segunda-feira, 13 de abril de 2015

Venda de casas para a Classe Média tem como vilões burocracia e margem apertada


Papelada faz a demora para a casa estar pronta à entrega ser de um ano em média
  • Alavarás, certidões, habite-se e demora na análise de crédito os vilões da margem de lucro dos empreendedores da Construção Civil (Reprodução)


  • Em Mato Grosso do Sul, empreendedores da Construção Civil confirmam que a retração no Mercado Imobiliário para residências novas é extremamente desanimadora. Zilfa Gomes, que investiu o dinheiro da economia de uma década nessa atividade, o que viabilizou o projeto de comercialização de 50 casas entre 2012 e 2015, desistiu de levantar novos lares para a venda. Agora tenta com muito esforço vender o restante dos imóveis que projetou e migrar a outro segmento mais rentável.

    “Não tem margem e nos últimos dois anos ficou pior. Os bancos fazem avaliações dos imóveis onde apontam valores menores que eles realmente valem, e ainda é preciso esperar até dois meses para a análise de uma concessão de financiamento. Nesse período a vida da pessoa pode mudar e aí como fica? O Banco do Brasil e a Caixa ficaram mais rigorosos, além da exigência para a entrada tem inflacionado bastante”, reclama Zilfa, que aponta o problema de demora da liberação dos pagamentos pelos bancos, o que dificultaria no giro do negócio, a operação de reinvestir na construção de outras casas o faturamento obtido com uma venda já concretizada e concluída.
    Adão Castilho, também construtor, não pensa ainda em desistir do ramo, mas vê na demora para se vender uma casa pronta o principal problema do segmento. Ele aponta que o prazo de construção varia entre quatro a seis meses, enquanto a burocracia que exige a regularização do imóvel para uma transferência da venda requer cerca de um ano da paciência do empresário deste segmento. 
    “A burocracia é o grande entrave do setor, a quem atua como pequeno empresário da construção. Ela é a principal vilã, o que desanima o retorno lucrativo e o que tira a margem do investidor em casas com valor entre R$ 90 a R$ 200 mil. São cinco meses para deixar uma casa pronta e sete que fica na demora da papelada. Se este tempo de espera fosse menor poderíamos já estar construindo outras com o dinheiro da venda de uma. Aí em um momento como esse que se fala de tanta incerteza na economia e os empresários passam a ser mais conservadores nos investimentos complica mais ainda”, diz Adão.
    Procura continua mas ...
    Segundo o corretor de imóveis, Eloi José Stragliotto, o interesse de compradores continua em virtude do alto custo dos alugueis e do sonho de famílias em financiar uma casa própria. Entretanto a adesão desse parlamento mudou significativamente em 2015, e não foi apenas no tempo para a análise de crédito ao pleiteante do Minha Casa, Minha Vida, programa do Governo que impulsionou a comercialização de residências com valores até R$ 170 mil.
    “Posso citar o caso de um cliente meu que prefiro não identificar. Com a mudança nas regras de avaliação a parcela precisou ficar em 25% da renda líquida e não 30 % como antes. Com isso essa diferença foi repassada para a entrada o que fez com que a pedida para a adesão do financiamento que ele desejava saísse de R$ 29.500 para R$ 50 mil. Nem todo mundo está capitalizado o bastante a investir logo de cara uma quantia dessas mesmo incluindo o FGTS”, explica Eloi. 
    O corretor ainda esclareceu que na sua experiência de Mercado tem visto que o Banco do Brasil tem conduzindo as propostas de financiamento para outro tipo de operação nas suas agências e correspondentes bancários,  preterindo o Minha Casa Minha Vida.
    Exceção?
    Não foram dois meses, e sim duas semanas que a agente de turismo, de 32 anos, Aline Ferreguetti, precisou esperar a conclusão da análise de concessão do financiamento  do Minha Casa, Minha Vida junto à Caixa Econômica Federal. Ela poderá realizar o sonho da casa própria com um imóvel no bairro Nova Campo Grande, região Leste da Capital, pagando uma parcela de aproximadamente R$ 480. O subsídio concedido a ela na operação foi de R$ 17 mil na compra do imóvel avaliado em R$ 120 mil.
    “Não sei se fui a exceção à regra mas fico feliz de tudo ter dado certo mesmo em um começo de ano que todo mundo fala de momento ruim da economia, de corte de programas sociais e restrição à crédito. Muita gente me falou que os bancos estavam mais rigorosos, que o programa Minha Casa Minha Vida poderia acabar, só que a minha situação foi de uma análise que durou duas semanas e me concedeu o subsídio máximo possível na aquisição do imóvel. Se essa não for a realidade de todos dei muita sorte”, diz Aline. 

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