Irmã do empreiteiro João Amorim, a deputada estadual Antonieta Amorim (PMDB), eleita em 2014, poderia ser, facilmente, apelidada de “baronesa da obras”, já que 68% das doações da campanha eleitoral da parlamentar vieram de empresas de engenharia.
Conforme prestação de contas da deputada, entregues ao Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), em 14 de novembro de 2014, a Proteco Engenharia Ltda, investigada pela Polícia Federal por superfaturar contratos com poder público e corromper servidores para favorecimento em licitações, doou R$ 1,452 milhões a Antonieta. Foram sete doações entre os dias 15 de agosto e 2 de outubro de 2014. Os valores variam entre R$ 84.450,00 mil e R$ 375.791,46 mil.
Apenas as doações da Proteco, de João Amorim, irmão de Antonieta, representam 52% do total de recursos recebidos pela então candidato como doação de campanha, de acordo com prestação de contas da parlamentar apresentada ao TER-MS. Porém, Antonieta também recebeu doações da secretária de João Amorim, Elza Cristina Araújo dos Santos, que, conforme, denúncias da imprensa local, já assinou como sócia do empreiteiro em algumas de suas empresas. O próprio João Amorim doou, pessoalmente, R$ 17 mil à campanha da irmã.
No entanto, a ligação de Antonieta com setor de obras não se restringe às empresas do irmão. Surpreendentemente, a deputada recebeu R$ 431.644,00 da JW Serviços e Construções Ltda. Juntas, as doações da JW e da Proteco representam 62% do valor total de doações de campanha de Antonieta e cobrem aproximadamente 35% do gasto total de deputada durante campanha.
A JW Serviços e Construções Ltda efetuou duas doações à campanha da Antonieta, nos valores de R$ 339.44,00 mil e R$ 92.200,00 mil nos dias 01 e 02 de outubro respectivamente. E, em novembro de 2014, ou seja, um mês depois, fechou as portas e passou a se chamar Diferencial Engenharia Ltda cujo proprietário é Acir Magalhães. No dia da operação “Lama Asfáltica”, policiais federais também foram até sede da Diferencial em busca de documentos. A equipe do MS Notícias entrou em contato com empresa, na tarde de ontem, na tentativa de conversar com Acir Magalhães, foi informada que o empresário está em viagem e o responsável que poderia falar em nome de Acir está no interior do Estado e chega à Capital hoje (14) pela manhã.
Depois de eleita, Antonieta se tornou presidente da Comissão de Obras da Assembleia Legislativa e protagonizou episódio polêmico quando os deputados decidiram criar Comissão de Acompanhamento das Obras do Aquário do Pantanal, pela qual a Proteco, de João Amorim, é uma das empresas responsáveis. Depois de muitas críticas de parlamentares, a bancada do PMDB decidiu abrir mão de ter Antonieta como membro da Comissão e indicou deputado Renato Câmara, que é engenheiro.
A deputada Antonieta Amorim, no entanto, não acredita que sua ligação com empresários do setor de engenharia possa influenciar no trabalho desenvolvido à frente da Comissão de Obras. Ontem, pelo telefone, a parlamentar conversou com MS Notícias e explicou que as doações de campanha foram efetuadas dentro da legalidade assim como toda prestação de contas foi aprovada pelo TER-MS. Antonieta também ressaltou que o fato de ter recebido doações de empreiteiros não a impede de exercer seu papel de legisladora, que tem como função, fiscalizar as ações do Executivo. Sobre seu trabalho na presidência da Comissão de Obras, a deputada garante que nunca houve nem haverá qualquer tipo de influência.
“Eu sou do PMDB que tem maior bancada na Assembleia e por isso, o partido teve direito a diversas comissões. Foi feito um sorteio para que fosse decidido em qual comissão cada um dos deputados iria atuar e eu acabei sendo sorteada para assumir Comissão da Obras, da qual me orgulho pelo trabalho que tenho feito. Posso garantir que o fato de ter um irmão que atua no setor nunca interferiu nem irá interferir no meu trabalho que está sendo feito com total isenção e lisura. Uma coisa não nada a ver com outra”, afirmou Antonieta.
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