quarta-feira, 1 de abril de 2015

Reinaldo vai alugar hospital privado de integrante da Máfia do Câncer

Autor: Diana Gaúna

Uma das donas do hospital privado que será locado pelo Governo atuou para desativar o serviço de radioterapia do SUS

Prefeito de Dourados, Murilo Zauith (PSB) e o governador Reinaldo Azambuja (PSDB). Foto: divulgação.

Prefeito de Dourados, Murilo Zauith (PSB) e o governador Reinaldo Azambuja (PSDB). Foto: divulgação.
O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) vai alugar o hospital privado São Luiz, em Dourados, que tem entre os proprietários integrante da Máfia do Câncer - desmantelada pela Polícia Federal em 2013 durante a Operação Sangue Frio. A informação foi divulgada pelo próprio tucano, que disse que após embargar a obra do Hospital Regional de Dourados, irá alugar a unidade - que estava fechada há anos - para realização de cirurgias eletivas. Leia mais clicando aqui.

                        (Fachado do hospital em Dourados / Foto: Alexandre Duarte)

O hospital pertence ao oncogrupo Neoclin, que tem em seu quando societário a irmã do médico Adalberto Siufi, Eva Glória Abrão Siufi, bem como Paulo Siufi Júnior, Luis Henrique Marcarenhas Moreira, Sandra Cristina Kiomido Maia, Luiz Felipe Terazas Mendes, Eulálio Arantes Correa da Costa e Aparecida Mitsuki Miura.


Luis Henrique Mascarenhas Moreira era presidente do Conselho Regional de Medicina de MS na época do escândalo da Máfia do Câncer e chegou inclusive a prestar depoimento a CPI da Saúde da Assembleia Legislativa. O conselho é responsável, entre outras coisas, por analisar processos ético-profissionais de médicos.

Já Eva Glória Abrão Siufi – irmã de Adaberto Siufi – foi apontada como integrante da Máfia do Câncer e teve pedido de indiciamento pela CPI da Saúde da Câmara de Vereadores, acusada de ter colaborado para desativar o serviço de radioterapia do SUS. O pedido de indiciamento dos vereadores se estende ao ex-diretor Adalberto Siufi,  ao ex-diretor do Hospital Universitário, José Carlos Dorsa, à médica Eva Glória Siufi do Amaral e aos ex-presidentes  do conselho curador do HC, Blener Zan e Luiz Felipe Terrazas.

O esquema da radioterapia começou a ser montado a partir de uma decisão de 2008 da CIB (Comissão Intergestora Bipartite), comandada pela então secretária estadual Beatriz Dobashi, secretário municipal Luiz Henrique Mandetta e representantes de hospitais (Ronaldo Perches e José Carlos Dorsa). Na época, a comissão determinou que o Hospital Regional abandonasse de vez o atendimento de radioterapia e o serviço ficou centralizado no Hospital do Câncer e no Hospital Universitário -  ambos com atuação de Adalberto Siufi - apontado pelo MPF como mentor do esquema de desvio de verba.

Logo em seguida a desativação do serviço no Regional, o HU paralisou o serviço e toda a radioterapia em Mato Grosso do Sul acabou indo para o HC, que terceirizava os tratamentos, privatizando o serviço com a contratação da Neorad, empresa de Adalberto Siufi e Issamir Saffar (Saffar &Siufi).

A participação de Eva Glória na desativação da radioterapia do SUS - segundo relatório do MPF datado de 2009 - foi deixar o hospital público (HU/UFMS) desguarnecido de profissional, desativando o serviço e direcionando todos os pacientes de radioterapia do HU para o Hospital do Câncer que, por sua vez, direcionava para clínica de seu irmão Adalberto Siufi.


Leia trecho do documento abaixo:

“Em que pese a dita servidora, Dra. Eva Gloria Siufi do Amaral, ter sua lotação de origem na FAMED – Faculdade de Medicina, e não o Hospital Universitário - NHU/UFMS, durante todo seu período na Instituição sua atividade resumiu-se aos quadros do NHU, sendo que sua ausência nas atividades que até então desenvolvia do Hospital Universitário deu-se justamente para que pudesse operar exclusivamente na radioterapia do Hospital do Câncer Dr. Alfredo Abrão.

Ora, o Hospital do Câncer, como fundação privada, poderia muito bem contratar um radioterapeuta pelo salário ou produção que lhe aprouvesse. A situação do Hospital Universitário era outra; suas atividades ficam atreladas ao seu próprio pessoal e, diante da ausência de médico radioterapeuta desde a saída do Dr. Norbeto, o serviço de radioterapia ficou paralisado ou diminuído (como foi o caso em períodos alternados na época).

Tivesse a servidora permanecido nos quadros da Instituição, o serviço de radioterapia não teria certamente enfrentado os problemas de diminuição e paralisação de atendimento que enfrentou por ausência de médico radioterapeuta com a saída do Dr. Norbeto em 2007 até a suspensão da admissão de pacientes para tratamento nos setores de Radioterapia e Quimioterapia pela Vigilância Sanitária Estadual, em 06 de março de 2009 (Termo 23.553/2009)”.

A informação é citada na Ata de Reunião de dois de dezembro de 2009, Processo Administrativo n.° 1.21.000.000455/2009-96/MPF, na qual um dos diretores do HC, o médico Luiz Felipe Terrazas Mendes afirma que o Setor de Radioterapia, embora o Dr. Adalberto seja o Diretor Geral do Hospital, é coordenado pela Dra. Eva Siufi.

Outras sociedades

Eva Glória também fazia parte do quadro societário do Centro de Oncologia e Hematologia de Mato Grosso do Sul, empresa terceirizada que prestava serviços de quimioterapia da Santa Casa de Campo Grande. Além dela a clínica era de propriedade de seu irmão, Adalberto Siufi, Arlete Delfina Marques Maia e José Maria Nossa Ascenço.

O contrato com o Centro foi rescindido em 2013 após a morte de três pacientes submetidos a tratamento de quimioterapia. A polícia abriu inquéritos para investigar e descobriu várias irregularidades no serviço como ausência de registros sobre procedimento operacional padrão, falta de experiência do farmacêutico que manipulava os medicamentos e até mau acondicionamento dos medicamentos quimioterápicos. A investigação acumula mais de 8 mil páginas e ainda não foi concluída.

Sócio do Neoclin quer sair do grupo

Um dos sócios do oncogrupo Neoclin, move ação na Justiça, pedindo seu desligamento da empresa e o ressarcimento a parte monetária a que tem direito. No processo Paulo Siufi Júnior alega “temor de ser responsabilizado por obrigações da pessoa jurídica, o que envolve exclusivamente questão financeira”.

CPI apontou que Eva teria recebido em duplicidade

A investigação da CPI da Saúde da Câmara apurou que além da ausência da servidora do HU, decisiva para desativar o serviço de radioterapia, Eva Glória Abrão Siufi recebeu verba salarial pela UFMS por carga horária semanal de 40 horas semanais, enquanto trabalhava  como médica responsável pelo Setor de Radioterapia do HC.

“Recebia por toda a produção do respectivo setor daquele hospital, havendo, pois, indícios de recebimento de verba indevida e em duplicidade, o que recomenda investigação ministerial, tanto do MPF, quanto do MPE. Faz-se imperativa a investigação por parte do MPF para apurar eventuais prejuízos aos cofres da UFMS em relação ao pagamento de verbas salariais quando haveria indícios de que a servidora não cumpria sua carga horária perante a Instituição; e faz-se imperativa a investigação por parte do MPE para apurar se o pagamento que se realizava sobre toda produção do Setor de Radioterapia do Hospital do Câncer em relação a Dra. Eva Siufi operava-se dentro dos ditames legais. Fica a recomendação dessa Comissão Parlamentar de Inquérito nesse sentido”, diz relatório final da CPI.

Operação Sangue Frio

Após dois anos da deflagração da Operação Sangue Frio, as investigações ainda não terminaram. Até agora, o MPF denunciou seis pessoas por malversação de R$ 102 milhões em recursos públicos no Hospital do Câncer, sendo os ex-diretores do hospital Adalberto Abrão Siufi, Issamir Farias Saffar, Blener Zan e Luiz Felipe Terrazas Mendes; a ex-administradora Betina Moraes Siufi Hilgert; e o empresário e ex-funcionário do hospital, Adalberto Chimenes.

A reportagem entrou em contato com a Procuradoria Regional para saber mais informações, entretanto a informação é que o caso corre sob sigilo e nem mesmo o andamento do caso, ou o número de processos que foram abertos pode ser revelado. 


Em crise, Brasil financia metrô de R$ 5,3 bi para Maduro na Venezuela


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Claudio Humberto
Custa US$ 1,6 bilhão (R$ 5,3 bilhões) ao contribuinte o financiamento do BNDES à empreiteira Odebrecht para construir a linha 5 do metrô de Caracas, capital venezuelana. O BNDES se alimenta do dinheiro do Tesouro Nacional, arrancado do bolso do contribuinte. A empreiteira, que é citada no escândalo de corrupção na Petrobras, foi responsável por três linhas do metrô de Caracas, além de outras obras no país.
Se não falta dinheiro brasileiro para o governo bolivariano de Nicolás Maduro, no Brasil o governo aplica calotes e cancela programas. Para a reforma da linha 3 do metrô de Caracas o início da linha 4, a Odebrecht recebeu do BNDES US$ 194,6 milhões.
A Odebrecht atua na Venezuela desde 1992, mas foi em 2004, com as obras do metrô de Caracas, que a empresa deslanchou no país. O “bondinho” de Caracas também foi construído pela Odebrecht, além da ponte do rio Orinoco e o “projeto agrário socialista” de Maracaibo.

Como morreu o promotor argentino?


POR DIOGO BERCITO
Quem passou a infância debruçado sobre um tabuleiro de Detetive poderá ler este post  pensando no jogo. Coronel Mostarda, castiçal, sala de música? Mas o mistério da morte do promotor argentino Alberto Nisman não tem nada de divertido –na verdade, é um assunto sério que tem emaranhado a política daquele país há 50 dias.
Vocês talvez já tenham se perdido nos detalhes e no número de personagens novos, que não para de aumentar. Pudera. Na Argentina, vive-se a política mais ou menos como, no Brasil, se segue uma novela ou um campeonato de futebol. Cada traição, cada virada de mesa e cada drible são narrados e debatidos a exaustão.
Quando a política se vê entrelaçada por um crime misterioso, aí sim, estão na mesa os ingredientes para deixar os argentinos enfeitiçados e indignados por muito tempo. Mas por que esse corpo encontrado no chão do banheiro de um luxuoso apartamento do bairro de Puerto Madero importa tanto nesse determinado momento histórico do país?
O Mundialíssimo blog recebe hoje, para nos explicar esse caso, a repórter daFolha Sylvia Colombo. Autora de um blog sobre a América Latina, anteriormente correspondente em Londres e em Buenos Aires, além de ex-editora da “Ilustrada”, Colombo escreve abaixo sobre os detalhes da novela e sobre a tradição de “suicidados” na Argentina:
A jornalista Sylvia Colombo.
A jornalista Sylvia Colombo
Quem era o promotor Nisman?
Nascido em Buenos Aires em 1963, separado e pai de duas adolescentes, Nisman havia sido indicado em 2004 pelo então presidente Néstor Kirchner (1950-2010) para assumir as investigações sobre o bombardeio da AMIA (Associação Mutual Israelita da Argentina). Após dez anos trabalhando na causa, estava pronto para apresentar suas conclusões ao Congresso argentino, na segunda-feira, dia 19 de janeiro. No domingo, porém, morreu de forma súbita e, até agora, inexplicada.
Mas… o que aconteceu na AMIA?
O maior atentado terrorista de que se tem notícia na América Latina. Morreram 85 pessoas, além do terrorista que levou a bomba até o edifício numa pequena van, no centro de Buenos Aires. Foi em 18 de julho de 1994. Relatos de quem estava na cidade neste dia dão conta de que se via a fumaça desde os bairros mais afastados.
Por que, apesar de passados mais de 20 anos, não há ninguém condenado?
A cena do atentado foi adulterada e desapareceram fitas e outros documentos relacionados à explosão. Há uma acusação, feita pelo próprio Nisman, ao então presidente argentino na época, Carlos Menem (1989-99), por “alterar, obstruir e tentar neutralizar a investigação”.
Mas se sabe quem cometeu o atentado?
No começo, trabalhava-se com duas hipóteses. Uma era a chamada “pista síria”. Segundo esta, o atentado teria sido uma resposta do governo sírio a Menem, depois que este cancelou uma venda de reatores nucleares àquele país. A outra, que é a que Nisman achava a correta, era a “pista iraniana”: o atentado teria sido obra do Hizbullah, com apoio do governo do Irã, após a decisão argentina de suspender um acordo de transferência de tecnologia nuclear ao país.

Se Nisman havia sido indicado por Néstor Kirchner, porque decidiu se voltar contra Cristina?
A coisa é mais enrolada, na verdade, envolve a relação de Cristina com um ex-chefe do serviço secreto (então SIDE), Antonio “Jaime” Stiuso. Trabalhando na divisão desde 1972, e com ligações internacionais com a CIA e a Mossad, Stiuso tinha informação de empresários, políticos e movimentos sociais, por meio de uma rede de informantes infiltrados construída ao longo de 40 anos. Stiuso era um dos principais colaboradores de Nisman na investigação da AMIA. Ambos tinham uma relação boa com o governo até que, em 2013, Cristina resolveu propor um acordo com o Irã, por meio do qual a investigação da causa AMIA seria dissolvida.
Mas por que Cristina queria isso?
A ideia era oferecer isso em troca de petróleo para aplacar a crise energética. Quando soube disso, Stiusso não se conformou, e passou a fornecer informações a Nisman que incriminariam a presidente. Quando se deu conta, em dezembro do ano passado, Cristina tirou Stiuso do cargo. No vídeo abaixo, Nisman aparece criticando o acordo –que não andou, porque a corte suprema o declarou inconstitucional.


Ou seja, Nisman estava com medo de que Cristina viesse para cima dele, após ter se livrado de Stiuso?
Sim, Nisman sentiu-se exposto e solitário, com a saída daquele que era sua garantia. Acuado, resolveu fazer a denúncia de que Cristina havia tentado encobrir as investigações do caso AMIA em troca de um acordo comercial, munido de mais informações de Stiuso (a perícia divulgou que uma das últimas conversas que teve, na tarde do dia em que morreu, foi com Stiuso).
E, afinal, o que aconteceu com ele, foi morto ou suicidou-se?
É impossível afirmar por enquanto. A perícia, levada adiante pela investigadora Viviana Fein, tende a apontar para o suicídio. Mas a ex-mulher de Nisman, que é juíza e passou a integrar a causa em nome das filhas do promotor, afirma que foi um assassinato e até montou um time de peritos independentes para reunir provas nesse sentido.

Mas será possível descobrir o que realmente aconteceu?
Talvez nunca se esclareça de todo o assunto. Houve várias irregularidades na investigação. Começando com o fato de que altos funcionários do governo estiveram no apartamento antes de todo mundo, portanto teriam tido tempo para sumir com provas que incriminassem a presidente ou alguém ligado a ela. Tanto a perícia como as câmaras de segurança do prédio não fornecem evidência suficiente de que houvesse outra pessoa com Nisman. Também não havia indício de pólvora nas mãos do promotor.
Por que Nisman se mataria um dia antes de apresentar uma denúncia formal a Cristina?
Isso é o que não bate. Na semana anterior, Nisman havia dado entrevistas a canais de TV e jornais, falado com várias pessoas, e a todos dizia que estava preparando uma denúncia contundente. Os que o cercam o viam nervoso, mas muito ansioso para que chegasse logo o momento. Também afirmam que não tinha um comportamento depressivo. O que leva a pensar na hipótese do “suicidado”.
O que é isso?
Trata-se de uma fúnebre tradição argentina.Quando um crime político é cometido e faz-se com que pareça um suicídio, ou quando alguém se suicida sob forte pressão ou ameaça.
Já aconteceu no passado?
Infelizmente, há muitos casos de suicídios suspeitos de figuras ligadas à política. Um dos mais famosos foi o de Juan Duarte, irmão de Eva Perón. Tendo perdido a confiança do general Perón, “Juancito” morreu alguns meses depois da irmã, em 1953, com um tiro de escopeta na testa. Outro caso foi o de Lourdes Di Natale, em 2003. Havia sido secretária de Emir Yoma, cunhado de Carlos Menem. Depois que fez uma denúncia de que o ex-chefe estava envolvido com venda ilegal de armas, foi encontrada morta no térreo do edifício. Supostamente, teria se jogado. Mas tudo fica mais estranho pelo fato de Lourdes estar usando roupa íntima e segurando, na mão, uma faca, parecendo mais que tinha tentado defender-se de um invasor.
E mortes políticas inexplicadas, há muitas na Argentina?
Dá para mais de uma minissérie (de fato, o canal TN brincou com a ideia, ao lançar “House of K”, inspirada em “House of Cards”). As sagas ficam em aberto e dão espaço para mil especulações. Nos anos 90, o fotógrafo José Luis Cabezas fez a foto de um empresário que recebia benefícios de Menem e se gabava de nunca ter tido um retrato seu publicado. Cabezas publicou a imagem do milionário na capa da principal revista argentina. Não demorou para aparecer morto, corpo calcinado, dentro de um carro incendiado. O próprio empresário morreu pouco depois, o corpo encontrado com um tiro na cara.

Se Nisman foi assassinado, ou “suicidado”, devemos considerar que o culpado é Cristina?
Não enquanto não houver mais evidências. Há a hipótese de que tenha sido alguém do próprio serviço secreto, por fidelidade a Stiuso, ou mesmo alguém da oposição, para incriminar Cristina. Também, não se pode descartar governistas que tenham atuado sem que a presidente soubesse.

Quem são os "houthi" iemenitas?


POR DIOGO BERCITO

“Deus é maior. Morte à América. Morte a Israel. Maldição aos judeus. A vitória ao islã.”
Se vocês estão se perguntando “quem são os houthi”, que expulsaram o presidente iemenita de seu palácio em Áden nesta quarta-feira, a resposta está resumida aí em cima. É o lema desse grupo insurgente xiita que desceu de seu território ao norte e, em setembro de 2014, tomou a capital Sanaa, desestabilizando o (já instável) país.
Lema houthi: Deus é maior, morte à América, morte a Israel, maldição ao judeus, a vitória ao islã.
OK, não são dos menos radicais. Mas de onde eles surgiram?
Os houthi vêm de um grupo chamado Ansar Allah (partidários de Deus), seguidores de um xiismo conhecido como “zaidismo” –o mesmo do ex-ditador iemenita, Ali Abdullah Saleh. Não são aliás uma minoria inexpressiva: os zaidis constituem um terço da população e tiveram o controle do norte do país em um sistema de imamato por mil anos, até 1962. Nos anos 1990, o Ansar Allah era visto como um grupo moderado de proselitismo religioso.

Tropas leais a Hadi observam a base aérea al-Annad, tomada por rebeldes houthi nesta quarta (25)
Tropas leais a Hadi observam a base aérea al-Annad, tomada por rebeldes houthi nesta quarta (25)
Zaidi?
É uma vertente do islã xiita quase exclusiva do Iêmen, e tradicionalmente vista como próxima ao sunismo (daí, dizem, a boa convivência durante os séculos de imamato). Eles seguem os ensinamentos de Zaid ibn Ali, reunidos no livro “Majmua al-Fiqh”, que se parece com a escola sunita Hanafi de jurisprudência. Especificamente, não acreditam que um imã seja infalível em suas decisões.

O que significa “houthi”?
É o sobrenome de Hussein Badr al-Din al-Houthi, líder de uma rebelião desse grupo nortenho em 2004, em busca de autonomia para a região de Saada. Ele morreu no mesmo ano, mas o cessar-fogo foi assinado apenas em 2010. O nome seguiu adiante como o de um movimento.


O que eles querem agora?
Mais autonomia. Me lembro de sentar-me com alguns deles, quando estive no Iêmen, e ouvir suas reivindicações. Já então se dizia que eles seriam o maior desafio à transição iemenita, mas à época havia otimismo em relação ao acomodamento das diferenças em um projeto nacional. Os houthi, porém, buscam expandir sua influência no norte do país, aproveitando-se do vácuo deixado pela queda do ex-ditador Saleh.

Como eles têm agido?
Desceram até Sanaa, dissolveram o Parlamento e deram um ultimato às forças políticas, em setembro passado. Desde então, têm ganhado território e empurrado o presidente Hadi para fora do cenário –primeiro, ele fugiu ao sul, Áden; agora, há relatos de que já deixou o país.


É uma questão interna do Iêmen, né?
Nem. Acredita-se que os houthi sejam apoiado pelo Irã (também xiita). A oposição a seu avanço é apoiada pela Arábia Saudita, potência sunita, e pelos EUA. O presidente Hadi, perseguido pelos insurgentes, é sunita também. Com os ataques aéreos sauditas iniciados hoje, e as exigências iranianas de que cessem, fica claro que o Iêmen é um cenário para disputas regionais.


Isso é ruim?
É horrível. Não é que o Iêmen estava tranquilo, antes disso. O leste está tomado pela franquia mais violenta da Al Qaeda, que foi responsabilizada por diversos atentados terroristas recentes. O sul é mobilizado por um forte separatismo, com justificativas históricas e culturais. Houve, ainda, um recente ataque terrorista organizado pelo Estado Islâmico em mesquitas xiitas do país, com dezenas de mortos.

Por que terroristas cortam cabeças?


POR DIOGO BERCITO
Vídeo que mostra a decapitação do refém japonês Kenji Goto. Crédito Reprodução
Vídeo que mostra a decapitação do refém japonês Kenji Goto. Crédito Reprodução
A organização terrorista Estado Islâmico, que controla um extenso território entre a Síria e o Iraque, divulgou no sábado o vídeo da decapitação do japonês Kenji Goto.
As imagens, publicadas como “mensagem ao governo japonês”, mostram cenas que infelizmente se tornaram frequentes: um militante mascarado cortando a cabeça de um refém ajoelhado, vestido de laranja. Foi assim com o jornalista americano James Foley e também com anônimos que nunca se tornaram notícia, apesar de ter sofrido a mesma violência (há um verbete da Wikipedia específico para esses assassinatos).
(Atualização: a mesma organização terrorista divulgou nesta terça-feira, 3 de fevereiro, imagens de um piloto jordaniano sendo queimado vivo. O ato segue a mesma lógica descrita aqui, em termos de atrair a atenção externa).
A primeira reação às imagens parece ser descrevê-las como “brutais”, “bárbaras”, “selvagens”. Mas, como este Mundialíssimo blog não acredita em gestos sem significado, vamos ao que está atrás do corte de cabeças. Começamos, então, como de praxe. Uma pergunta.
O Estado Islâmico inventou a decapitação de reféns?
Não. É uma mensagem já antiga e eficiente, entre organizações terroristas. O caso mais marcante é o do jornalista americano Daniel Pearl, decapitado pela Al Qaeda no Paquistão (a história virou filme com a atriz Angelina Jolie em 2007, “O Preço da Coragem”).

Por que o Estado Islâmico corta as cabeças?
O primeiro fator é psicológico. A conquista de Mosul pelo Estado Islâmico no ano passado, antes da instituição de seu “califado”, ocorreu afinal após a retirada do Exército iraquiano. Relatos dão conta do temor propagado pela organização terrorista, entre soldados locais. Apresentar-se como um grupo violento e sádico ajuda, nesse sentido, a garantir vitórias ao Estado Islâmico.

Funciona também como propaganda?
Se pergunte quando foi a última vez que um carro-bomba virou manchete. Eu estive no Iraque recentemente e, mesmo em Bagdá, as notícias de atentados eram lidas com desinteresse. Leitores estão anestesiados, e esses ataques já não têm impacto em uma estratégia de propaganda. As decapitações, por outro lado, recebem uma atenção brutal: a cada refém ocidental morto pelo Estado Islâmico, a organização terrorista ganha as manchetes no mundo inteiro.

Os muçulmanos são bárbaros!
Bem, a decapitação não é exatamente desconhecida no Ocidente. Lembra da guilhotina? Ela era usada até 1977 para cortar cabeças na França, como punição. Não vale a pena ceder a esses julgamentos velozes de que “os árabes são menos desenvolvidos”, porque essa não é a questão estratégica nessa história.

Mas há consenso entre terroristas para decapitar sua vítimas né?
Não. Na verdade, o contrário. Hamas e Hizbullah, por exemplo, não recorrem ao gesto (o que não quer dizer que não sejam violentos). De acordo com um texto publicado pelo “Washington Post”, Ayman al-Zawahiri, líder da Al Qaeda, pediu à franquia iraquiana da organização terrorista que parasse de cortar cabeças. “Muçulmanos nunca vão achar que as imagens são aceitáveis”, disse.

Então não há relação entre islã e decapitação?
Não foi isso o que eu disse. Há na verdade uma referência histórica no Alcorão, o livro sagrado do islã. Um estudo de 2005 cita um trecho que fala em atacar o pescoço de infiéis. Teologicamente, a mensagem teve força ao longo dos séculos. Mas, é claro, isso não significa que o islã equivalha a cortar cabeças. A imensa maioria dos seguidores dessa religião condena a violência. O Estado Islâmico é um grão dentro da diversidade islâmica, e sua visão é das mais radicais.

Quem está cortando as cabeças?
Não se sabe. Mas se imagina que em parte dos casos seja o mesmo homem,apelidado “John jihadista”. Acredita-se que ele seja britânico.

Dilma exigirá de Obama a retirada de seu nome da lista de espionados


REDACAO
A presidente Dilma Rousseff quer que o americano Barack Obama garanta, na conversa que os dois devem ter às margens da Cúpula das Américas, a exclusão do nome dela na lista de líderes estrangeiros espionados pela NSA.
Essa seria a condição para reagendar a visita de Estado a Washington, que ocorreria em outubro de 2013, mas foi cancelada por Dilma após o escândalo de espionagem.
O Conselho de Segurança Nacional dos EUA está revendo a lista de líderes mundiais espionados pela NSA. Obama já tinha ordenado publicamente que a NSA deixasse de monitorar a chanceler alemã, Angela Merkel.
Mas, segundo reportagem do “The New York Times” em fevereiro, líderes do México e do Brasil continuam sob vigilância.
Dilma teria ficado “fora de si” com a informação e exigiria uma “garantia” de Obama de que ela também está fora da lista, segundo a Folha apurou com duas pessoas que acompanham a negociação.
Só assim ela dará início à série de diálogos ministeriais que preparam o terreno para a visita à Casa Branca.
O encontro entre os dois no Panamá, durante a cúpula que se realiza nos próximos dias 10 e 11, pode ser uma reunião bilateral ou simplesmente o chamado “pull aside”, uma conversa informal no intervalo dos compromissos.
Já está descartada a possibilidade de uma visita em maio ou junho, pois não haveria tempo para prepará-la. Setembro e outubro são meses congestionados em Washington: duas visitas de Estado, dos líderes do Japão e da China, e duas visitas “de trabalho”, menos solenes, dos líderes da Indonésia e da Coreia do Sul.
Portanto, caso seja reagendada para este ano, a visita de Dilma será meramente de trabalho. Se ocorrer ano que vem, poderá ser uma visita de Estado.
Para Paulo Sotero, diretor do Brazil Institute do Woodrow Wilson Center, o restabelecimento das relações com os EUA, estremecidas desde o escândalo de espionagem, vem crescendo.
Visitas recentes do ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro, a Washington, e do subsecretário do Tesouro, Nathan Sheets, ao Brasil, são sinais disso.
A conversa do chanceler Mauro Vieira com Susan Rice, assessora de Segurança Nacional, e o telefonema do vice, Joe Biden, a Dilma em março, reiterando o convite, também.
“Esse encontro [de Dilma e Obama] durante a cúpula é importante para o reengajamento”, afirma Sotero.
Mas a agenda para uma possível visita continua anêmica. Um dos anúncios seria a liberação da entrada de carne in natura brasileira nos EUA.
Isso já foi anunciado pelo menos duas vezes antes pelos dois governos, mas esbarrou em obstáculos.
Já o acordo de facilitação de comércio entre os dois países está bem encaminhado.
Outro possível avanço, que seria anunciado durante a visita de 2013, é o Global Entry, sistema que facilita a entrada de viajantes internacionais cadastrados.
A isenção de visto, um dos grandes temas bilaterais, é mais difícil. “E pode ser contraproducente, porque pode haver brasileiros embarcando sem visto só para serem barrados nos EUA”, diz uma pessoa próxima às negociações.

Alvaro Dias repudia aumento de salário de diretores da Petrobras


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Durante audiência com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na Comissão de Assuntos Econômicos, o senador Alvaro Dias disse ser um escândalo a notícia veiculada nesta terça-feira pela imprensa nacional, de que a Petrobras realizará assembleia no próximo dia 29 de abril, quando será votado o aumento do salário dos seus diretores. Segundo disse o senador na Comissão, se aprovado na assembleia, o valor do salário de cada um dos oito diretores da Petrobras passará de R$ 100 mil para mais de R$ 123 mil por mês. Para Alvaro Dias, a notícia representa mais uma “feia fotografia” da realidade do governo atual.
“A Petrobras, vivendo a maior crise de sua história, envolvida em um rumoroso escândalo de corrupção, decidirá em assembleia pelo aumento no salário de seus diretores. Isso é um acinte, um escárnio. Quando o governo tenta implantar um ajuste fiscal para desafogar as contas públicas, a Petrobras fala em aumentar salários de seus diretores, que já estão ente os maiores salários do país? Além de uma ofensa, é um desrespeito ao povo brasileiro”, afirmou o senador Alvaro Dias.