segunda-feira, 13 de julho de 2015

Debate no TCU sobre 'pedaladas' do governo deve ser 'técnico', diz Adams


Tribunal de Contas deu prazo para governo explicar 13 pontos sobre contas.
De acordo com advogado-geral da União, procedimentos foram legais.

Filipe MatosoDo G1, em Brasília

O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, disse em entrevista coletiva nesta segunda-feira (13), após reunião com a coordenação política do governo, que o debate no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre 13 pontos das contas da gestão de Dilma Rousseff em 2014 deve ser "técnico". Para ele, o espaço para debate político é o Congresso.
Na reunião da coordenação, além da presidente Dilma, estavam presentes ministros e líderes do governo no Congresso.
No mês passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) deu 30 dias de prazo para o governo explicar ao órgão as chamadas “pedaladas fiscais”, que consistiram no atraso dos repasses para instituições financeiras públicas do dinheiro de benefícios sociais e previdenciários, como Bolsa Família, abono, seguro-desemprego e subsídios agrícolas.
Devido ao atraso, instituições como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES, tiveram de usar recursos próprios para honrar os compromissos, numa espécie de "empréstimo" ao governo, que, com o atraso, adiaria despesas a fim de aliviar a situação das contas públicas. Segundo o processo no TCU, as “pedaladas” somam R$ 40 bilhões.
Debate técnico
"Acredito que o espaço do TCU é um debate técnico. Quem faz debate político é o Congresso. E ele será travado, com as dimensões próprias de um poder como o Congresso Nacional. Apostamos e queremos que o TCU faça o debate técnico ponderado e seja capaz de realmente melhorar o sistema de repasse e pagamentos, tema altamente relevante", afirmou o ministro.
O prazo que o TCU deu para as respostas vence no próximo dia 17. Para Adams, as ações do governo que estão sendo questionadas foram pautadas pela regularidade. Ele também disse que o governo está aberto para aperfeiçoar as práticas.
"O nosso posicionamento está pautado pela regularidade reconhecida em relação às sistemáticas que vêm sendo adotadas até o momento. Evidentemente, da nossa parte do governo, não temos nehuma resistência ao aperfeiçoamento que possamos ter feito a partir de agora, a partir da análise do debate que o TCU propõe. Todavia, entendemos, como já aconteceu no passado, que essas sistemáticas devem ser aperfeiçoadas, melhoradas", afirmou Adams.
"Agora, toda jurisprudência revisitada, ela tem efeito para o futuro, não para o passado. Por essa razão, a gente entende que podemos, sim mudar, mas não é o caso de rejeitar as contas", concluiu o ministro.
Ao defender que a análise das contas do governo pelo TCU seja “técnica”, Adams disse também que o governo “não aposta” em solução judicial, caso o tribunal não aceite as explicações e rejeite as contas.
Confiança
Na entrevista no Palácio do Planalto, o ministro afirmou que o governo está “absolutamente confiante” na aprovação das contas pelo TCU.
“O governo está absolutamente confiante. Principalmente, porque baseia seu entendimento em análises técnicas, consistentes e desenvolvidas por todos os órgãos do governo que procuraram responder aos questionamentos feitos pelo TCU. Neste sentido, baseados neste material, temos plena confiança de que o TCU terá a ponderação e o equilíbrio para aprovar [as contas]”, disse o ministro.

Barbosa ressaltou que o assunto é uma questão “técnica” e, por isso, é preciso esclarecer “os mais diversos pontos”.
Ao falar sobre a reunião da coordenação política desta segunda, o ministro do Planejamento,Nelson Barbosa, explicou que ele e Adams apresentaram ao grupo uma espécie de “resumo” dos principais pontos que serão levados ao Tribunal de Contas da União.
“E é por isso também que estamos apresentando aos diversos interlocutores, não só ao TCU, mas também à sociedade como um todo e aos representantes eleitos pela sociedade [as explicações]. Nosso entendimento continua sendo o mesmo. Todas as operações e contratos questionados pelo TCU, no nosso entendimento, seguiram a legislação em vigor, estão completamente alinhados com a Lei de Responsabilidade Fiscal e com o que diz a Constituição”, afirmou o ministro do Planejamento.
 

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