O parlamentar que é pré-candidato a prefeito de Campo Grande, afirmou desconhece que a operação pode prejudicar a sua candidatura em 2016
Considerada um dos marcos na história recente da política de Mato Grosso do Sul, a investigação aberta pela Polícia Federal, Controladoria-Geral da União e a Receita Federal, batizada como Operação Lama Asfáltica, pode surtir efeitos severos nas eleições municipais de 2016.
Pré-candidatura à prefeitura de Campo Grande, o deputado estadual Marquinhos Trad, pode ser um dos principais prejudicados. Irmão do ex-prefeito Nelson Trad Filho, do PMDB, ele estará sujeito a todo o tipo de ataque sobre as possíveis irregularidades ocorridas durante a gestão do primogênito da família.
Além da coleção de inquéritos investigados pelo MPE (Ministério Público Estadual), Nelsinho pode ser investigado por corrupção passiva se a PF (Polícia Federal) comprovar o esquema de fraude em licitações que teria desviado R$ 11 milhões durante a sua administração na Capital.
O ex-prefeito não está na lista de indiciados do inquérito que investiga a contratação de empresas para construção do aterro sanitário, mas um de seus secretários, João de Marco, teve a casa revirada pela PF e figura entre os principais operadores do esquema.
Marquinhos defende o irmão, mas tem consciência de que a matéria pode afetá-lo. Questionado sobre o assunto, ele alega que Nelsinho é inocente, mas faz questão de desvincular sua imagem dele. “Olha, até onde eu sei, ele não é investigado pela polícia. Mas caso tenha algo irregular, ele é quem deve dar explicações. Eu não tenho na a ver com isso”, enfatiza.
Na política a gerações, a imagem do sobrenome Trad já está bastante desgastada, tanto que, nas últimas eleições, Fábio Trad foi eleito apenas para a suplência de uma cadeira na Câmara Federal enquanto Nelsinho amargou o terceiro lugar na disputa pelo Governo do Estado mesmo com a ‘máquina pública’ em mãos.
Além de Trad, o ex-secretário estadual de obras, Edson Giroto, viu sua candidatura naufragar com as investigações. Os agentes entraram na casa do ex-assessor especial do Ministério dos Transporte na última quinta-feira (17) à procura de documento, e ele, no mesmo dia, precisou deixar o Governo Federal para apresentar sua defesa.
Conforme as investigações revelarem outros nomes, mais pessoas podem ver seus sonhos caírem por terra. Até o momento, a PF divulgou o envolvimento de apenas quatro suspeitos e dois dos contratos investigados. O PMDB também foi prejudicado, pois perdeu dois de seus maiores doadores de campanha: João Amorim, da Proteco Construções, e Luciano Dolzan, da LD Engenharia.
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