoal? cite a fonte).
    Para coibir falhas, a Prefeitura tenta instalar ainda neste mês em torno de 700 pontos eletrônicos para controlar a frequência dos médicos, enfermeiros e demais funcionários, a partir do terceiro bimestre 140 serão ser instalados. O investimento será de R$ 1,4 milhão. Nesse meio tempo, o acompanhamento de horários é feito na abertura de cada plantão, pela gerência da unidade, segundo informado pela assessoria da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) ( Parabéns pelo informe publicitário).

    Dia 2


    No dia seguinte, o caos habitual. Muitos pacientes, entre eles dezenas de crianças, já tinham passado pela triagem, mas ainda não tinham previsão de quando voltariam para casa com um diagnóstico. “Tem dia que a gente vem aqui e fica por 5 horas esperando (infelizmente é uma realidade comum. Na Clínica Campo Grande (particular) a espera não é menor já que sempre que preciso espero ao menos 2 horas por um clínico e bem mais que 3 por um especialista. Isso é uma experiencia própria e posso comprovar com exames e fotos). Acho que só quem está morrendo é atendido aqui”, queixou-se uma dona de casa, enquanto segurava no colo o filho de 2 anos, com febre .
    A situação da saúde pública para crianças na Capital é agravada disponibilidade restrita de pediatras que atendem pela rede pública, tendo em vista que na parte da manhã apenas dois postos de saúde – O Vila Almeida ( dois posto ? E cita apenas um? quais são?)-, oferecem o serviço.Com pouca opção, o local se tornou destino favorito para as consultas sem agendamento prévio.
    Impacientes, pais ficam questionando o motivo de tanta lentidão, até que uma mãe bate de porta em porta para confirmar se a espera é em vão. Uma médica, visivelmente sobrecarregada, defendeu que os colegas estavam na emergência e por isso somente três salas estavam atendendo. Pediu paciência e chamou mais um paciente. Os outros dois médicos não foram localizados pela reportagem ( é importante saber se realmente os outros profissionais evadiram-se do local. Ninguém defende o errado principalmente se tiver atingindo a população mas uma unidade não se resume a atendimento ambulatorial temos postinho, emergência,regulação e toda a parte clínica do posto).
    De volta à recepção do posto Coronel Antonino, uma nova funcionária tenta explicar o atendimento a conta gotas. “Se estão marcando cinco médicos, é porque eles estão aí. Deve ser alguma emergência”. Resta ao paciente, então, voltar ao seu lugar e aguardar ser chamado  .

    CONSIDERAÇÃO FINAL: A imprensa precisa evitar o MIMIMI e usar fontes seguras. Caso não as tenha...proponha soluções .