terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Em ano agitado, Capital teve dois prefeitos e três presidentes na Câmara

Antonio Marques



O ano de 2015 vai entrar para a história política de Campo Grande como um dos mais conturbados da história da Capital. Foram dois prefeitos e três presidentes na Câmara em menos de 12 meses, algo nunca ocorrido antes.
Além disso, pela primeira vez um ocupante da cadeira do Paço Municipal foi preso. Ainda houve renúncias e cassações na Câmara Municipal, levando suplente, que nem sonhava mais em assumir mandato, a ser empossado para participar da última sessão do ano, com direito a eleição da mesa diretora. 

O primeiro escândalo do ano envolveu o então vereador Alceu Bueno (à época no PSL), que renunciou ao mandato para não ser cassado por seus pares. Em meados de abril, ele denunciou o ex-vereador Robson Martins e o empresário Luciano Pageu por extorsão, mas, após investigação, a polícia descobriu um grupo que atuava na exploração sexual de adolescentes.
Em dezembro, Alceu Bueno acabou condenado a 8 anos e 2 meses de prisão em regime fechado. Quatro meses depois do escândalo sexual, na véspera de a cidade completar 116 anos, uma reviravolta total na política municipal. Antes, porém a Câmara Municipal foi pressionada a abrir uma Comissão Processante contra o, então, prefeito Gilmar Olarte por conta de indícios de seu envolvimento crime por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, acusado de dar calote em pessoas ligadas a sua igreja e empresários locais.
O 1º vice-presidente Flávio César assumiu a presidência no dia 25 agosto, quando Mário César foi afastado pela Justiça (Foto: Arquivo/Marcos Erminio)O 1º vice-presidente Flávio César assumiu a presidência no dia 25 agosto, quando Mário César foi afastado pela Justiça (Foto: Arquivo/Marcos Erminio)
O vereador Chocolate e seu advogado deixa a sede do Gaeco ao concluir o depoimento no dia 25 de agosto. Outros oito parlamentares também foram ouvidos (Foto: Marcos Ermínio)O vereador Chocolate e seu advogado deixa a sede do Gaeco ao concluir o depoimento no dia 25 de agosto. Outros oito parlamentares também foram ouvidos (Foto: Marcos Ermínio)
Cedinho, naquele dia 25 de agosto, uma operação deflagrada pelo MPE (Ministério Público Estadual), denominada de Coffee Break, em alusão a cafezinho, suposto termo usado pelos envolvidos para referir-se ao pagamento de propina, conforme apontou o inquérito, afastou autoridades municipais de seus cargos, entre outras medidas, como a apreensão de celulares de vereadores.
A Operação Coffee Break investigou esquema de compra de votos para promover a cassação do prefeito. Além de vereadores terem sido levados de casa para depor, o Gaeco conseguiu autorização do TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) para o afastamento imediato do presidente da Câmara; e do sucessor de Bernal, Gilmar Olarte.
Com isso, Campo Grande ficou sem chefe do Executivo.
Quando os 20 vereadores que restaram na Câmara preparavam o ritual para a posse do 1º vice-presidente, Flávio César (PTdoB), no cargo de prefeito, outra decisão do TJ embalharou ainda mais as cartas do jogo político na Capital: era a volta de Bernal ao Paço Municipal.
Antes mesmo de reassumir a prefeitura, o prefeito Alcides Bernal foi à Câmara dizer que precisava quebrar os retrovisores, o que não aconteceu na prática (Foto: Arquivo/Fernando Antunes)Antes mesmo de reassumir a prefeitura, o prefeito Alcides Bernal foi à Câmara dizer que precisava "quebrar os retrovisores", o que não aconteceu na prática (Foto: Arquivo/Fernando Antunes)
Depois de um ano e meio Alcides Bernal foi reconduzido ao cargo por uma decisão do TJMS (Foto: Arquivo)Depois de um ano e meio Alcides Bernal foi reconduzido ao cargo por uma decisão do TJMS (Foto: Arquivo)
Antes mesmo de os vereadores realizarem o ato de posse, Bernal voltou ao cargo. Nem o próprio prefeito, até então cassado, parecia acreditar na decisão da Justiça.
Com o afastamento de Olarte e a decisão em favor de Bernal, que reassumiu ao meio-dia do dia 27 de agosto, oficialmente, Campo Grande estava sem prefeito no dia em que completou 116 anos.
A volta de Bernal reascendeu uma conturbada relação entre ele e a Câmara. O prefeito perdeu até o apoio dos três vereadores do PT.
Por mais de 90 dias, Flávio César esteve na presidência da Câmara. Mario Cesar só conseguiu retornar ao Legislativo depois de renunciar ao cargo de presidente, para o qual foi eleito João Rocha (PSDB).
Ainda por conta da Coffee Break foi criada na Câmara Municipal, por recomendação do MPE (Ministério Público Estadual), a Comissão Permanente de Ética, para apurar a quebra de decoro parlamentar dos nove vereadores investigados pelo Gaeco. O processo foi arquivado na casa por falta de provas.
Já no fim de novembro, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu derrubar as liminares que mantinham três vereadores acusados por compra de votos nos cargos. Paulo Pedra (PDT), licenciado para a secretaria municipal de Governo; Delei Pinheiro (PSD) e Thais Helena (PT) foram cassados, além de Alceu Bueno, que já havia sido condenado anteriormente no mesmo processo.
O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) precisou recontar os votos das eleições de 2012 e foram convocados os suplentes Roberto Durães (PT), Lívio Leite (PSDB) e Eduardo Cury (PTdoB) – este havia assumido a vaga quando Pedra se licenciou. Em tempo, eles participaram da eleição para escolha da nova mesa diretora da Casa.
A movimentação política de 2015 aumenta as expectativas para 2016. O Gaeco concluiu que houve o envolvimento de dois ex-prefeitos, de empresários e de 13 vereadores na suposta compra de votos para cassar o mandato de Bernal no ano passado, mas aguarda decisão da PGJ (Procuradoria Geral de Justiça) para ver os encaminhamentos em relação a operação que marcou a história da cidade.
Na última sessão do ano, os vereadores elegeram a nova Mesa Diretora. João Rocha, presidente (ao centro); Carlão, 1º secretário; e Vanderlei Cabeludo, 2º secretário (à direita); Ayrton Araújo, 2º vice-presdiente; e Chiquinho Teles, 3ºvice-presidente (à esquerda) (Foto: Divulgação/Izaias Medeiros)Na última sessão do ano, os vereadores elegeram a nova Mesa Diretora. João Rocha, presidente (ao centro); Carlão, 1º secretário; e Vanderlei Cabeludo, 2º secretário (à direita); Ayrton Araújo, 2º vice-presdiente; e Chiquinho Teles, 3ºvice-presidente (à esquerda) (Foto: Divulgação/Izaias Medeiros)
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Prefeitura de Campo Grande suplementa R$ 95,7 milhões

R$ 52 milhões foram para Educação

A prefeitura de Campo Grande abriu crédito suplementar de R$ 95,7 milhões, segundo publicação do Diário Oficial desta terça-feira (29). A movimentação envolve várias pastas e não foi necessária autorização da Câmara Municipal porque não atinge o limite de 5% do Orçamento.

Somente do FMS (Fundo Municipal de Saúde) foram anulados R$ 24,6 milhões, ou seja, o dinheiro foi retirado desta área para ser aplicada em outra também do Executivo. Da Funserv (Fundação de Seguridade Social dos Servidores) foram R$ 16,1 milhões, Semed (Secretária Municipal de Educação) R$ 21,3 milhões.
Já da Emha (Agência Municipal de Habitação de Campo Grande) foram R$ 7,6 milhões, Seintrha (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação) R$ 7,3 milhões entre outros valores menores referentes a outras pastas.
O montante maior foi repassado à Semed com R$ 52,3 milhões. Em seguida vem o IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande) com R$ 27,9 milhões. Outros R$ 6,1 milhões ao FMS, R$ 2 milhões à Semadur (Secretaria Municipal do Meio Ambiente) e R$ 1,3 à Seintrha. Valores menores foram destinados a outras áreas.

“Inflação de 10,7% faz queda nas vendas ser ainda maior”, diz presidente da ACICG

Vendas não foram nada animadoras em 2015

Arquivo MidiamaxArquivo Midiamax
Com a crise econômica de 2015, muitos consumidores deixaram de ir às compras. O comércio varejista viu uma baixa expressiva em 2015. As vendas no comércio dos shoppings teve queda de 1% em relação ao ano passado, registrando, segundo números da Alshop (Associação Brasileira dos Lojistas de Shoppings), o pior Natal dos últimos 10 anos.
Para o presidente da ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande), Omar Pedro de Andrade Aukar, o resultado se deve ao cenário econômica atual. “Nós tivemos 10,7% de inflação neste ano. Se contarmos com a inflação, teremos quase 12% a menos de venda, é muito. Nem o aumento expressivo nas vendas, que ocorreu depois da 1ª quinzena deste mês, ameniza essa queda”, explica.
“Lojistas com produto de menor valor venderam mais e sofreram menos, já aqueles com valor mais elevado venderam menos”, explica Omar.

totalizaram R$ 145 bilhões, ante R$ 143,47 bilhões no ano passado. Descontada a inflação, porém, as vendas foram de R$ 130,5 bilhões, uma queda de 2,82% no ano em relação a 2014, o maior recuo da última década. No entanto, considerado os valores deflacionados, as vendas de 2015, nos últimos 10 anos, só não foram maires que as de 2014 (R$ 134,29 bilhões).
De acordo com a Alshop, os resultados foram influenciados pela dificuldade de obtenção de crédito, associado a período de aumento de juros; elevação do dólar, o que gerou aumento de preços em vários segmentos; a alta do desemprego, da inflação e a insegurança em relação às medidas econômicas adotadas.
“Para 2016, de acordo com os dados que temos, as vendas no primeiro semestre deverão ser iguais às do primeiro semestre de 2015, o que será considerado um resultado bom”, disse o diretor de Relações Institucionais de Alshop, Luís Augusto Ildefonso da Silva.

Grupo fecha loja do Walmart em shopping e as duas do atacadista Maxxi

Grupo só vai manter a primeira loja em Campo Grande, na Mato Grosso

  • Loja do Maxxi será fechada (Foto: arquivo)
  • Só uma das quatro lojas que a rede Walmart têm em Campo Grande vai permanecer aberta em 2016. O plano de fechar três lojas, a do Walmart no Shopping Bosque dos Ipês, e as duas do Maxxi Atacado, nas avenidas Coronel Antonino e Ernesto Geisel, já foi comunicado a funcionários.
    A administração do Shopping Bosque dos Ipês também já foi informada do fechamento da loja, que é uma das oito âncoras do central comercial, inaugurado em agosto de 2013. Não há data ainda, segundo informou a assessoria de imprensa do shopping, mas a previsão de fechamento é para “breve”.
    Em relação às duas lojas do Maxxi Atacado, a previsão, segundo apurou a reportagem do Jornal Midiamax, é de que o funcionamento seja interrompido já a partir de quarta-feira, 31 de dezembro.
    Segundo a apuração, o vice-presidente de atacado do grupo, José Leon, esteve em Campo Grande conversando com funcionários. Foi oferecido a eles a possibilidade de transferência de unidade e, ainda, um contrato para trabalhar por mais dois meses, para auxiliar na desativação das lojas.

    Plano nacional

    O encerramento da operações dessas lojas faz parte de uma reprogramação das atividades do grupo, diante do cenário de crise no País. Ao todo, está previsto o fechamento de 30 lojas.
    Segundo a reportagem apurou, a demissão de funcionários já começou. Para o Shopping Bosque dos Ipês, o fechamento da unidade é um baque considerável, por se tratar de âncora e ocupar um espaço grande e também porque, quando da inauguração, o Walmart era considerado um chamariz de clientes para o central comercial, considerado por muitos muito afastado para boa parte da população local. O estabelecimento fica no final da avenida Cônsul Assaf Trad, próximo da BR-163.
    Pelas informações apuradas, as lojas que estão sendo fechadas não estão dando o resultado esperado pela rede, assim como as outras no restante do País que serão desativadas. Fechar 30 lojas equivale a 5% dos 544 pontos de venda no país do grupo de origem estadunidense, que chegou a Mato Grosso do Sul em 2008, com a loja da Mato Grosso.
    Segundo o jornal Valor Econômico, proprietários de imóveis que abrigam unidades a ser fechadas no Nordeste e Sul já foram avisados.
    A reportagem do Jornal Midiamax tentou contato com a assessoria de imprensa do grupo Walmart, mas a informação é que o período é de férias coletivas. Pertencem ao grupo as bandeiras Walmart, Maxxi Atacado, Bompreço, Big, Mercadorama, Todia e Sam'ś Club.

    O rock está de luto: morre Lemmy Kilmister, do Motörhead



    Aos 70 anos, morre a lenda do rock Lemmy Kilmister, líder, cantor e baixista da banda



    O rock está de luto: morreu o inglês Lemmy Kilmister, líder, cantor e baixista dos Motörhead desde os anos 1970, também músico dos Hawkwind, e instituição do estilo de vida rock. Era uma lenda para os amantes das linguagens do rock mais pesado, mas transcendia essa condição. Era o tipo de músico que o público acabava por gostar, com a sua inconfundível voz rouca e o inseparável chapéu preto.

    Tinha 70 anos, completados no dia 24 de Dezembro. A sua morte começou a ser avançada, de forma não oficial, depois da meia-noite desta terça-feira (28),  e foi  confirmada na página oficial do Facebook da banda. O músico não resistiu a um câncer que lhe havia sido diagnosticado há apenas dois dias. De acordo com a nota dos Motörhead nas redes sociais, o músico teria morrido em casa rodeado da família, em Los Angeles. Os outros membros do grupo dizem não ter “palavras para expressar o seu choque e tristeza” e exortam os admiradores a ouvir, bem alto, por estes dias a música do Motörhead e dos Hawkind, em sua homenagem. “Bebam uma bebida ou mais. Partilhem histórias. Celebrem a vida desse homem amável e maravilhoso que a celebrou de forma tão vibrante”, pode ler-se.

    Os últimos anos da sua vida foram marcados por vários problemas de saúde, decorrentes de diabetes e coração, tendo sido obrigado a cancelar vários concertos ou a abandonar o palco a meio de outros. Em Outubro do ano passado revelou mesmo que havia estado “próximo da morte” em 2013 quando foi submetido a uma cirurgia que envolveu um implante de um dispositivo eletrônico regulador do batimento cardíaco. “Tive de cortar nos cigarros e na bebida”, disse à revista Kerrang, substituindo uísque por vinho, “mas tenho a certeza que vou morrer na estrada de uma forma ou de outra.”

    Mal as notícias começaram a circular, inúmeras figuras do rock, especialmente as mais conotadas com o Metal, prestaram-lhe tributo nas redes sociais. Ozzy Osbourne escreveu no Twitter que havia perdido um dos seus melhores amigos: “Era um guerreiro e uma lenda.” Por sua vez, o guitarrista Eddie Clarke, que integrou a formação mais conhecida dos Motörhead – na companhia de Lemmy e Phil Taylor, que morreu há dois meses – disse-se “devastado”, afirmando que Lemmy era como se fosse um irmão. “O mundo parece um lugar verdadeiramente vazio neste momento”, escreveu.

    Ao longo dos anos, o Motörhead atuou várias vezes em Portugal, a última das quais, em 2010, no Rock In Rio em Lisboa. Antes já tinham passado pelo festival Paredes de Coura de 2004, pelo Coliseu dos Recreios de Lisboa em 1999 ou pelo Pavilhão Infante de Sagres do Porto e Dramático de Cascais em 1998. Também tocaram na concentração motard de Faro em 2007, o que não espanta, dada a associação entre o visual de Lemmy, a sua forma de estar, e a iconografia ligada aos motoqueiros. De alguma forma é como se Lemmy encarnasse um certo estilo de vida do rock, o ideal romântico de se poder existir para sempre nos limites. Há várias frases da sua autoria que simbolizam que para ele o rock não era apenas música. “Se achas que estás demasiado velho para o rock & roll é porque estás”, dizia.

    O FIM DO MUNDO ESTÁ PRÓXIMO: RENATA GUEDES QUER SER VEREADORA


    ‘Ex-chefona da saúde’ aposta na carreira política e quer se candidatar a vereadora em 2016

    Renata Guedes Alves Alegretti já estuda potenciais eleitores e deve concorrer pelo PRTB


    Fora dos holofotes após o afastamento do prefeito Gilmar Olarte (PP), a ex-diretora do Cempe (Centro Municipal Pediátrico), Renata Guedes Alves Alegretti, deve apostar agora em sua carreira política. Nos bastidores, ela já procura especialistas para engatar sua candidatura nas eleições de 2016. A expectativa é de concorrer à vereança pelo PRTB.

    Ditatorial
    Renata ficou conhecida como ‘chefona da saúde’ após diversos desentendimentos com servidores municipais que trabalharam com ela nas UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) da Capital. Com fama de ditadora, a então diretora do Cempe precisou ser exonerada para amenizar a pressão popular, mas Olarte voltou a nomeá-la na Segov (Secretaria Municipal de Governo e Relações Institucionais).

    Bola fora
    A manobra rendeu investigações no MPE (Ministério Público Estadual) já que portaria publicada pela prefeitura proibia novas nomeações durante o período. As denúncias são muitas, inclusive, de funcionários que relataram ser obrigados a fazer curso de maquiagem da Mary Kay para trabalhar no Hospital Pediátrico.

    Lixo
    O prefeito Alcides Bernal (PP) deve romper o contrato entre o município e a concessionária CG Solurb, para a coleta de lixo na Capital, já nos próximos dias e contratar nova empresa em regime de urgência. Mesmo após a divulgação de reuniões secretas, realizadas fora da agenda oficial, com secretário de Sorocaba, a escolhida deve ser a paulista Heleno e Fonseca, que participou do último certame.

    Protestos
    Vídeo que circula nas redes sociais mostra manifestação em frente ao prédio do ex-governador André Puccinell (PMDB), que teria sido realizada no último domingo (27). O grupo de insatisfeitos teria realizado um ‘buzinaço’, motivado pelas suspeitas de irregularidades apontadas pela Polícia Federal em relatório da Operação Lama Asfáltica.

    Fábrica de boataria
    A [quase] saída do coordenador Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), promotor Marcos Alex Vera, gerou uma verdadeira ‘fábrica de boatos’. Apesar da explicação oficial do Ministério Público Estadual, os bastidores continuam fervendo com teorias, entre elas a produção de um relatório incompleto, poupando investigados, vazamento de informações sigilosas, mudança para o Governo e até mesmo o uso indevido de diárias - mas nada comprovado.

    Resposta Oficial
    Oficialmente, o promotor manifestou o desejo de deixar o Gaeco já em dezembro de 2014 e, neste ano, considerava ter cumprido sua missão. Ainda assim, mesmo após pedir para sair, ele deverá continuar na instituição até o fim da investigação, conforme acordo interno entre os membros do MPE.

    Tem mais
    Durante coletiva de imprensa, o procurador Paulo Passos fez questão de frisar que o relatório da Operação Coffee Break é apenas preliminar, ou seja, parte do rito de inquérito e deve ser complementado. Os possíveis substitutos de Marcos Vera são os promotores Marcos Roberto Dietz, Emy Louise Souza de Almeida, Claudia Loureiro Ocariz Almirão, Thalys Franklyn de Souza e Tiago Di Giulio Freire, todos eles devem participar da investigação.


    PGJ nega problemas com Marcos Alex e promotor fica no Gaeco até conclusão de investigações


    Procurador Geral de Justiça em exercício, Paulo Cézar dos Passos/Foto: Taciane PeresProcurador Geral de Justiça em exercício, Paulo Cézar dos Passos/Foto: Taciane Peres

      O Procurador Geral de Justiça de Mato Grosso do Sul, em exercício, Paulo Cezar dos Passos, confirmou a saída do promotor Marcos Alex Vera de Oliveira da coordenação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Porém, Passos afirmou que Marcos Alex vai deixar Gaeco apenas depois da conclusão das investigações da Coffee Break. 
      Segundo Procurador Geral em exercício, novas investigações referentes à Coffee Break devem ser realizadas após retorno de Marcos Alex dia 7 de janeiro com fim do recesso. O promotor quando entregou relatório preliminar da Coffee Break à PGJ havia antecipado possibilidade de novas investigações para esclarecer novos fatos que surgiram durante andamento da operação.
      A Coffee Break foi deflagrada para apurar se houve esquema de compra de votos de vereadores da Capital para cassar mandato do prefeito Alcides Bernal (PP) em 2014.Segundo relatório (clique aqui), além dos empresários João Amorim, dono da Proteco Construções, João Baird, dono da Itel Informática, Fábio Portela e Raimundo Nonato, mais 13 vereadores estariam envolvidos no esquema. 
      De acordo com Passos, não há nenhuma divergência entre Marcos Alex e Procurador Geral de Justiça, Humberto de Matos Brittes, como havia sido veiculado. “Qualquer informação diferente foi divulgada de forma desconcertada no intuito de atrapalhar os trabalhos, são muitas informações desencontradas na tentativa de enfraquecer o Ministério Público, e isso só prejudica a sociedade e favorece pessoas que estão envolvidas em ações com intuito de lesionar os cofres públicos", disse Passos.
      Ainda segundo Procurador Geral em exercício, não há nome definido para substituir Marcos Alex, que segundo Passos, já havia solicitado saída da coordenação do Gaeco por motivos familiares. Porém, já se sabe que futuro coordenador do Gaeco não vai atuar nas investigações. “Não está definido quem substituirá Marcos Alex quando ele sair, mas quem for o coordenador do Gaeco não atuará nas investigações, apenas fará trabalho de análises para não acumular funções".
      A declaração do procurador foi concedida durante coletiva de imprensa convocada após terem sido amplamente divulgadas informações sobre motivos do afastamento de Marcos Alex do Gaeco. Foram divulgadas diversas hipóteses sobre reais motivos que levariam Marcos Alex a deixa Gaeco. Entre elas, possível descoberta por parte do promotor acerca de supostas irregularidades praticadas pela empresa do irmão do Procurador Geral de Justiça, Humberto Matos Brittes e supostas divergência e discussões entre ambos. 
      Vazamento de informações
      Em relação ao vazamento de informações do relatório, que foram divulgadas por emissora de televisão local um dia depois da entrega do documento à PGJ, o Procurador Paulo dos Passos diz não haver motivos para investigar conduta do Gaeco. "Não tenho nenhuma situação que faça com que a conduta de Marcos Alex seja investigada. Nada que indique irregularidade, entendemos que existem muitas informações deturpadas na tentativa de atrapalhar as investigações".